segunda-feira, 21 de maio de 2012

Arquivos do dia » 17, julho 2008

Esquina

MANHÃ DE VERÃO O SOL BRILHA RADIANTE,

A RUA RECÉM-CONCERTADA NA ESQUINA.

A BRISA SUAVE BALANÇA A CORTINA,

QUE ENFEITA A JANELA DO PRÉDIO ADIANTE.

O MOÇO NA PORTA NUM ESTILO ELEGANTE,

SACODE A CABEÇA E LEVANTA O BRAÇO.

VEÍCULOS AVANÇAM NO  MESMO COMPASSO,

E A FÍSICA ENSINA E RECOMENDA OBEDIÊNCIA.

IMUTÁVEL É A LEI QUE EMBASA ESSA CIÊNCIA,

DOIS CORPOS NÃO USAM O MESMO ESPAÇO.

 

O MOÇO RODAVA NA MOTO FRANSINA,

NA  ENSOLARADA MANHÃ DE VERÃO.

INICIO DO DIA TRAFAGANDO NA MÃO,

INDECISO NO ESPAÇO SUGERE E OPINA.

MODERADA CORDURA A PRÁTICA ENSINA,

A PERÍCIA CONTEMPLA TODA SUA PUJANÇA.

O SEU  EQUILIBRIO  DESENVOLVE CONFINAÇA,

E O VEÍCULO OFERECE TODO CONFORTO.

DIRIGIR CONCENTRADO JAMAIS ABSORTO,

É A FORMA LEGAL QUE LHE DÁ SEGURANÇA.

 

NÃO VI O ACIDENTE ME CONTARAM O FATO,

VI UMA MOTO CAIDA E PESSOAS EM VOLTA.

AMBULÂNCIA SAIA CHEGAVA UMA ESCOLATA,

MEDINDO O ESPAÇO E FA\ZENDO RELATO.

CRUZEI PELO LADO SEM TENTAR UM CONTATO,

O SOCORRO CONSUMOU O FEITO ESSENCIAL.

LEVOU O CONDUTOR PARA UM HOSPITAL,

A MOTO FICOU ESTENDIDA NO ASFALTO.

GRISALHO SENHOR PARECENDO EXAUSTO,

APANHOU O CAPACETE NUM GESTO FORMAL.

 

ANALISE O EVENTO E EMITA CONCEITO,

IMPERÍCIA É FATAL OU VIL IMPRUDÊNCIA.

COMPENSAR HORÁRIO JÁ É NEGLIGÊNCIA,

POIS NÃO JUSTIFICA NEM SE FAZ DESSE JEITO.

NO TRÂNSITO  CONCENTRAÇÃO E RESPEITO,

SÃO NORMAS SINGELAS QUE DIVIDEM ESPAÇO.

AS NORMAS SÃO SÁBIAS DEMARCAM COMPAÇO,

PARA ANDANTES TRAVESSOS E DESOBEDIENTES.

A JORNADA APRESENTA SEVEROS INGREDIENTES,

PARA OS INSIPIENTES QUE NÃO REGEM CANSAÇO.

 

O VETUSTO VARÃO DORIDO E TRISTONHO,

PARADO NA RUA SEM VER O HORIZONTE.

OLHANDO NO CHÃO UMA RUGA NA FRONTE

MARCAVA A IDADE E O LIMITE DE UM SONHO.

O DIA INICIAVA COM UM ACIDENTE BISONHO,

QUE QUEBRAVA A ROTINA DO HÍGIDO  RAPAZ.

LABORIOSO ESTUDANTE SUBLIME E CAPAZ

SÃO IMAGENS  QUE PASSAM NA MENTE  IRIADA .

O QUADRO MARCANTE INTERROMPE A JORNADA,

E O UNIVERSO NEM   LIGA, CONTINUA AUDAZ.

 

NOVA DE FEVEREIRO DE 2006

CALTARS – “TO”.


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Sesmaria

                        No Rio Grande do Sul distribuir terras a pessoas que tivessem desempenhado alguma função militar ou em combate.  Estas áreas de terras eram entregues aos beneficiados sob uma medição que na época chamava-se SESMARIA. A área sesmaria, vem de ‘sesmo”, que significa  “terras devolutas, incultas e abandonadas. Sesmo, provem de “sesma”, que é a sexta parte de um “tiro” de trote de um bom cavalo, pelo campo. “Sesma” é o equivalente a três léguas de  “tiro”.Naqueles tempos, media-se campo a cavalo; cada “tiro” de três léguas contava-se uma “Três Marias”, ( a constelação).A Coroa juntou SESMA + MARIA            formando a palavra “sesmaria” advindo daí a área padrão de três léguas de fundo por uma légua de frente que perfazia o quinhão do dote, legado ao sesmeiro (quem recebia) O recebedor da sesmaria aguardava o “demarcador” da Coroa, já de cavalo bom que troteasse mais de légua por hora. Convencionava-se um ponto de partida (foz do arroio ou cume do cerro tal, etc.) e troteavam uma hora no rumo do nascente, marcavam e davam um fôlego, dobravam num ângulo de 90o. e troteavam três horas, marcavam, fiambreavam dobravam  90o. para o mesmo lado e troteavam uma hora, marcavam e davam um fôlego, novamente dobravam um ângulo de 90o.  para o mesmo lado e troteavam três horas – deveria chegar ao ponto de partida ou nas imediações e estava marcada a SESMARIA. Após trotear cada lado, o recebedor pedia mais alguns minutos (por esta ou aquela razão) no que poderia ser ou não atendido; também poderia haver generosidade do demarcador. É por esse motivo que muitas Estâncias e Fazendas possuem áreas maiores do que  consta nos documentos.

 

CLOSSÁRIO:

FIAMBREAVAM  - Comia alguma coisa.

FÕLEGO – Descanso.

RUMO – Direção.

SESMARIA   =  3 Léguas de campo.  (não se incluía mato), 6.600m  X  19.800m.

LÉGUA DE CAMPO = 50 quadras de sesmaria de campo 6.600m X 6.600m.

QUADRA DE CAMPO =  60  braças de campo ; 132m X 6.600m = 87,12 Ha.

BRAÇA DE CAMPO = 10 palmos de campo, 2,2 X 6.600 = 14.520m2.

PALMO DE CAMPO = 22cm X 6.600m  = 1.452m2.

QUINTÃO = 1/5 DE LÉGUA DE CAMPO = 1.320M x 6.600m = 871,2 Ha.

QUINTA =  1/5 de quadras de campo; 132m X 1.320m = 17,4.240 Ha.

QUINTAL = 1/5 de quadrinha de lavoura; 132m X 26,4m = 3.484,8 Ha.

QUADRINHA DE LAVOURA = 132m X 132m = 17.424m2.

ESTÂNCIA    =   de uma a três léguas de campo.

FAZENDA     =  de 10 a 50  quadras de campo.

 

NOVA DE AGOSTO DE 2004

CALTARS – “TO”.


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Chapéu

 

                         Os veículos de comunicação atualizando todo e qualquer  procedimento evolutivo que ocorra, em qualquer área oferecem grande disponibilidade de informações a qualquer camada  social, cultural, ou econômica, dado a facilidade que hodiernamente, os órgãos informativos divulgam. Estes mesmos organismos informativos disponibilizam  e registram  fatos, feitos e procedimentos que nem sempre são recomendáveis que estejam ao alcance de pessoas que ainda não detêm uma formação cultural sólida. Neste caso, a informação passada pelo veículo de comunicação: rádio, jornal, televisão, etc. é recolhida como sendo  correta.  Entretanto, em muitas oportunidades o procedimento divulgado revela exatamente o que não deve ser feito. Sem citar  casos mais graves que se referem ao procedimento  familiar, social e religioso. Vamos nos deter, simplesmente, no cotidiano, no menor conhecimento que qualquer pessoa deve possuir para se considerar cidadão. Hoje, o que todos querem ser, porém, grande número dos que isso desejam, procedem de maneira diversa, a de um cidadão.  Convido-os para  analisarmos  tão-somente o uso do chapéu. Francisco da Silveira Bueno, nos informa que chapéu é “substantivo masculino. Cobertura de feltro, palha, etc. com copa e abas, para a cabeça”. Antônio Houaiss, afirma ser o chapéu:  “proteção para a cabeça dos homens ou das mulheres, de forma e aspecto variável”. O professor Câmara Cascudo em Dicionário do Folclore Brasileiro cita “ representa a cabeça, sede do juízo, do raciocínio da vontade. Outrora como toda a gente não dispensava o chapéu, sair sem ele  dizia-se  sem   cabeça.Andar sem a cabeça”. Também refere na mesma  obra: “os discípulos de Freud dizem que o chapéu, representação do corpo, é símbolo fálico”.  Paixão Cortes, através da obra O Gaúcho, ensina-nos que “o chapéu como abrigo para a cabeça, no sentido de protegê-la contra o sol, o calor, a chuva ou simplesmente como adorno, tem, através dos tempos e dos povos, nas diferentes regiões do mundo, tomado múltiplas formas”. Antes de revelar nossa observação sobre o chapéu, vamos dirigir-lhe uma pergunta. Uma pergunta  sobre procedimentos que ocorrem diversas vezes por dia. Fatos singulares que a cada momento se nos apresentam e com a maior espontaneidade, até mesmo sem refletir, nós o realizamos. Você é capaz de cumprimentar uma pessoa de chapéu na cabeça? (Entenda-se  como chapéu toda e qualquer cobertura que se apõe na cabeça, tal como: boné, cangol, bico-de-pato, boina,  etc.) Caso você responda positivamente, nosso assunto encerra-se por aqui. Mas, como temos certeza que você responderá  não, vamos continuar com o seguinte questionamento: você entra no clube, na casa de uma pessoa, almoça ou janta de chapéu na cabeça? É claro que não, pois todos os escritores anteriormente citados, disseram e nós sabemos, que o chapéu é um abrigo para proteger-nos da chuva,  do sol e das intempéries que em local coberto, isto é, dentro de casa não há necessidade de usarmos esse tipo de proteção, salvo quando ele é usado por senhoras  como adorno.  É comum no campo, um gaúcho passar por outro e ao cumprimentá-lo quando não tira o chapéu da cabeça, coloca a mão sobre a aba demonstrando nesse gesto, educação e respeito pela pessoa que cumprimenta. Isto é uma realidade, que ocorre com freqüência, no meio rural. Hoje, observa-se nos restaurantes, e em alguns Centros de Tradições Gaúchas que os freqüentadores participando das atividades sociais de chapéu na cabeça. A tarefa de informar sobre tais procedimentos está a cargo dos pais, “porque a educação, começa em casa”, depois: da Vice-presidência de Cultura do MTG, dos Departamentos Culturais dos CTGs, dos patrões e dos educadores ou . . .  os princípios básicos da tradição gaúcha foram banidos do rol de conhecimentos que identificam  como monarca, o centauro dos pampas, que ainda não era culto, mas sem nenhuma dúvida, por excelência ,educado.

                                              

MINGUANTE DE FEVEREIRO DE 2004

CALTARS –  “TO”.


Estampa de uma Época

 

CONTEMPLANDO O FIRMAMENTO,

ME ANIMO FALAR SOBRE O PAGO.

TRANQUEANDO A IDADE QUE TRAGO,

OS VISTOS, OS FEITOS E INVETOS.

ANDANÇAS E PROCEDIMENTOS,

QUE NÃO EXISTEM MAIS POR AQUI.

FOI  CONHECENDO QUE EU RESOLVI,

PAJAR ESTAMPANDO O ANTANHO.

PARA QUE SAIBAS DE QUE TAMANHO,

E O QUE TINHA, O IMPÉRIO GUARANI.

 

O TAMANHO ERA O MESMO VOLUME,

QUE HOJE ARRINCONA ESTA GENTE.

MAS… ERA MUITO DIFERENTE,

OS NOSSOS HÁBITOS E COSTUMES.

OS CAMPOS NÃO TINHAM TAPUMES,

NEM ALAMBRADOS OU DIVISAS.

SÃO REFERÊNCIAS MUI PRECISAS,

DA ORIGEM DA NOSSA  QUERÊNCIA.

MESMO XUCRA JÁ ERA POTÊNCIA,

CONFORME REVELAM PESQUISAS.

 

CONTINENTE DO RIO GRANDE,

COM SÃO PEDRO DE PADROEIRO.

OS JESUITAS CHERAM PRIMEIRO,

TRAZENDO GADO QUE EXPANDE.

EM QUALQUER LUGAR QUE ANDE,

MANADAS ENCHIAM OS CAMPOS.

MASCLANDO-SE COM PIRILAMPOS,

PARA HARMONIZAR A PAISAGEM.

MANTÉM DE PÉ SUA MENSAGEM,

GRAVADA NOS QUATRO CANTOS.

 

O TRABALHO ERA MAIS DURO

E O POVO MUITO MAIS FELIZ.

PLANTARAM AQUI SUA RAIZ,

COM  VISÃO PARA O  FUTURO.

AS RAÇAS  DE SANGUE  PURO,

POVOARAM O PAMPA SULINO.

CHEGARAM AQUI PEREGRINOS,

E ACULTURARAM  COSTUMES.

CADA UM  DIZ  E ASSUME,

AQUI DIXOU DE SER TEATINO

 

CRESCENTE DE MARÇO, 2003

CALTARS – “TO”

 

 

 

 


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Mala-de-Garupa

 

 

                                                   A modernidade, sobremaneira, coloca algumas pessoas em situações desagradáveis, com todo respeito, quero acreditar que seja por desinformação. Vamos analisar um procedimento que alguns “gaúchos”, normalmente, quando participam de reuniões ou festas promovidas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, digo pelo MTG, porque sendo promovida por qualquer Instituição Tradicionalista filiada ao Movimento, a ele está representando. O nosso dicionarista  Caldas Aulete informa: “mala, saco de couro, lona, madeira, oleado ou pano, fechado ou não com cadeado ou chave, em que se leva roupa em viagem,  papeis ou outros quaisquer objetos”. Refere-se ainda ao Rio Grande do Sul quando cita: “mala-de-garupa,  espécie de alforje que  se põe na parte superior do lombilho ou do serigote”.  A mala-de-garupa, no Rio Grande do Sul segundo descrição de Rui e Zeno Cardoso Nunes não difere do  Vocabulário Sul-Rio-Grandense de Romangera Corrêa e  outros informa que é um “pequeno saco com uma abertura longitudinal no centro, que se carrega na parte posterior do lombilho ou serigote, à guisa de alforjes, por baixo dos pelegos”.  Agora sabemos, o que é uma mala-de-garupa.  Serve para transportar gêneros de um lugar para outro. Era usada quando o camponês comprava determinados produtos na “venda”, hoje supermercado e transportava para a sua residência na parte posterior interna do lombilho, sob a badana e os pelegos. Esse é o local destinado ao uso da mala-de-garupa. Com o passar do tempo, as vilas e cidades foram abrigando a maior parte dos camponeses. As carruagens foram tomado o lugar das montarias e o veículo automotor substituindo aquele meio de transporte e a maneira de transportar  as mercadorias também foi se afeiçoando a nova realidade e este objeto, mala-de-garupa, passou a fazer parte do Folclore Histórico. Portanto,  mala-de-garupa é para quem se desloca a cavalo e, não no ombro dos que andam a pé e em  determinados locais que não recomendam o uso desse objeto. A mala-de-garupa é para transportar mercadorias da origem destas, para a garupa do cavalo e daí para o local que se destinam. Não conhecemos nenhum registro de alguém portando mala-de-garupa no ombro em um culto religioso. O local não é adequado ao uso desse objeto. Vamos fazer uma comparação elementar, tosca e até, sobremaneira agressiva, pode ser que assim os usuários desse desatualizado objeto consigam ter noção do onde e como devem usá-lo. Que tal comparecermos a um espetáculo no teatro São Pedro, usando um guarda-chuva aberto e assim assistirmos a sessão? A mesma inconveniência cultural causam os que usam peças ou objetos fora da proposta de sua finalidade. Existem poucas coisas mais ridículas do que uma pessoa usar indumentária, peça de  indumentária, objetos, adereços ou seja lá o que for, fora da proposta e da finalidade que se propõem. Quem usa um  “traste” em local  inadequado e alheio à sua finalidade, não fica mais nem menos gaúcho, tão-somente demonstra  o índice do seu conhecimento.

 

                        ESCENTE DE JULHO DE 2007

                        CSALTARS –  “TO”


Congresso Tradicionalista Gaúcho

                        O Congresso Tradicionalista Gaúcho é o forum competente para  traçar os rumos doutrinários e filosóficos do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul. Ocorre, anualmente, desde o ano de 1954, com exceção  dos anos de 1962 e 1968. Os Congressos, não fogem a regra a outros eventos, uns apresentam temários mais interessantes, outros nem tanto. Exemplos: O sexto Congresso criando o Conselho Coordenador e adotando o Major do Exército João Cezimbra Jacques, como Patrono do Movimento Tradicionalista  Gaúcho do Rio Grande do Sul. O oitavo, reconhecendo a Carta de Princípios. O  décimo segundo realizado  em Tramandaí, em outubro de 1961, criando o  Movimento Tradicionalista do Rio Grande do Sul. Assim, os Congressos vão registrando a história e o rumo do tradicionalismo gaúcho. É obvio que o sucesso, o interesse dos congressistas depende muito da necessidade determinada pelas circunstâncias do momento e das teses que compõem o temário da edição do  conclave. Este ano o Congresso Tradicionalista, realizou-se em Bagé de 09 a 11 de janeiro. As acomodações, apenas satisfizeram precariamente as necessidades, tanto para realização das plenárias quanto para a realização das outras atividades inerentes ao Congresso.  Este evento já é tradicional  em nosso meio, porém, devemos  reunir forças para que nossos Congressos não fiquem apenas tradicionais. Um evento que se realiza anualmente, onde  gaúchos e “gaúchos” apresentam teses, discutem, votam e as aprovam ou não.  Claro que sempre será assim, mas a maneira e a postura que devemos manter para desenvolvermos essas atividades, deve ser preservada. Se isto não acontecer, estaremos sujeitos, inclusive,  perdermos a identidade. Digo isso  porque nesta edição do Congresso Tradicionalista, mesmo sendo o quadragésimo nono, grande número de congressistas, ainda participam do evento  trajando peças de indumentárias alienígenas a nossa pilcha.  Pior do que isso, muitos desses congressistas desempenhando funções na Instituição, usando a palavra e exercendo o direito do voto. As peças que me refiro são as rastras castelhanas, intrometendo-se,  por desinformação ou narcisismo dos usuários, entre nossas guaiacas. Envergonhados cinturões, tentando encontrar espaço fora das suas funções. Facas, que tantos serviços prestaram a prestam ao Rio Grande,  roxas de vontade de sair voando da cintura  do seu usuário que, desconhece o local e a função dessa peça. Diante desse quadro, como ficam os nossos jovens que buscam conhecimento sobre a nossa cultura? Senhores tradicionalistas, neste início de século é mais do que hora de colocarmos “os pontos nos is”. Quem é tradicionalista participa devidamente pilchado, que não é,  mas admira a cultura rio-grandense;  deve informar-se para  que não cometa tais cangarilhadas. Agora, os que buscam aperfeiçoar seu desvairado vedetismo narcisista em cima da imagem do homem rurígena, estão prestando um desserviço ao Movimento Tradicionalista Gaúcho e a nossa cultura. Urge portanto, uma providência, a qual podemos sugerir: os tradicionalistas continuam participando das atividades do nosso Movimento e, os que estão tradicionalistas ou participam apenas para locupletar-se, que  procurem o planeta dos locupletamentos, e não perturbem a mente dos nossos piás que pretendem cultuar nossos hábitos e costumes. Muitos tradicionalistas,  já se afastaram do Movimento e, acredito que muitos outros também irão,  por não concordarem com a inércia das lideranças do MTG sobre esses acontecimentos. A hospitalidade, a compreensão e o bom senso tem limites. Não podemos admitir que os caranchos tomem conta do rodeio. Não devemos esquecer que, os que não sabem de onde vêm, poderão chegar no lugar que não desejam.

 

CHEIA DE JANEIRO DE 2004

CALTARS ” TO”


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Conceitos e Objetivos

Os termos tradição, tradicionalismo, regionalismo e nativismo possuem uma infinidade de conceitos que, com palavras diferentes os autores dizem a mesma coisa. Alguns até confundem ou tentam dicotomizar o tradicionalismo  do nativismo. Ressurge o interesse pelo regional em 1947 através de  alunos dos Colégios Júlio de Castilhos e Rosário, que formaram o conhecido “Grupo dos Oito”. O Rio Grande do Sul teve seu território pulverizado de CCTTGG. Esses, na maioria, dirigidos por pessoas que não reuniam  conhecimento necessário para administrar a instituição tradicionalista, com fidelidade aos objetivos propostos pela Carta de Princípios. Esses administradores, também não demonstravam capacidade de manter o quadro social unido em torno da proposta estatutária, o que por sua vez, dividia o grupo e os descontentes criavam outra instituição tradicionalista, ou outro CTG, na maioria das vezes sem a menor condição de funcionamento. Cria-se uma legião numérica de Centros de Tradições Gaúchas ou similares, iniciam-se as disputas nos Concursos de Prendas, nas FECARS, nos FEGART depois ENART e nos Concursos de Peão Farroupilha.   Os participantes, normalmente, são jovens e nem sempre preparados para submeterem-se a competição, que significa ganhar ou perder. Quem ganha passa um ano em reuniões, conferências, cursos e outras atividades do gênero. Quando deixa o cargo, nunca mais aparece na instituição tradicionalista, some. Por não continuar em evidência deixa de ser tradicionalista.Os que perdem já iniciam a debandada, pelo simples fato de ter perdido ou não ter conseguido o que pretendia, por descuido ou despreparo. Necessitamos com urgência preparar melhor os participantes das atividades anteriormente citadas, para que estas  deixem de ser elemento de descarte de jovens do meio tradicionalista. Nossas Invernadas Culturais demonstram  fraqueza, pois não estão conseguindo desenvolver na juventude o interesse pelo culto tradicionalista, sendo este, apenas objeto de conquista ou disputa e não um procedimento autêntico da nossa Cultura.

Nova de dezembro de 2006.

CALTARS – “TO”

 


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Sesmaria

 

                        No Rio Grande do Sul distribuir terras a pessoas que tivessem desempenhado alguma função militar ou em combate.  Estas áreas de terras eram entregues aos beneficiados sob uma medição que na época chamava-se SESMARIA. A área sesmaria, vem de ‘sesmo”, que significa  “terras devolutas, incultas e abandonadas. Sesmo, provem de “sesma”, que é a sexta parte de um “tiro” de trote de um bom cavalo, pelo campo. “Sesma” é o equivalente a três léguas de  “tiro”.Naqueles tempos, media-se campo a cavalo; cada “tiro” de três léguas contava-se uma “Três Marias”, ( a constelação).A Coroa juntou SESMA + MARIA   formando a palavra “sesmaria” advindo daí a área padrão de três léguas de fundo por uma légua de frente que perfazia o quinhão do dote, legado ao sesmeiro (quem recebia) O recebedor da sesmaria aguardava o “demarcador” da Coroa, já de cavalo bom que troteasse mais de légua por hora. Convencionava-se um ponto de partida (foz do arroio ou cume do cerro tal, etc.) e troteavam uma hora no rumo do nascente, marcavam e davam um fôlego, dobravam num ângulo de 90o. e troteavam três horas, marcavam, fiambreavam dobravam  90o. para o mesmo lado e troteavam uma hora, marcavam e davam um fôlego, novamente dobravam um ângulo de 90o.  para o mesmo lado e troteavam três horas – deveria chegar ao ponto de partida ou nas imediações e estava marcada a SESMARIA. Após trotear cada lado, o recebedor pedia mais alguns minutos (por esta ou aquela razão) no que poderia ser ou não atendido; também poderia haver generosidade do demarcador. É por esse motivo que muitas Estâncias e Fazendas possuem áreas maiores do que  consta nos documentos.

 

CLOSSÁRIO:

FIAMBREAVAM  - Comia alguma coisa.

FÕLEGO – Descanso.

RUMO – Direção.

SESMARIA= 3 Léguas de campo. (não se incluía mato), 6.600m X 19.800m.

LÉGUA DE CAMPO = 50 quadras de sesmaria de campo 6.600m X 6.600m.

QUADRA DE CAMPO =  60  braças de campo ; 132m X 6.600m = 87,12 Ha.

BRAÇA DE CAMPO = 10 palmos de campo, 2,2 X 6.600 = 14.520m2.

PALMO DE CAMPO = 22cm X 6.600m  = 1.452m2.

QUINTÃO = 1/5 DE LÉGUA DE CAMPO = 1.320M x 6.600m = 871,2 Ha.

QUINTA =  1/5 de quadras de campo; 132m X 1.320m = 17,4.240 Ha.

QUINTAL = 1/5 de quadrinha de lavoura; 132m X 26,4m = 3.484,8 Ha.

QUADRINHA DE LAVOURA = 132m X 132m = 17.424m2.

ESTÂNCIA      =   de uma a três léguas de campo.

FAZENDA     =  de 10 a 50  quadras de campo.

 

NOVA DE AGOSTO DE 2004

CALTARS – “TO”.


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Centro de Tradições Gaúchas

 

 

                               O Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, fundado  em 22 de maio de 1898, pelo Santa- mariense Major do Exército Brasileiro, João Cezimbra Jaques, em quarenta anos proliferou pelo interior do Rio Grande do Sul. Em  setembro de  1899 surge a União Gaúcha de Pelotas, na cidade do mesmo nome.  Em 16 de setembro do mesmo ano, Bagé cria o Centro Gaúcho. Santa Maria, em 12 de outubro de 1901 instala o seu Grêmio Gaúcho. Aparentemente, houve uma parada até 31 de janeiro de 1938, quando surge em Lomba Grande, então município de São Leopoldo, hoje Novo Hamburgo, a Sociedade Gaúcha Lomba-grandense. Com as mesmas propostas,  Laureano Medeiros funda em 19 de outubro de 1943, na cidade de Ijui, o Clube Farroupilha, hoje Centro de Tradições Gaúchas Clube Farroupilha. Observa-se que gradativamente foram surgindo instituições gaúchas que se preocupavam com o registro, o culto e a preservação dos hábitos e costumes do nosso Estado. Todas estas instituições centravam  seus objetivos na valorização do homem rurígena, com seus conceitos morais, cívicos e sociais. O tempo passa e, com o surgimento a Segunda Guerra Mundial, as atenções convergem para o palco das operações  armadas. Nossa juventude recebe um bombardeio de informações sobre super-heróis alienígenas, através do cinema e de revistas em quadrinhos. Em conseqüência o que é nosso vai ficando no esquecimento, ao ponto de não termos uma identidade estampada no procedimento espontâneo. Quem  usava bombacha era taxado de “grosso”. A moda vinha dos grandes centros e dominava nossa comunidade. Os que tinham condições de estudar na Europa, quando regressavam, por uma questão natural, incluíam ao nosso vocabulário termos oriundos daquelas metrópoles. Nossa literatura recém  iniciava sua trajetória. A música regional engatinhava balbuciando suas primeiras notas, ainda indefinidas pela influência dos veículos de comunicação que nos dispunibilizavam o regionalismo do sertão do Brasil Central, somadas á carência de compositores, músicos e instrumentistas  gaúchos. Por sermos  culturalmente incipientes passamos nessa época, a desenvolver o ilogismo de valorizar mais o que não nos pertencia, isto é, a   moda, a língua e a música alienígena,  ao invés de  estudarmos e  solidificarmos com fidelidade os traços que esboçavam o perfil dos nossos hábitos e costumes.  Neste panorama a Liga de Defesa Nacional, por motivo da Semana da Pátria de 1947, resolve homenagear os  combatentes brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial, acendendo o Fogo Simbólico, no cemitério de Pistóia, na Itália. A centelha do fogo foi transportada pelo coronel  aviador  Rubens Canabarro. Em 1947, o Colégio Júlio de Castilhos, de Porto Alegre contava com  um Departamento de Tradição. João Carlos D´avila Paixão Cortes, representando esse Departamento, solicitou ao Major do Exército Darcy Vignoli, Presidente da Liga de Defesa Nacional, Secção do Rio Grande de Sul, para no momento da extinção do Fogo Simbólico, retirar uma centelha e levar para o Colégio Julio de Castilhos e, lá permanecer aceso o Candeeiro Crioulo até  o dia 20 de setembro. Nasceu assim  a Chama Crioula que deu origem a Semana Farroupilha e o “35 CTG”  ( 35 Centro de Tradição Gaúchas) fundado pelos mesmos componentes do Piquete da Tradição em 24 de abril de 1948.  O “35 CTG”  instalou no interior do Estado, representantes da instituição para divulgar seus objetivos, a maioria deles, imediatamente, transformaram-se em Centros de Tradições Gaúchas  pulverizando o Rio Grande e o Brasil  de entidades tradicionalistas. O Piquete da Tradição, também  conhecido como Grupo dos Oito, foi constituído por  estudantes  da capital e do interior do Estado.  Passamos a nominá-los : Antonio João Sá de Siqueira, de Bagé, Cilço Araújo Campos, de Alegrete,  Ciro Dias da Costa, natural de Pelotas, Cyro Dutra Ferreira, de Porto Alegre, Fernando Machado Viera, natural de Porto Alegre, João Carlos D´avila Paixão Cortes, nascido em Santana do Livramento, João Machado Vieira, natural de Porto Alegre e Orlando Jorge Degrazia, natural de Itaqui.

 

MINGUANTE DE JULHO DE 2004

CALTARS – “TO”


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Castro

O TOPO DO MONTE É O LOCAL,

ESCOLHIDO PARA OBSERVAR.

PONTO CERTO PARA INFORMAR,

E DEFENDER-SE AO  NATURAL.

COMUNICANDO-SE POR SINAL,

PARA MANTER CONTROLE TÁTICO.

PONTO DE DEFESA ESTÁTICO,

PARA OS CÊRCOS  RESISTIR.

A OBSERVAÇÃO VAI DEFINIR,

O PROCEDIMENTO MAIS PRÁTICO

  

                 ALTA  MURALHA CERCAVA,

                 SUAS CASAS CIRCULARES.

                 ALGUMAS RETANGULARES,

                 O PANORAMA REGISTRAVA.

                 SITIO ONDE SE ABRIGAVA,

                 O ENTE DA GUERRA TRIBAL.

                 NÃO SURGIU NENHUM IGUAL,

                 FEITO DE  PEDRA E TERRA.

                 ONDE O COMBATE ENCERRA,

                 A SUA BATALHA FINAL.

                

DESDE O PERÍODO NEOLÍTICO,

BEM ANTES DAS INVASÕES.

JÁ EXISTIAM AGLOMERAÇÕES,

DOS CELTAS OS MAIS POLÍTICOS.

MINERIS BEM MAIS ANALÍTICO,

REFERENDA SUA CONFIANÇA.

TAMBÉM EXISTIRAM NA FRANÇA,

NA GRÃ-BRETANHA E NA IRLANDA.

A ESPANHA TAMBÉM DEMANDA,

COM PORTUGAL MAIS ESPERANÇA.

 

                 POPULAÇÃO DE ORIGEM CELTA,

                 GEROU A CIVILIZAÇÃO CASTREJA.

                 NÃO IMPORTA ONDE  ELA ESTEJA,

                 CONTINUA A CITÂNIA ESBELTA.

                 SEM NENHUM GESTO DE ALERTA,

                 ROMPEU O TEMPO E A IDADE.

                 OS ROMANOS FIZERM CIDADE,

                 E OUTROS TANTOS DESTRUIRAM.

                 MAS ELES SEMPRE EXISTIRAM,

                 ACOMPANHANDO A HUMANIDADE.

 

CASTRO É UM POVOADO ANTIGO,

PLANTADO NO TOPO DO MORRO.

ONDE EMIGRADO PEDE SOCORRO,

QUANDO SE ENCONTRA EM PERIGO.

CASTRO É SINÔNIMO DE ABRIIGO,

EM QUALQUE SITUAÇÃO OTIMIZA.

OBSERBVATÓRIO QUE CATALIZA,

AS INFORMAÇÕES DO MOMENTO.

SEM NENHUM INVESTIMENTO,

CONHECE TUDO  O QUE PRECISA..

 

                             CRESCENTE DE JULHO DE 2008.

                             CALTARS – “TO”.


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