segunda-feira, 21 de maio de 2012

Arquivos do dia » 07, maio 2008

Encontro

 

Com todos estes acontecimentos, que o cotidiano no oferece, em muitas oportunidades, a gente cruza por uma pessoa e nem a cumprimenta.  Depois,  as desculpas são várias. Estava distraído.  Andava pensando noutra coisa, Etc. Etc. Pois bem, isso aconteceu dias atrás quando encontrei com Tapejara, meu amigo e meu mestre. Cruzei-o no mesmo passo que andava. Ouvi uma voz conhecida que exclamava o termo peculiar, – Homem! não me reconheces mais? – Virei-me rapidamente, procurando atender o chamamento e antes que lhe pedisse desculpas pelo acontecido estendeu-me a mão dizendo: – Estas desculpado, mas é contigo mesmo que eu preciso conversar. Ando observando que os jovens estão recebendo uma série de informações erradas, invertendo valores, usando termos falaciosos e não vejo ninguém preocupado com essa situação. Vou te citar um exemplo: Agóra mesmo uma moça perguntou-me: – Tio que horas são? – Ora, eu aprendi que “tio” é o irmão do nosso pai, o irmão da nossa mãe e por afinidade o marido da nossa tia. Busquei estas informações nos registros de Plácido  e Silva que dá uma conotação jurídica dizendo:  “Tio designa  o filho do avô, ou seja o irmão do pai, ou irmão da mãe. Os tios indicam-se parentes colaterais, estando ligados aos sobrinhos por um vínculo ou parentesco de terceiro grau. Sobre o mesmo termo ensina-nos Aurélio Buarque de Holanda Ferreira que “Tio” vem do grego ( theios), pelo latim “thiu. É substantivo masculino e significa o irmão dos pais em relação aos filhos destes.  E, por extensão o marido da tia, em relação aos sobrinhos desta. Sabe-se que no Nordeste esse termo em determinadas regiões é usado para designar pessoas amigas dos pais, porem, nós aqui dos Pampas, quando desejamos acarinhar uma pessoa amiga dos nossos genitores ou uma pessoa de mais idade, sempre usamos o hipocorístico de tio, ou seja “Titio”,  que nada tem a ver com parentesco nenhum, tão-somente revela admiração e respeito pela pessoa que se fala. Será que a Tradição é globalizsável?  Dizendo isso saiu sem falar mais nada. Fiquei olhando afastar-se com uma imponência nobre, de pessoa firme em direção ao horizonte da sabedoria sem . . . nem mesmo ouvir a minha resposta.

 

CRESCENTE DE MARÇO DE 2008.

CALTARS.        “TO”

 

 


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Chasqui

 

Os Incas chamavam chasquis aos correios que tinham postos pelos caminhos, para levar com rapidez  os mandatos do Rei e trazer as novas e avisos que tivessem importância, perto ou longe em seus reinos e províncias. Para isto tinham a cada quarto de léguas ( hum mil e quinhentos metros) quatro ou seis índios moços e ligeiros, que ficavam em duas cabanas para defender-se das inclemências do céu. Levavam os recados de uma cabana para os da outra, um olhava para um lado do caminho e o outro para o outro, para descobrir os mensageiros antes que chegassem até eles e os vissem para transmitir o recado a fim de não perderem tempo algum.

Para isso punham sempre as cabanas no alto e também as punham de maneira que se vissem umas ás outras. As cabanas ficavam um quarto de légua porque diziam que distância é que um índio poderia correr ligeiro e atentamente sem cansar-se.

Chamavam estes correios de CHASQUIS, que quer dizer trocar, andar e tomar, que é o mesmo, porque trocavam, davam e tomavam de um para outro, e de outro para outro, os recados que levavam. O recado ou mensagem que os chasquis levavam era de palavra, porque os índios do Peru não sabiam escrever.

As palavras eram poucas e muito simples e correntes para que não se trocassem e, por serem muitas, não fossem esquecidas.

Levavam outros recados, não de palavras, mas de fios e nós que colocados em determinada ordem, os governantes se entendiam para o que haviam de fazer. Os nós e as cores dos fios  significavam  o número de pessoas, armas, roupas ou qualquer outra coisa que se houvesse de fazer, enviar ou aprisionar.

Ainda havia outras maneiras de dar avisos. Durante o dia pela fumaça e à noite com labaredas. Os chasquis sempre percebiam o fogo e a fumaça e levavam sempre, de noite e de dia, revezando-se para perceberem qualquer aviso. Este aviso por fogo era somente dado quando havia alguma rebelião no reino. Este era o ofício dos chasquis e os recados que levavam.

O gaúcho tipo forjado de diversas etnias, aculturando hábitos e costumes de todas as raças que lhes emprestaram formação, adicionou este  termo com as mesmas funções. (VEJA, Inca Garcilaso de la. Comentários Reaales de los Incas – Peru, 1973)

 

NOVA DE SETEMBRO DE 2007.

CALTARS – “TO”

 


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