quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Arquivos do mês » junho, 2008

Verde e Amarelo

Em conferência realizada na Liga de Defesa Nacional, a 18 de setembro de 1930, o Dr. Francisco Pereira Lessa  sustente que a simbologia exata das cores verde a amarela se acha presa à heráldica, pois D. Pedro pensou dotar o Brasil com a cor verde, cor de sua Casa Real de Bragança; e o amarelo, a cor da Casa de Habsburgo – Lorena de Áustria, de onde provinha sua primeira esposa, a Arquiduquesa Dona Leopoldina. Diz o conferencista que o “ Barão de Marechal, secretário da legislação austríaca e que aqui ficara, como agente diplomático, em seu ofício a Metternich, de 27 de setembro de 1822, dando ciência dos graves acontecimentos que se sucederam no Brasil,fala também que o Príncipe trazia um  laço verde sob um ângulo de metal  dourado, no qual estava gravado INDEPENDÊNCIA OU MORTE! Ainda mais,  no dia 15,aniversário da Revolução de Lisboa , não foi esta celebrada, e a tropa, os funcionários públicos e o povo arrancaram, abruptamente, o laço das Cortes, trazido ao braço esquerdo, substituindo-s, então, pelo verde, couleur de La Maison de Bragance” Quanto a escolha de cor amarela, diz Pereira Lessa: Depois, porém, da publicação do Arquivo Diplomático da \independência, valioso subsidio fornecido pelo  Ministérios das Relações Exteriores ainda mais nos convencemos de que a cor amarela fora escolhida por d. Pedro, pela  exposição feita por Antonio Teles da silva Caminha e Meneses, depois Marquês de Resende, e nosso agente diplomático em Viena, em seu oficio de 29 de setembro de 1823, a José Bonifácio da Andrade e Silva, relatando como descrevera a Bandeira Imperial a Metternich, o que significava as estrelas no escudo imperial – as suas províncias – e os demais componentes da Bandeira, expondo igualmente o motivo e significação das  cores verde e amarela; a cor verde, por ser esta a da Casa de Bragança; e a amarela, a da Casa de Lorena, de que usa a Família Imperial da Áustria.”D. Pedro tinha a intenção de proclamar-se rei do Brasil, e isso é patente no timbre  que deu às armas Nacionais, em 18 de setembro de 1822. Nessa data, foi baixado o decreto que criou as Armas e a Bandeira do Brasil, não somente com o verde, e, sim, com verde e o amarelo.

 

NOTA:           

            A casa de Bragança procedia de D. João I, mas de D. João I antes de rei e simples mestre da \Ordem de Avis ( A Herculano – Opúculos, III, p.167). Esta casa reinou em Portugal desde 1640 até 1910. O primeiro Duque de Bragança foi D. Afonso, 3o. Conde de Barcelos, filho de D. João I, e que desposou, em 1401, D. Beatriz, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira. Desde logo, a Casa de Bragança foi rica e poderosa, e, quando entrou na posse dos imensos haveres do condestável, passou a ser mais opulenta casa fidalga de Portugal.Na carta de D. João VI, de 27 de outubro de 1645, elevando o Brasil à categoria de Principado, o título de Duque de Bragança passou a pertencer aos filhos primogênitos dos reis de Portugal, e isto foi observado até a queda da Monarquia, em 1910. A cor verde lembra, ainda, uma tradição remotíssima de nossos antecedentes políticos, pois, além de ser a cor característica da Casa de Bragança, desde a sua fundação, era, também, o matiz do estandarte da destemida e famosa Ala dos Namorados, que constituía a vanguarda do exército lusitano, na Batalha de Aljubarrota. A cor verde recorda ,também, o dragão verde que figurava na bandeira dos lusitanos, anteriormente o pavilhão instituído em 1097. Segundo as velhas crônicas, os antigos lusitanos arvoravam  uma bandeira quadrangular, branca, no meio da qual se via um dragão verde, cujo símbolo permanece, até nossos dias, na bandeira dos dragões da Independência.Recorda o protomártir de independência,Tiradentes, denunciando no mesmo ano em que Paris inaugurava a regeneração humana. ( Os sitiantes da Bastilha tiveram por emblema folhas verdes, arrancadas às árvores do Palais Royal).Lembra a nossa natureza viridente, a nossa primavera constante, a nossa riqueza agrícola.“Caracteriza a Esperança, ao mesmo tempo que indica a Paz, duplo título para simbolizar a atividade pacífica”. A cor  amarela além de ser a cor característica da Casa de  Lorena, lembra, também, “a fase da mineração do ouro, nos tempos coloniais, que tanto incrementou o povoamento  do Brasil e, assim, determinou a sua prosperidade”, bem como a nossa riqueza mineral, as nossos regiões auríferas.

 


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Fogo Simbólico

 

                      O fogo é um dos quatro elementos que constituem o simbolismo dos povos.  Fogo, ar, terra e água. O fogo aquece, é usado para cozer alimentos, ilumina e espiritualmente purifica. Quando mal usado pode causar destruição. Os cristãos  vêem o fogo como símbolo de divindade. Para os egípcios o fogo é visto como  elemento de superioridade e controle. Universalmente, é o símbolo da sabedoria. Quando Moises comandava suas tribos no Êxodo, durante a noite o caminho foi iluminado por uma coluna de fogo, a qual chamaram de “Tocha Ardente”. Os gregos e romanos conservavam nos altares dos seus templos sagrados, tocha de fogo e, quando partiam para a guerra conduziam, a frente dos combatentes,  um archote do “fogo sagrado”, como símbolo de proteção e almejo de vitória. Na Grécia as residências localizadas distante dos templos onde o fogo era venerado, recebiam uma centelha, das mãos de atletas  que realizavam a “corrida do Fogo Sagrado”. Podemos considerar  uma atividade embrionária, da maratona do “Fogo Simbólico da Pátria”.  Olavo  Braz Martins dos Guimarães Bilac, o nosso Olavo Bilac, nascido no Rio de Janeiro em 16 de  dezembro de 1865, foi jornalista, poeta, um dos criadores da Academia Brasileira de Letras, criou também, a Liga de Defesa Nacional, em 07 de setembro de 1916, com a finalidade de desenvolver o espírito cívico de todos os brasileiros e promover uma corrida por todo o território nacional com o Fogo Simbólico. Em 1938 A Liga de Defesa Nacional, secção do Rio Grande do Sul, através de um integrante chamado Túlio de Rose, concretizou o sonho do nosso poeta   realizando a primeira corrida do “Fogo Simbólico da Pátria”  de Viamão a Porto Alegre. No ano de 1939 a corrida  do Fogo Simbólico partiu de Rio Pardo, percorrendo 244 quilômetros de revezamento entre atletas.  O início da corrida, onde se ascende o Fogo Simbólico, hoje denominada  maratona, não tem lugar certo, cada ano parte de um lugar que ofereça um motivo adequado a cultura desse procedimento cívico. Do Fogo Simbólico nasceu a Chama Crioula. Em 1947 a Liga de Defesa Nacional do Rio Grande do Sul, resolveu prestar uma homenagem aos Pracinhas que tombaram  em defesa da Pátria, na Segunda Guerra Mundial, por isso o Fogo Simbólico foi aceso em Pistóia na Itália,  onde se encontram sepultados nossos heróis. Da localidade de Pistoia até o Rio de Janeiro, o Fogo foi transportado pelo Coronel Aviador Rubens Canabarro  Lucas e daí, para todo o Brasil,  foi levado por atletas. Nesse mesmo ano, durante os festejos da Semana da Pátria, estava prevista a transladação dos restos mortais do Coronel Farroupilha David Canabarro, de Santana do Livramento para o Panteon em Porto Alegre. O Presidente da Liga, Major Darcy Vignoli, necessitava um piquete de cavalaria para a Guarda de Honra. Através do seu secretário Dr. Fortunato Pimentel que contatou com João Carlos D’Avila Paixão Cortes, Presidente do Departameto Tradicionalista  do Grêmio Estudantil do Colégio Julio de Castilhos de Porto Alegre, conseguiu O piquete aceitou com a condição de que, no momento da extinção do Fogo Simbólico lhe fosse permitido retirar uma centelha. Tudo acertado, foi realizada a guarda e  a centelha retirada sendo transportada para o Colégio Julio de Castilhos, local que permaneceu em ronda até o dia 20 de setembro, nascendo aí a Chama Crioula que deu início a festividades da Semana Farroupilha.

 

MINQUANTE DE AGOSTO DE 2006

CALTARS – “TO’

 

 

 

 

 

 

FOGO

                        Quando o homem primitivo descobriu o fogo, certamente deu o mais importante passo em sua história. Através dos tempos nós aprendemos a usar sua energia para inúmeros propósitos, usamos o fogo para trazer luz à escuridão, para cozinhar nossos alimentos, para aquecer nossas habitações e no passado para movimentar locomotivas. Reconhecido pelos antigos como um dos quatro elementos do mundo. O fogo é um princípio ativo, transmutador e transformador. As suas principais características vão desde a materialidade até a espiritualidade, que coloca o buscador ou o devoto mais próximo do Criador.  No Livro Sagrado o fogo é sinal de presença e ação do Criador é expressão da Santidade e da transcendência Divina, por esse motivo uma chama é  símbolo da letra Hebraica IOD que além de outros significados representa o Criador.

                        Os gregos e os romanos conservavam em seus altares uma chama de fogo. Quando partiam para a luta sempre levavam uma tocha do “Fogo Sagrado” dos templos  do qual esperavam proteção e vitória.  As casa gregas e romanas que se situavam longe dos templos onde o fogo era venerado, recebiam uma chama distribuída por atletas especialmente designado para essa atividade.

                        Conhecendo e dominando esse panorama, o carioca OLAVO BRAZ MARTINS DOS MAGALHÃES BILAC, autor do Hino à Bandeira, um dos criadores de Academia Brasileira de Letras, em 7 de setembro de 1916, fundada da Liga de Defesa Nacional para desenvolver  o espírito cívico de todos os brasileiros e promover uma corrida com o Fogo Simbólico da Pátria em todo Território Nacional.

                        Em 1938 o Sr. TULIO ROSE, membro da Liga de Defesa Nacional, secção do Rio Grande do Sul, concretiza as aspirações do nosso Escritor e Poeta realizando a primeira Corrida do Fogo Simbólico no Brasil, de Viamão a Porto Alegre, no ano seguinte a chama foi acesa em Rio Pardo e daí por esta atividade foi adotada por todo O Território Nacional. Em 1947 gerou a primeira Chama Crioula do Rio Grande do Sul. O acendimento, do Fogo Simbólica da Pátria não tem local certo. A cada ano homenageia uma personalidade, esta edição dedica honras ao poeta alegretense MARIO MIRANDA QUINTANA, nascido aos 30 dias do mês de julho de 1906. Poeta das coisas simples. Despreocupado em relação às críticas, segundo suas próprias palavras “faz poesias porque sente necessidade”. Residiu por muitos anos no Hotel  Magestic em Porto Alegre, atual Casa de Cultura da Capital Gaúcha que leva o seu Nome. Está sendo reeditada sua obra “Ora Bolas”  em homenagem ao centenário de seu nascimento. Em 1928 trabalhou  no Jornal  Estado do Rio Grande, participou da Revolução de Trinta, fixou residência no Rio de Janeiro, em 1936 regressou ao Rio Grande do Sul e foi trabalhar na Livraria do Globo em Porto Alegre sob  a direção de Érico Veríssimo, o que indiretamente aproxima consideravelmente, nossa cidade e nosso Érico Veríssimo,  a distinção da Maratona do Fogo Simbólico da Pátria ao Alegretense Mário Quintana.

                       

PARA ÉRICO VERÍSSIMO

 

                        O DIA ABRIU SEU PÁRA-SOL BORDADO

                       

                        DE NUVENS E DE VERDE RAMARIA.

 

                        E ESTAVA ATÉ UM FUMO, QUE SUBIA.

 

                        MI-NU-CI-O-AS-MEN-TE  DESENHADO.

 

 

DEPOIS SURGIU. NO CÉU AZUL ARQUEADO.

 

A LAU – A LUA! EM PLENO MEIO-DIA.

 

NA RUA, UM MENINO QUE SEGUIA

 

PAROU, FICOU A OLHÁ-LA ADMIRADO. . .

 

 

                      PUS MEUS SAPATOS NA JANELA ALTA.

 

                      SOBRE O REBORDO. . . CÉU É QUE LHES FALTAVA.

 

                      PRA SUPORTAR A EXISTÊNCIA RUDE!

 

 

 

E ELES SONHAM. IMÓVEIS.DESLUMBRADOS.

 

QUE SÃO DOIS VELOS BARCOS, ENCALÇHADOS

 

SOBRE A MARGEM TRANQÜILA DE UM AÇUDE. . .

 

 

                                   A RUA DOS CONVENTOS

 

                                   Mario Quintana

 


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Palavra

 

A PALAVRA CONFORTA E AGRIDE.

O MUNDO CONTINUA COMO DEVE.

FOI CRIADO PARA NÃO SER BREVE,

E NÓS VAMOS, NOS SUBSTITUINDO.

SEMPRE  CHEGANDO E SAINDO,

EM BUSCA DE MELHOR ABRIGO.

QUERO  QUE ANALISE COMIGO:

CADA ENTE SÓ FAZ O QUE DEVE?

MEDITA, PRONUNCIA E ESCREVE?

E PROCEDE  COMO SENDO AMIGO?

 

                               PALAVRA QUE  DECIDE AS AÇÕES,

                               QUE  REGULAM OS ATOS  DA VIDA.

                               QUE DEFENDE A CAUSA PERDIDA,

                               E SUPLICA PERDÃO AO MAL FEITO.

É COM ELA QUE SE BUSCA UM JEITO,

EM DEFESA DO INTERESSE DA GENTE.

O PASSADO ENTREGA AO PRESENTE,

FEITOS E  FATOS DA NOSSA HISTÓRIA.

PERTPETUANDO OS FEITOS E A GLÓRIA,

PARA GERAÇÕES QUE ESTAVAM AUSENTE S.

                            

INSTITUTO QUE  CONFORTA  OU DESPREZA,

.DITA A PAZ  E ORIENTA PARA A GUERRA.

PRONUNCIANDO-A, SE ACERTA E SE ERRA.

É UMA ARMA  DE  GRANDE  POTÊNCIA.

FERE E MATA SEM NENHUMA CLEMÊNCIA,

OS ATINGIDOS PELA SENTANÇA APREGOADA.

MUITAS VEZES POR MAL  INTERPRETADA,

CONDENAM INOCENTES POR VIA INDIRETA.

CONOTAM  VALORES  VISANDO UMA META,

QUE TEM O SENTIDO DE UMA PEDRA JOGADA.

 

COMPONENTE  AUDAZ QUE  PROJETA,

A PROPOSTA E  REVELA A  INTENÇÃO.

O DESEJO QUE PEDE O USO DA RAZÃO,

CÁLIDA BUSCA DO  SONHO QUE É  SEU.

ENSINA O QUE  SABE  COMO APRENDEU,

REPETE  VALORES EM TOM DIFERENTE.

REGISTRA  O FATO FATAL NO PRESENTE,

NO LANCE FIEL DA VISÃO  NO MOMENTO.

MANIFESTA DESEJOS DO SEU PENSAMENTO,

QUE JAMAIS PLEITEARIA SE FOSSE SILENTE.

 

ÍNCLITO  MANANCIAL DE  DISPONÍVEL,

SEMPRE ATENTO  A SERVIÇO DE ALGUÉM.

OS QUE VÃO, OS QUE  FICAM, OS QUE VEM,

REVELAM O TOM DO DESEJO  PENSADO.

                                               CÔNSCIOS DE TUDO  QUE FOI  PLANEJADO,

AMBICIONANDO  UM  MAIOR ESPLENDOR.

BENEFÍCIO SUTIL QUE DEPÕE A FAVOR,

DOS QUE  OUSAM USÁ-LA SUA SOLIDEZ.

ESTES SEMPRE  TEM VOZ  E  TEM VEZ

                         DESVIANDO DA ROTA  QUEM PEDE FAVOR.

                  

NÓS SABEMOS  QUE SOMOS IRMÃOS,

                       SOMOS TODOS DE IGUAL PROCEDÊNCIA.

É SABIDO E  ESTÁ NA CONSCIÊNCIA,

OS CRISTÃOS PARA  O PAI SÃO IGUAIS.

TANTO JOIO EM  POUCOS TRIGAIS,

PRETENDENDO  DESVIAR A FUNÇÃO.

NINGUÉM PÁRA NEM DIVIDE  SEU PÃO,

COM EXCLUÍDOS DA VIDA MATERIAL.

ESQUECENDO QUE TAMBÉM É MORTAL,

E ALGUM DIA PRECISARÁ DE PERDÃO.

 

 

                              

MINGUANTE DE MARÇO DE 2002

CALTARS – “TO”


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Cargarilhadas

                         

 

      No Rio Grande do Sul, o mês de setembro é privilegiado com as maiores cangarilhadas que se possa imaginar, acontece, até mesmo o inimaginável. E tudo fica por conta das comemorações da “Semana Farroupilha” e das homenagens aos heróis Farrapos.  E nestas homenagens  é que se observa e registra-se  o despreparo de alguns governantes, a bem da verdade, quase todos, porém, os que sabem que são despreparados buscam  assessoramento para  elaborar tarefas que envolvam atividades comemorativas e culturais. De forma semelhante procedem, os que gostariam de ser gaúchos, mas com pouco apetite para uma leitura referente ao assunto, sem buscar informações sobre quem é o que “ele” gostaria de ser e sem conhecimento. Desinformado, passa o “vivente” a praticar um excelente desserviço  a Cultura terrunha desta Querência. Os nossos hábitos e costumes são simples, exatamente como nós somos. Mas, para quem não os conhece e não busca informações sobre os mesmos, passa a praticar verdadeiras barbaridades, como por exemplo: usar peças da indumentária campeira em atividades sociais; usar peças  da indumentária do folclore histórico ou morto em acontecimentos contemporâneos; desvirtuar a função da faca, do pala, do chapéu, das esporas, do chiripá e de tantas outras. Assim é o nosso setembro. Pior do que isso também acontece em setembro. Difícil acreditar?  Então vamos analisar alguns aspectos do programa oficial de festividades setembrinas:  Tal dia, a tal hora, em  tal lugar – SHOW  GAUDÉRIO. Presume-se que nessa localidade a língua oficial seja o Português, pois é um município localizado dentro do Território Nacional.  Segundo nosso mestre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira,  “GAUDÉRIO”  é aquele que acompanha qualquer pessoa, abandonando-a logo para seguir outra.  Zeno e Rui Cardoso Nunes, em Dicionário de Regionalismo do Rio Grande do Sul, afirmam  que “GAUDÉRIO” – é pessoa que não tem ocupação séria e vive as custas dos outros, andando de casa em casa, parasita, amigo de viver às custas alheia.  Romaguera Corrêa diz: Vocabulário Sul-Rio-Grandense – GAUDÉRIO: gandulo, parasita, errante, sem dono, que vive nas casas alheias. Será que é mesmo  “show gaudério”? Imaginem vocês um espetáculo que começa num lugar e vai andando sem rumo, sem destino até encontrar outro  público para segui-lo. Se não for impraticável, pelo menos é muito engraçado, especialmente por ser programação oficial.  CULTO FARROUPILLHA: Maragatos e Chimangos. O Partido Farroupilha foi instalado no Rio Grande do Sul por Luiz dos Reis Apolin em 07 de abril de 1832. A  Revolução Farroupilha teve início na noite de 19 de setembro do ano de 1835, com  o Combate da Ponte da Azenha. Terminou com  a assinatura da Paz de Ponche Verde em 28 de fevereiro de 1845 e em 01 de março do mesmo ano Caxias declara pacífica a Província. A Revolução  Federalista nasceu do ressentimento do grupo Gasparista  (Gaspar da Silveira Martins – Federalista) apeado do poder em 1889, a quem Castilhos  (Júlio Prates de Castilhos – Republicano) negou qualquer possibilidade de composição ou transação política, assim como  a outras facções lideradas por Silva Tavares, Barros Cassal e Demétrio Ribeiro, as quais pelo envolver dos acontecimentos foram se incompatibilizando com os republicanos ortodoxos. com o ataque a D. Pedrito em 20 de fevereiro de 1893, estabelece-se o início da revolução que durou até 23 de outubro de 1895. Neste episódio é que surgem os Gasparistas, denominados Maragatos e os Castilhistas denominados pica-paus e  só mais tarde, Chimangos. As eleições de 1922 transcorreram  num clima de tensão e violência. Borges de Medeiros (PRR), sucessor de Júlio de Castilhos, é apontado  vencedor. Comprovada a fraude nas eleições, os Maragatos (PL), pegaram em armas no dia da posse  de Borges de Medeiros, (23/01/1923) e só voltaram a normalidade com o Pacto de Pedras Altas, em 14 de dezembro de 1923. Neste episódio, seguido dos de 1924, 1925 e 1926 é que se concretiza o epiteto de “Chimangos” aos  seguidores do Castilhismo e continuou com Borges de Medeiros. Desta forma observa-se que : Culto Farroupilha, nada tem a ver com Maragatos e Chimangos, pois  78 anos, os separam. Além do mais os objetivos Farroupilha apontavam para o Poder Central do Império. A Revolução Federalista, de 93 e a Assisista de 1923 foram conflitos locais, sem nenhuma conotação reivindicatória ou econômica.

CALTARS – “TO”

NOVA DE SETEMMBRO DE 2007.


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