quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Arquivos do mês » julho, 2008

Lembranças

 

 CHEGOU DESPACITO E FICOU,

NAS PLAGAS COMO SEU DONO.

ERA LINDO VER O ENTONO,

DO PIÁ, DO MOÇO, DO TAITA.

POR ENTRE ACORDES DE GAITA,

E SUA MENTE PREVILEGIADA.

SE CONSAGROU NA PAYADA,

E COMPOSIÇÕES MISSIONEIRAS.

DESFRALDOU ESTAS BANDEIRAS

ORGULHA DA GAUCHADA.

 

 

DECLAMOU PAYADAS E ESCREVEU,

COM BRIO, TALENTO E VISÃO.

POIS, “DE FOGÃO EM FOGÃO”,

PASSOU A QUERÊNCIA PAMPEANA,

MONARCA DE ESTILO BUERANA,

LOGO VEM “GALPÃO DE ESTÂNCIA”,

COM MAIS RECHEIO E SUBSTÂNCIA,

“POTREIRO DE GUACHOS”, APARECE.

“VOCABULÁRIO PAMPEANO”, É PRECE;

E DÁ INFORMAÇÕES EM ABUNDÂNCIA.

 

 

SUAS OBRAS SÃO MANANCIAIS,

DA NOSSA CULTURA GAUDÉRIA.

CADA QUAL DELAS, MAIS SÉRIA,

AO ESTILO DE SEU AUTOR.

NA TRADIÇÃO FOI DOUTOR,

FOI TAPEJARA EM REPENTE.

PARA OS QUE ESTIMAM O PAGO.

NÃO FOI POR FALTA DE AFAGO,

QUE HOJE SE ENCONTRA AUSENTE.

 

 NÃO HÁ RINCÃO QUE NÃO TENHA,

ALGUMAS DE TUAS POESIAS.

ESCREVER SEMPRE PODIAS,

SEM MEDIR DIFICULDADE.

COM ORGULHA E SEM VAIDADE,

ABRISTE MUITOS CAMINHOS,

FLORIDOS E SEM ESPINHOS;

PARA QUEM PEDIA CARONA.

A SORTE NÃO ABANDONA,

OS QUE CONSEGUEM PADRINHOS.

 

BONDADE TINHA DE SOBRA,

E PREPARO MAIS QUE O PRECISO.

JAMAIS CALCULOU PREJUÍZO,

DOS DOTES E DO QUE FEZ.

CADA UM TINHA SUA VEZ,

NA SENSATEZ  DO COMPANHEIRO.

DA VARANDA PARA O TERREIRO,

BUSCAVA O CAMINHO ASTUTO.

NUNCA HAVERÁ SUBSTITUTO,

PRA  O PAYADOR MISSIONEIRO.

 

MIL GRACIAS. TE AGRADEÇO,

EM NOME DOS QUE AQUI ESTÃO.

QUE TE RECEBE, O PATRÃO,

E TENHAS LUGAR DE DESTAQURE.

POIS NÃO SE MUDA O SOTAQUE,

DO QUE FIZESTE E AQUI FICA.

SÓ TU MESMO JUSTIFICA.

FOSTE TAITA SEM SER MAU,

JAYME CAETANO BRAUN,

O RIO GRANDE TE GRATIFICA.

 

NA MISSÃO DE DAR CIÊNCIA,

SE OPUVE, SE VÊ E SE ESCREVE.

SEM A INTENÇÃO  DE SER BREVE,

NEM  CISMA DE SER EXTENSO.

É PRÁ REGISTRAR, O QUE PENSO

SOBRE A PERDA DESTE VALOR;

QUE DEDICOU TANTO AMOR

ÁS GENTES E A TERRA NATAL.

REGISTRA A “VIDA REGIONAL”,

SAUDADES; DO POETA PAYADOR.

 

 

                                 MINGUANTE DE AGOSTO DE 1999.

                                 CALTARS  -  “TO “

 

 

 


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O Cavalo

 

 

 

 

                                   No ciclo do gado o animal favorito não é o novilho, o boi ou a vaca, mas o cavalo. Nessas regiões o bom cavaleiro e título acima de todos. Ter cavalo e andar a cavalo era título de elevação social, refletindo a pura tradição jurídica das “ordenações do reino”. ( Livro V, tit. CXXXVIII,) Nas justificações para familiar do Santo Ofício, o montar a cavalo era elemento de valimento real. O cavaleiro não tinha o seu cavalo próprio para a guerra, perdia a dignidade e a exceção  da julgada com que seus bens eram honrados. O cavalo era a   explicação para aproximar-se do rei e fazer-se notar no combate. Começava a usar armas defensivas, o escudo, a loriga, a cota e o elmo reluzente. Assim  nascia um fidalgo. A honra do cavaleiro era o cavalo. O cavalo era do cavaleiro e somente montado por ele. Era uma distinção notável o empréstimo a um amigo ou  visitante ilustre. Comentava-se no lugar o ocorrido, digno de registro oral. Inúmeros privilégios do cavaleiro medieval resistiram os tempos, atravessaram os séculos e chegaram até nós, especialmente ao gaúcho. Sabe-se que segurar o estribo para que alguém  monte é altíssima homenagem até hoje. (Lembremos o Imperador Henrique IV  segurando o estribo em Canossa para que o Papa Gregório VII montasse sua mula  - 1077 ).  Conservar ou não esporas dentro de casa indicava o grau de amizade com o fazendeiro. Em determinadas regiões era lícito adentrar nas residências com o chapéu na cabeça, mas sem esporas. Nas residências amigas verificava-se o contrário. As esporas dos cavaleiros, tinindo, arrastando no piso das residências, anunciava-se o companheiro, o irmão, o par, o igual, mas sem chapéu na cabaça. Muitos fazendeiros não permitiam, assim mesmo que seus escravos, capatazes, peões e filhos menores, usassem duas esporas. Podiam usar apenas uma, em qualquer calcanhar, mas apenas uma. Quando os filhos menores casavam ou deixavam de ser imberbes, então adquiriam o direito de andar com as duas esporas, até mesmo na estância do pai. Estes hábitos, sobremaneira, respeitadas as proporções, continuam vivos na vida sociocultural do gaúcho. Observa-se que o gaúcho – estamos nos referindo ao GAÚCHO, não aos travestidos de gaúcho ou gaúchos por conveniência – jamais cumprimenta uma pessoa de chapéu na cabeça, também não é usual entrar ou usar chapéu no interior de residências ou locais cobertos. Imaginem, se naquele tempo já existia respeito ao semelhante, porque será que esse respeito não permaneceu juntamente com os hábitos sadios que viraram séculos. O leitor sabe me dizer?

 

 

 

NOVA E NOVEMBRO DE 1998

CALTARS – “TO”.


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Gado

GADO

 

            Uma das riquezas brasileiras,  em especial do Rio Grande do Sul, é o gado. Fonte de alimento para suprir necessidades proteicas da população, que foi envolvida pela cultura  sulina de ter como prato principal, o churrasco. Muito embora o churrasco não seja privilégio nativo do  Rio Grande do Sul.  A História nos informa que 900 anos a. C., Homero descreve uma festa que Aquilles oferecera a Ájax e, nesta  descrição consta o churrasco assado em espeto ao calor do fogo, fato, segundo a citação, assistido por Pátroco. Quando a senhora Ana Pimentel, esposa de Martim Afonso de Souza, donatário da Capitania de São Vicente, importou de Portugal em 1534, algumas cabeças de gado, talvez não imaginasse que se propagaria ate Piratininga, para dessa localidade, algumas serem transportadas para Assunção, no Paraguai, pelos irmãos Cipião e Vicente Gois por determinação do Capitão espanhol Juan de Salazar de Espinñosa, que em 1555 regressara para aquela localidade de onde viera. Os irmãos Gois conduziram até a Capital do Paraguai sete vacas e um touro, as tradicionalmente chamadas  “vacas de Gaete”.  O Paraguai aumentou cosideravelmente seu rebanho com gado procedente do Peru. No ano de 1634 o Pe. Cristóvão de Mendoza Y Orellana acompanhado de índios Guaranis, chefiados pelo  morubixava Guaiamica tropearam do Sul do Paraguai para o Noroeste do Rio Grande do Sul, mil e quinhentas cabeças de gado, com a finalidade de  abastecer as primeiras Reduções do  período inicial 1626.  Esta tropa foi distribuída por quinze povos, cada um recebeu noventa e nove vacas e um touro. Desta forma  realizou-se a primeira tropeada na nossa Querência, dando início ao tropeirismo e, imediatamente o tradicionalismo, as lides, o manuseio do gado nos criatórios fez com que aumentasse, consideravelmente o número de rezes até surgirem grandes rebanhos, a maioria chimarrão, os quais formavam as Vacarias dos Pinhais, quando em pleno desenvolvimento foi assaltada por bandeirantes paulistas levando grande parte do gado. Os jesuítas  arrebanharam o que sobrou e rumaram para o Sul,  lá constituindo as Vacarias do Mar. Novamente foram devassados por preadores.  .Sem desistir do empreendimento, constituíram a Estância do Yapeyu (japeju), o que alguns autores consideram  Vacarias do Uruguai. As vacarias eram consideradas bem comum “avambaé”, funcionavam como  cooperativa, procedimento que os jesuítas aculturaram  e aperfeiçoaram dos Guaranis onde todos trabalhavam  em prol da comunidade. As vacarias tiveram grande expansão até o Tratado de Madrid, em 1750. Portugal entrega a Colônia do Sacramento para a Espanha e esta entrega a Portugal os Sete Povos, tendo este procedimento desmobilizado o trabalho comum dos tuxauas guaranis ficando o gado  ao bel-prazer dos faeneros, dos preadores, e mais tarde dos  changadores constituídos por  gaudérios], desertores, índios, charruas e outros. Mesmo assim muitos hábitos continuaram  ativos, tais como o emprego das boleadeiras, do laço, do xiripá e tantos outros. Destes, os mesmos hábitos passaram para os portugueses que entregaram aos imigrantes, que os adequaram as necessidades hodiernas para uma produção mais apurada, com menor esforço e maior produtividade. Esta minúscula informação, sobre a origem do gado no Rio Grande do Sul que exigiu a presença do ofício de tropeiro, não pode desconhecer a participação  de Francisco de Souza Faria que em 1727  começou abrir um caminho  denominado estrada dos conventos que diminuiria consideravelmente a distância entre a Colônia do Sacramento e o povoado de Laguna que consumia  setenta adias.  A estrada dos Conventos iniciava na foz do Ararangua e subia até onde o atual município de Lajes. Este empreendimento não chegou a ser concluído.  Mais tarde, o  jovem lusitano Cristóvão Pereira de Abreu  em 1730 -32  com o auxilio do Padre-Mestre Diogo Soares, cartógrafo mandado pelo  Rei para mapear  a região, conseguiu concluir a Estrada dos Conventos que ligava os Campos de Viamão a Lajes e  por ela  começaram tropear castelhanos, preadores e tropeiros. Inclusive o próprio Cristóvão Pereira em 1732  conduziu uma tropa  composta de aproximadamente, de três mil animais, até  a feira de Sorocaba em São Paulo. Por ordem de Gomes Freire de Andrade, o tropeiro Cristóvão Pereira  de Abreu abriu o caminho das tropas para as Missões ligando Laguna a região missioneira pelas localidades de  Bom Jesus, Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo,  Carazinho, Cruz Alta e Palmeira das Missões. Estes  pioneiros da lida com o gado deixaram para nossos estancieiros a marca da persistência e bravura. Hoje com a evolução tecnológica, o manuseio de animais é  completamente diferente do daqueles tempos, mas se não fosse todos estes acontecimentos não estaríamos realizando projeções folclóricas e tradicionais nas nossas Festas Campeiras, promovidas e preservadas pelo Movimento Tradicionalista do rio Grande do Sul.

 

NOVA DE ABRIL DE 2008.

CALTARS – “TO”.


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Tirador

 

 

 

                        O tirador é uma peça da indumentária campeira, a qual, segundo o professor Antônio Alvares Pereira Coruja, é  uma peça de couro sovado que os laçadores põem ao redor da cintura quando laçam a pé; serve para  amparar as ilhargas ao laçador quando estica o laço. Também é usado para pealar com as mesma finalidades, isto é proteger o usuário do tirão do laço. Sobre esta peça as  referência que  primeiro aparecem  na querência de São Pedro m são de Jean-Baptiste Debret, refere-se a um pedaço de couro pendurado na cintura que faz parte de seu costuma. Nicolau Dreys, quando aqui esteve, (1820) também  faz referência ao tirador: ‘ os gaúchos usavam por cima do chiripá, o cingidor, pedaço de couro que destinava-se a proteger a perna da fricção do laço. O tirador, sendo exclusivamente uma peça da indumentária de serviço, com o passar do tempo sofreu modificações quanto ao seu formato, dimensão e uso, porém, sempre como traste de atividades campeiras.  Os campeiros destros usam o tirador na lado esquerdo, quando estão a pé, quando estiverem montados e vão desempenhar atividades com o laço, passam o tirador para o lado direito, agora com a função de proteger a roupa contra o atrito dos rodilhas do laço. O tirador, também sofreu um processo de adaptação e funcionalidade, na fronteira, nas missões, planalto, serra e Bagé, cada  uma dessas regiões o tirador adquiriu  um tipo, porém com a mesma finalidade, sempre para proteger as vestes  e os membros inferiores do usuário. O tipo de tirador mais usado na fronteira é  retangular, com flécos curtos e somente na parte inferior com dois reforços nos cantos superiores de onde saem tiras de couro para prendê-lo à cintura, seu comprimento atinge, mais ou menos, a boca do cano da bota. O tirador usado na região missioneira é muito semelhante ao da fronteira, também de formato retangular, com flécos curtos, reforços nos cantos superiores e preso a cintura com um cinto com fivela, uma espécie de guaiaca. Na região do planalto  o tirador  apresenta-se com a parte inferior de forma arredondada, como se fossa um retângulo, porém,  os cantos inferiores arredondados com flécos em toda sua volta, menos na parte superior  onde prende uma tira de couro para ajustar à cintura do usuário. Na serra o tirador também, apresenta-se em forma retangular, com reforços nos cantos  superiores onde prende uma tira de couro para fixá-lo à cintura, flécos longos, quase metade do cumprimento do tirador,  somente na parte inferior da peça, e, o tipo tirador usado na região de Bagé um couro retangular, semelhante a todos os outros quanto ao comprimento, ultrapassa levemente a boca do cano da bota, cantos superiores reforçados onde fixa tiras de couro para ajustar à cintura, este é o único tipo que não tem flécos. Em síntese estes são os tipos de tirador que o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore apresenta aos gaúchos interessados em conhecer ou usar esta peça da indumentária campeira. O tirador é uma peça que só se usa em serviço, portanto, não é recomendável e nem tradicional que nela o gaúcho pinte ou aplique desenhos ou letras.  Também  não é tradicional nem recomendável o seu uso em atividades sociais, tais como fandangos, festas religiosas, almoços e jantas em locais coberto, em síntese: não se usa tirador em toda e qualquer atividade social.  O tirador é usado em  atividades campeiras ou qualquer   outra atividade eqüestre, porém, é lógico seu usuário há de ter conhecimento e perícia  com o manejo do laço.

 

MINGUANTE DE JUNHO DE 2004

CALTARS – “TO”


Farrapo

Foram chamados Farrapos,

Os Farroupilhas – Republicanos.

Defenderam por quase dez anos,

A Pátria, a nação, a liberdade.

Lutaram para diminuir a vaidade,

E a gana voraz do império,

que não administrava sério,

A  Província Rio-Grandense,

Muito embora alguns pensem;

Que usavam o mesmo critério.

 

Brasileiros de respeito,

Honestos, bons e leais.

Extensão dos ancestrais,

Pacíficos como criaturas,

Guerreiros pela bravura,

Vaqueanos por conhecimento.

Rio-Grandenses de nascimento

E quem não era nato ficava,

Pela proposta que ecoava,

Um total descontentamento.

 

O movimento se instala,

No sangue nativo e Pampeano.

Temperado pelo Minuano

Com cheiro de liberdade.

Varrendo campo e cidade,

Em busca de um direito,

E pelo que não foi feito,

Nesta província sem dono.

Pois era total o abandono,

E os presidentes sem pleito.

 

 De partido a movimento, e deste à revolução,

Bravos farrapos iniciaram a busca ideal.

Contra o poder e o desmando imperial,

Bento Gonçalves e Canabarro arquitetam,

Souza Neto e Teixeira Nunes, completam,

Com as tropas nativas e batalhas sem fim,

Garibaldi, Onofre  Pires, com Gomes Jardim,

Acompanham Almeida e Mariano de Matos,

Bernardo e Marciano se inteiram dos fatos

Sob o som e  ordem de um mesmo clarim.

 

O encontro da Azenha, foi o marco inicial

Entrada em Piratini e tomada de Rio Pardo.

A derrota em Rio Grande foi um fardo,

Para a brava e insipiente tropa caudilha.

Restaurando Porto Alegre, Seival foi a trilha,

Da república almejada na província pampeana,

Alegria Farrapa, com  imperiais na campana.

Na batalha do Fanfa, prendem, Tito e  Bento,

Ficaram os farrapos num desolado lamento,

Até a fuga do Forte feito  a nado e chalana.

 

   A tomada de Lages; capital em Caçapava.

  Garibaldi transporta o Rio Pardo e  Seival.

  Em campos Rio-Grandenses a Armada Naval.

 De Patos ao Tramandaí vão os barcos em coluna

 República Juliana e tomada de Laguna.

 Combate do Taquari, indeciso sem sorte,

 Muito frio, pouca pilcha e difícil transporte

 Porto Alegre é titulada “mui leal e valorosa”,

 O assassinato do vice desmoraliza a gloriosa,

  E o duelo dos tauras culmina  com morte.

 

Caxias assume o comando das tropas.

Com poder, recurso, mais um bom arsenal.

Alegrete aparece para sediar  a  capital.

Ponche Verde é combate,  resultado indeciso

A revolta enfraquece pelo grande prejuízo.

Legalistas dominam a Província em chama.

O massacre em Porongos mais sangue derrama.

Quaró é o combate que  dá fim ao almejado;

Sem arma, sem poncho, as vezes mal montado.

A paz em Ponche Verde, é Caxias quem  proclama.

 

 O ideal dos farrapos custou vidas preciosas.

Nuca foi atingido por motivos pessoais,

A miséria e o cansaço, antagoniza os rivais.

Assinatura da Paz, Ponche Verde é marcante.

Aos coronéis e guerreiros o Império garante

Os  seus postos e alforria aos escravos libertos.

Liberdade aos prisioneiros em destinos incertos.

A república, e os anseios:  não puderam alcançar.

Resistiram o que deu. Não conseguiram agüentar.

Sonhos desfeitos, miséria presente interesses encobertos

 

                                      CHEIA DE AGOSTO DE 1999.

                                      CALTARS – “TO”.

 

 

 

 


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Verde e Amarelo

Em conferência realizada na Liga de Defesa Nacional, a 18 de setembro de 1930, o Dr. Francisco Pereira Lessa  sustente que a simbologia exata das cores verde a amarela se acha presa à heráldica, pois D. Pedro pensou dotar o Brasil com a cor verde, cor de sua Casa Real de Bragança; e o amarelo, a cor da Casa de Habsburgo – Lorena de Áustria, de onde provinha sua primeira esposa, a Arquiduquesa Dona Leopoldina.Diz o conferencista que o “ Barão de Marechal, secretário da legislação austríaca e que aqui ficara, como agente diplomático, em seu ofício a Metternich, de 27 de setembro de 1822, dando ciência dos graves acontecimentos que se sucederam no Brasil,fala também que o Príncipe trazia um  laço verde sob um ângulo de metal  dourado, no qual estava gravado INDEPENDÊNCIA OU MORTE! Ainda mais,  no dia 15,aniversário da Revolução de Lisboa , não foi esta celebrada, e a tropa, os funcionários públicos e o povo arrancaram, abruptamente, o laço das Cortes, trazido ao braço esquerdo, substituindo-s, então, pelo verde, couleur de La Maison de Bragance” Quanto a escolha de cor amarela, diz Pereira Lessa: Depois, porém, da publicação do Arquivo Diplomático da \independência, valioso subsidio fornecido pelo  Ministérios das Relações Exteriores ainda mais nos convencemos de que a cor amarela fora escolhida por d. Pedro, pela  exposição feita por Antonio Teles da silva Caminha e Meneses, depois Marquês de Resende, e nosso agente diplomático em Viena, em seu oficio de 29 de setembro de 1823, a José Bonifácio da Andrade e Silva, relatando como descrevera a Bandeira Imperial a Metternich, o que significava as estrelas no escudo imperial – as suas províncias – e os demais componentes da Bandeira, expondo igualmente o motivo e significação das  cores verde e amarela; a cor verde, por ser esta a da Casa de Bragança; e a amarela, a da Casa de Lorena, de que usa a Família Imperial da Áustria.” D. Pedro tinha a intenção de proclamar-se rei do Brasil, e isso é patente no timbre  que deu às armas Nacionais, em 18 de setembro de 1822. Nessa data, foi baixado o decreto que criou as Armas e a Bandeira do Brasil, não somente com o verde, e, sim, com verde e o amarelo.

 

NOTA:           

            A casa de Bragança procedia de D. João I, mas de D. João I antes de rei e simples mestre da \Ordem de Avis ( A Herculano – Opúculos, III, p.167) Esta casa reinou em Portugal desde 1640 até 1910. O primeiro Duque de Bragança foi D. Afonso, 3o. Conde de Barcelos, filho de D. João I, e que desposou, em 1401, D. Beatriz, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira. Desde logo, a Casa de Bragança foi rica e poderosa, e, quando entrou na posse dos imensos haveres do condestável, passou a ser mais opulenta casa fidalga de Portugal Na carta de D. João VI, de 27 de outubro de 1645, elevando o Brasil à categoria de Principado, o título de Duque de Bragança passou a pertencer aos filhos primogênitos dos reis de Portugal, e isto foi observado até a queda da Monarquia, em 1910 A cor verde lembra, ainda, uma tradição remotíssima de nossos antecedentes políticos, pois, além de ser a cor característica da Casa de Bragança, desde a sua fundação, era, também, o matiz do estandarte da destemida e famosa Ala dos Namorados, que constituía a vanguarda do exército lusitano, na Batalha de Aljubarrota. A cor verde recorda ,também, o dragão verde que figurava na bandeira dos lusitanos, anteriormente o pavilhão instituído em 1097. Segundo as velhas crônicas, os antigos lusitanos arvoravam  uma bandeira quadrangular, branca, no meio da qual se via um dragão verde, cujo símbolo permanece, até nossos dias, na bandeira dos dragões da Independência Recorda o protomártir de independência,Tiradentes, denunciando no mesmo ano em que Paris inaugurava a regeneração humana. ( Os sitiantes da Bastilha tiveram por emblema folhas verdes, arrancadas às árvores do Palais Royal) Lembra a nossa natureza viridente, a nossa primavera constante, a nossa riqueza agrícola  “ Caracteriza a Esperança, ao mesmo tempo que indica a Paz, duplo título para simbolizar a atividade pacífica”. A cor  amarela além de ser a cor característica da Casa de  Lorena, lembra, também, “a fase da mineração do ouro, nos tempos coloniais, que tanto incrementou o povoamento  do Brasil e, assim, determinou a sua prosperidade”, bem como a nossa riqueza mineral, as nossos regiões auríferas.


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Origem da Palavra Gaúcho

 

                                   Denominação gentílica dada aos filhos do Rio Grande do Sul. “El  Gauchos”, são chamados os camponeses do Uruguai e de parte da Argentina, o que mostra a força de um povo sem fronteiras. Sem fronteiras porque na época das Vacarias, o gado era criado solto, sem cercas, sem aramados e os hábitos do pampa eram semelhantes para os portugueses (brasileiros), índios, uruguaios e argentinos. A denominação “Gaúcho” nasceu no seio dos grupos de gaudérios errantes, mestiços, charruas, guaranis, minuanos, jarros, preadores, changadores, desertores, mesclados com as chinas dos ranchos. A palavra “GAÚCHO”, não tem uma origem segura, cientificamente comprovada. Para o escritor Aurélio Porto, o termo vem de “GUAHU”, do Guarani, canto triste ou uivo de cão, e “CHE”, do Quichua, gente. A definição para o historiador é: homem que canta triste. O grande líder missioneiro, Pe. Antonio Ruiz de Montoya, em seu vocabulário da língua guarani, define “GUAHÚ”, como canto dos índios. A vida naqueles ermos, levava os mestiços e índios a afeiçoarem-se por um canto triste. O professor uruguaio Boaventura Cavaglia afirma que a palavra é originária de “GARROCHA”,  espécie de foice que os  Minuanos e Charruas usavam para cortar o jarrete (desjarretear) ou perna dos bois para vender o couro e o sebo e, mesmo dos potros, para fazer as botas  garrão-de-potro. A palavra  ainda foi pronunciada  “GARRUCHA”, primitiva lança indígena, que, mais tarde, daria nome a uma espécie de arma de fogo. FERNANDO ASSUNÇAO defende a hipótese  da palavra ser de origem  francesa  “GAUCHE”, pronuncia-se “GÔCCHE” e,  significando esquerdo, coisa errada ou que não é direito. “GAÚCHO”, do árabe “GAUCH”, proveniente do persa “GAUCHI”, que quer dizer boizinho, formado de “GAU”, boi, vaca; mais “CHI”, sufixo diminutivo, e, que por sua vez, veio do sânscrito “GAÜH, ( boi, gado vacum); este por seu turno, é  oriundo  da  raiz  indo-européia “GWO,   GWOW “( GWO – GWOW),boi, vaca. Evoluindo,  chegou ao castelhano antigo “CHAUCHO”, com sentido equivalente do árabe “CHAÚCH”, de “CHAUOÚCH”,  que significa tropeiro, a par de  “GAUCHE”, este que se documentou primeiro ( Sec. XVIII). Foi também, ao que nos parece, a primeira transcrição árabe na forma genitiva, seguindo-se-lhe a nominativa, que prevaleceu “GAÜCHO”. ( D. Daniel Granada, Vocabulário Rioplatense Razonado – de d; Emílio Daireaux – Vocabulário Sul-Rio-Grandense de Rui e Zeno Cardoso Nunes). O que realmente podemos afirmar é que  “GAÜCHO”,  definiu-se nas Vacarias do Mar, em território que hoje está dividido entre o Rio Grande do Sul (Brasil) e a República Oriental do Uruguai, nas primeiras décadas do  século  XVIII,  entre 1730 a 1750. A primeira vez que essa palavra aparece escrita é em castelhano, em carta de D. Pablo Carbonel a um comandante de fronteira. No Uruguai, escreveu de Maldonado para D. Vertiz Y Salsedo, em 1771, grafado “GAHUCHOS”. A segunda vez esse termo aparece escrito em documentos uruguaios, no século XVIII. Manoel Cipriâno de Melo, segundo comandante da aduana de Montevidéu, após expedição às fronteiras do Uruguai, descreveu um breve informe: “Os dezoito presos que compreendem esta relação são GAÚCHOS vagos que foram presos por vadiagem”. Parada de San  Nicolás de Cerro Largo, 24 de março de 1791. A primeira crônica  sobre o gaúcho, sobre o gaudério foi escrita em 1773 por Concolocorvo. Porem, em português quem primeiro gravou a palavra “GAÚCHO” foi D. José Saldanha, em 1787, e escreveu ‘GAUCHES”, o  “E”,   segundo ele foi erro de tipografia pois na verdade, ele escreveu “GAÜCHOS”. Estes que chegaram na querência com procedência de alem mar, miscigenaram as raças para construir um tipo apegado a terra, ao trabalho e ao progresso que, mesmo sem conhecerem certo sua origem , sabiam o que queriam e, o tempo fez com que o termo, antes pejorativo  fosse com orgulho ocupar o lugar do gentílico.

 

CHEIA DE NOVEMBRO DE 2004.

CALTARS – “TO”


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Faca

                        Informa-nos a Academia Brasileira de Letras que, faca é um instrumento cortante formado de uma lâmina, relativamente curta e um cabo de madeira, chifre, metal ou qualquer outro material que desempenhe a função. Os dicionaristas descrevem este objeto como sendo “instrumento cortante constituído de lâmina e cabo”.  A faca, como tantos outros objetos, também  foi contemplada com inúmeros epitetos, tais como: chavasca, biguana, carneadeira, língua de vaca, língua de chimango, prateada, aparelhada, xerenga, ferro branco, arma branca, faca de rasto, etc. Este instrumento apresenta-se  de várias  formas, cada uma afeiçoada a  proposta e as particularidades funcionais  para seu uso e desempenho. A faca apresenta-se na cozinha como utensílio, no preparo e aperfeiçoamento dos ingredientes  necessários à arte culinária. É ferramenta primordial do guasqueiro,  que corta e desquina o tento para trançar apeiros de montaria, cordas, laços; confeccionar maneadores, ou qualquer outro artigo que tenha  como matéria prima na sua constituição, o couro. Companheira fiel do campônio  nas carneações, nas castrações, nas lidas de campo. Quando no desempenho dessa atividade, por vezes, se faz necessário cortar uma corda, para evitar  um acidente ou salvar um animal; para consertar  um apeiro ou sangrar uma rês que se quebrou. Nas regiões coloniais, a faca participa  das atividades agrícolas, para  falquejar  um canzil, para auxiliar em pequenos consertos, para sovar a palha e picar o fumo na feitura do palheiro; é ainda ferramenta primordial na colheita e no preparo de rações para  os animais piqueteiros ou de estrebaria. Na lúdica, marcou presença confeccionando bodoques, arcos, flechas, cavalos de pau e outros brinquedos de madeira. É protagonista  no jogo de tejo,  na dança  dos facões e  da faca  maruja. Esta faca utensílio, ferramenta, este objeto que  colabora  em diversas atividades, prestando incomensuráveis serviços, quando usada no trabalho, é considerada ferramenta. Por outro lado, pode se transformar numa terrível arma, quando implantada na ponta de uma vara ou taquara servindo como lança para defender os interesses deste chão. Muitas vezes foi usada desta forma. A faca, ferramenta de trabalho, também desempenhou tarefas malignas e destruidoras, nas mãos dos incautos,  covardes e assassinos degoladores  que sacrificaram vidas,  sob a égide de uma facção política predominante na época, que defendia uma filosofia tétrica, enigmática e  tendenciosa.  Observa-se que a faca é usada como ferramenta e, a mesma faca ferramenta, também pode ser  usada como arma. A exemplo disso             lembramos com pesar, os inúmeros delitos praticados através desse instrumento. O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, para melhor orientar seus filiados,  normatizou no seu Regulamento Geral, ( Art. 272 – Em bailes, fandangos e outras atividades sociais, especialmente em recintos fechados, é vedado o uso de armas, chapéu, esporas, boleadeiras, tirador e outros utensílios campeiros. Parágrafo Único – Aplica-se o disposto neste artigo também para os conjuntos musicais.) Imaginem os senhores, a dificuldade que os dirigentes do M TG/RS  enfrentam para disciplinar o procedimento social dos filiados, normatizaram a norma, isto é, trouxeram para o bojo do seu Regulamento Geral, o que preceitua a Lei Penal Brasileira Dlei nº3.688 de 03 de outubro de 1941, publicada no DOU de 13 de outubro de 1941. ( Art. 19 -  Trazer consigo arma fora de casa ou dependência desta, sem  licença da autoridade.) Pasmem os senhores, com tudo isso, com todas essas informações, é comum em qualquer querência deste Rio Grande abençoado, contemplarmos patrões, peões farroupilha, associados, etc., portando faca dentro dos CTGs. Pessoas estas, de projeção administrativa e cultural  das entidades tradicionalistas, exatamente as que têm obrigação de dar exemplo aos demais. Será que precisamos dizer que o galpão “símbolo”, sofreu um processo de socialização  e hoje, o C T G  é tão-somente um local, onde  se desenvolvem atividades sociais e culturais, portanto ,alheias as atividades com uso de faca. Ah. . . sim! O flébil pretexto:  para cortar o churrasco. . . Esqueceram-se, os gaúchos de ensaio, que o churrasco servido à mesa deve ser cortado com  o talher que lhe disponibilizaram. Quando o churrasco  for a campo, espeto cravado no chão, aí sim, podemos normalmente, segurar com os dedos polegar e indicador, um pedaço de carne e “passar a faca”.  Ainda poderão os oniscientes argüirem em defesa da imagem do centauro dos pampas, o qual sempre foi visto portando faca. É verdade, porém, sempre no desempenho de atividades campeiras ou dentro das suas propriedades.  Será que ainda há necessidade de informar que a faca não faz parte da pilcha social? Que só é permitido o uso da faca em atividades campeiras e, dentro dos CTGs,  estas atividades não se realizam. Ilustres senhores, responsáveis pelo zelo da cultura Rio-Grandense, nós não somos obrigados a normatizar procedimentos, mas se o fizermos, devemos cumpri-los, sob pena de sermos taxados de, na melhor das hipóteses, sibilinos e, isto não deve acontecer com um  Movimento  altiloqüente igual o nosso.  ou deve?

 

MINGUANTE DE NOVEMBRO DE 2004

CALTARS – “TO”.

 


Mala-de-Garupa

                                                   A modernidade, sobremaneira, coloca algumas pessoas em situações desagradáveis, com todo respeito, quero acreditar que seja por desinformação. Vamos analisar um procedimento que alguns “gaúchos”, normalmente, quando participam de reuniões ou festas promovidas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, digo pelo MTG, porque sendo promovida por qualquer Instituição Tradicionalista filiada ao Movimento, a ele está representando. O nosso dicionarista  Caldas Aulete informa: “mala, saco de couro, lona, madeira, oleado ou pano, fechado ou não com cadeado ou chave, em que se leva roupa em viagem,  papeis ou outros quaisquer objetos”. Refere-se ainda ao Rio Grande do Sul quando cita: “mala-de-garupa,  espécie de alforje que  se põe na parte superior do lombilho ou do serigote”.  A mala-de-garupa, no Rio Grande do Sul segundo descrição de Rui e Zeno Cardoso Nunes não difere do  Vocabulário Sul-Rio-Grandense de Romangera Corrêa e  outros informa que é um “pequeno saco com uma abertura longitudinal no centro, que se carrega na parte posterior do lombilho ou serigote, à guisa de alforjes, por baixo dos pelegos”.  Agora sabemos, o que é uma mala-de-garupa.  Serve para transportar gêneros de um lugar para outro. Era usada quando o camponês comprava determinados produtos na “venda”, hoje supermercado e transportava para a sua residência na parte posterior interna do lombilho, sob a badana e os pelegos. Esse é o local destinado ao uso da mala-de-garupa. Com o passar do tempo, as vilas e cidades foram abrigando a maior parte dos camponeses. As carruagens foram tomado o lugar das montarias e o veículo automotor substituindo aquele meio de transporte e a maneira de transportar  as mercadorias também foi se afeiçoando a nova realidade e este objeto, mala-de-garupa, passou a fazer parte do Folclore Histórico. Portanto,  mala-de-garupa é para quem se desloca a cavalo e, não no ombro dos que andam a pé e em  determinados locais que não recomendam o uso desse objeto. A mala-de-garupa é para transportar mercadorias da origem destas, para a garupa do cavalo e daí para o local que se destinam. Não conhecemos nenhum registro de alguém portando mala-de-garupa no ombro em um culto religioso. O local não é adequado ao uso desse objeto. Vamos fazer uma comparação elementar, tosca e até, sobremaneira agressiva, pode ser que assim os usuários desse desatualizado objeto consigam ter noção do onde e como devem usá-lo. Que tal comparecermos a um espetáculo no teatro São Pedro, usando um guarda-chuva aberto e assim assistirmos a sessão? A mesma inconveniência cultural causam os que usam peças ou objetos fora da proposta de sua finalidade. Existem poucas coisas mais ridículas do que uma pessoa usar indumentária, peça de  indumentária, objetos, adereços ou seja lá o que for, fora da proposta e da finalidade que se propõem. Quem usa um  “traste” em local  inadequado e alheio à sua finalidade, não fica mais nem menos gaúcho, tão-somente demonstra  o índice do seu conhecimento.

 

                        CRESCENTE DE JULHO DE 2007

                        CALTARS –  “TO”


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Guaiaca

                              Guaiaca, termo que  aculturou ao linguajar regional.           Tem origem etimológica no quíchua “huayaca”, que significa saco. Pelo espanhol platense “guayaca”. Esse termo, juntamente  com o objeto, conviveu nestes pagos, tendo sido aceito pelos camponeses, por atender as necessidades do homem rural. Aqui permaneceu ate os dias atuais, com o nome de guaiaca. Peça adotada pelos gaúchos por sua praticidade no transporte de moedas, relógio, cédulas “as pelegas”, e armas. Nosso dicionarista Aurélio Buarque  de Holanda Ferreira, define o termo como: ” cinto largo de couro ou de camurça, provido de bolsinhos, usado para se guardar dinheiro e objetos miúdos, e também para  o porte de armas”. Observa-se, que os comerciantes desse tipo de mercadoria, colocam a disposição dos usuários objetos que nada têm a ver com o nome. São outros artigos, outras mercadorias que, na maioria das vezes, nem o usuário, nem o comerciante sabem  do que se trata. Qualquer coisa que seja de couro que se enrole na cintura é guaiaca. Então, saímos por ai  ridiculamente, querendo ser o que não somos  e  acabamos sendo o que não queremos. Portanto, o que não faz parte da nossa indumentária tradicional autêntica, não deve ser usado e, se usarmos pode passar a servir de   graça para os que realmente conhecem e identificam nossa autenticidade tradicional. Mesmo para os que não a usam  mas reúnem conhecimento suficiente  e observam o desalinho que a pessoa se apresenta.  A nossa guaiaca, é constituída de uma tira de couro larga, forrada ou não, iniciando da presilha da fivela para a esquerda de quem a usa um bolsinho com uma abertura na   parte superior para cruzar o corrente do relógio, logo após  outro  bolsinho semelhante, porém este  sem abertura na aba que fecha com botão de pressão. Continuando, agora atingindo a parte posterior da cintura do usuário uma bolsa maior com, aproximadamente o tamanho das duas anteriores, com três botões de pressão na   aba que a fecha. Esta balsa, normalmente, é para o uso “das pelegas”, (cédulas – dinheiro de papel).  Do  lado direito o coldre, ou simplesmente uma correia com uma fivela para prende-la. Quando o usuário desejar,  portar o coldre, o faz através dessa fivela, termina em lingüeta da largura da fivela, geralmente com duas carreiras de ilhós. È usada em atividades sociais ou  serviço, com ou sem faixa. È óbvio que, as peças de serviço são mais rústicas e as  usadas em atividades sociais, com maiores refinos em seu acabamento e é aconselhável usa-la sem o coldre.

 

MINGUANTE DE MARÇO DE 2004.

CALTARS – “TO”