segunda-feira, 21 de maio de 2012

Arquivos do dia » 22, julho 2008

Verde e Amarelo

Em conferência realizada na Liga de Defesa Nacional, a 18 de setembro de 1930, o Dr. Francisco Pereira Lessa  sustente que a simbologia exata das cores verde a amarela se acha presa à heráldica, pois D. Pedro pensou dotar o Brasil com a cor verde, cor de sua Casa Real de Bragança; e o amarelo, a cor da Casa de Habsburgo – Lorena de Áustria, de onde provinha sua primeira esposa, a Arquiduquesa Dona Leopoldina.Diz o conferencista que o “ Barão de Marechal, secretário da legislação austríaca e que aqui ficara, como agente diplomático, em seu ofício a Metternich, de 27 de setembro de 1822, dando ciência dos graves acontecimentos que se sucederam no Brasil,fala também que o Príncipe trazia um  laço verde sob um ângulo de metal  dourado, no qual estava gravado INDEPENDÊNCIA OU MORTE! Ainda mais,  no dia 15,aniversário da Revolução de Lisboa , não foi esta celebrada, e a tropa, os funcionários públicos e o povo arrancaram, abruptamente, o laço das Cortes, trazido ao braço esquerdo, substituindo-s, então, pelo verde, couleur de La Maison de Bragance” Quanto a escolha de cor amarela, diz Pereira Lessa: Depois, porém, da publicação do Arquivo Diplomático da \independência, valioso subsidio fornecido pelo  Ministérios das Relações Exteriores ainda mais nos convencemos de que a cor amarela fora escolhida por d. Pedro, pela  exposição feita por Antonio Teles da silva Caminha e Meneses, depois Marquês de Resende, e nosso agente diplomático em Viena, em seu oficio de 29 de setembro de 1823, a José Bonifácio da Andrade e Silva, relatando como descrevera a Bandeira Imperial a Metternich, o que significava as estrelas no escudo imperial – as suas províncias – e os demais componentes da Bandeira, expondo igualmente o motivo e significação das  cores verde e amarela; a cor verde, por ser esta a da Casa de Bragança; e a amarela, a da Casa de Lorena, de que usa a Família Imperial da Áustria.” D. Pedro tinha a intenção de proclamar-se rei do Brasil, e isso é patente no timbre  que deu às armas Nacionais, em 18 de setembro de 1822. Nessa data, foi baixado o decreto que criou as Armas e a Bandeira do Brasil, não somente com o verde, e, sim, com verde e o amarelo.

 

NOTA:           

            A casa de Bragança procedia de D. João I, mas de D. João I antes de rei e simples mestre da \Ordem de Avis ( A Herculano – Opúculos, III, p.167) Esta casa reinou em Portugal desde 1640 até 1910. O primeiro Duque de Bragança foi D. Afonso, 3o. Conde de Barcelos, filho de D. João I, e que desposou, em 1401, D. Beatriz, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira. Desde logo, a Casa de Bragança foi rica e poderosa, e, quando entrou na posse dos imensos haveres do condestável, passou a ser mais opulenta casa fidalga de Portugal Na carta de D. João VI, de 27 de outubro de 1645, elevando o Brasil à categoria de Principado, o título de Duque de Bragança passou a pertencer aos filhos primogênitos dos reis de Portugal, e isto foi observado até a queda da Monarquia, em 1910 A cor verde lembra, ainda, uma tradição remotíssima de nossos antecedentes políticos, pois, além de ser a cor característica da Casa de Bragança, desde a sua fundação, era, também, o matiz do estandarte da destemida e famosa Ala dos Namorados, que constituía a vanguarda do exército lusitano, na Batalha de Aljubarrota. A cor verde recorda ,também, o dragão verde que figurava na bandeira dos lusitanos, anteriormente o pavilhão instituído em 1097. Segundo as velhas crônicas, os antigos lusitanos arvoravam  uma bandeira quadrangular, branca, no meio da qual se via um dragão verde, cujo símbolo permanece, até nossos dias, na bandeira dos dragões da Independência Recorda o protomártir de independência,Tiradentes, denunciando no mesmo ano em que Paris inaugurava a regeneração humana. ( Os sitiantes da Bastilha tiveram por emblema folhas verdes, arrancadas às árvores do Palais Royal) Lembra a nossa natureza viridente, a nossa primavera constante, a nossa riqueza agrícola  “ Caracteriza a Esperança, ao mesmo tempo que indica a Paz, duplo título para simbolizar a atividade pacífica”. A cor  amarela além de ser a cor característica da Casa de  Lorena, lembra, também, “a fase da mineração do ouro, nos tempos coloniais, que tanto incrementou o povoamento  do Brasil e, assim, determinou a sua prosperidade”, bem como a nossa riqueza mineral, as nossos regiões auríferas.


Faça seu comentário

Origem da Palavra Gaúcho

 

                                   Denominação gentílica dada aos filhos do Rio Grande do Sul. “El  Gauchos”, são chamados os camponeses do Uruguai e de parte da Argentina, o que mostra a força de um povo sem fronteiras. Sem fronteiras porque na época das Vacarias, o gado era criado solto, sem cercas, sem aramados e os hábitos do pampa eram semelhantes para os portugueses (brasileiros), índios, uruguaios e argentinos. A denominação “Gaúcho” nasceu no seio dos grupos de gaudérios errantes, mestiços, charruas, guaranis, minuanos, jarros, preadores, changadores, desertores, mesclados com as chinas dos ranchos. A palavra “GAÚCHO”, não tem uma origem segura, cientificamente comprovada. Para o escritor Aurélio Porto, o termo vem de “GUAHU”, do Guarani, canto triste ou uivo de cão, e “CHE”, do Quichua, gente. A definição para o historiador é: homem que canta triste. O grande líder missioneiro, Pe. Antonio Ruiz de Montoya, em seu vocabulário da língua guarani, define “GUAHÚ”, como canto dos índios. A vida naqueles ermos, levava os mestiços e índios a afeiçoarem-se por um canto triste. O professor uruguaio Boaventura Cavaglia afirma que a palavra é originária de “GARROCHA”,  espécie de foice que os  Minuanos e Charruas usavam para cortar o jarrete (desjarretear) ou perna dos bois para vender o couro e o sebo e, mesmo dos potros, para fazer as botas  garrão-de-potro. A palavra  ainda foi pronunciada  “GARRUCHA”, primitiva lança indígena, que, mais tarde, daria nome a uma espécie de arma de fogo. FERNANDO ASSUNÇAO defende a hipótese  da palavra ser de origem  francesa  “GAUCHE”, pronuncia-se “GÔCCHE” e,  significando esquerdo, coisa errada ou que não é direito. “GAÚCHO”, do árabe “GAUCH”, proveniente do persa “GAUCHI”, que quer dizer boizinho, formado de “GAU”, boi, vaca; mais “CHI”, sufixo diminutivo, e, que por sua vez, veio do sânscrito “GAÜH, ( boi, gado vacum); este por seu turno, é  oriundo  da  raiz  indo-européia “GWO,   GWOW “( GWO – GWOW),boi, vaca. Evoluindo,  chegou ao castelhano antigo “CHAUCHO”, com sentido equivalente do árabe “CHAÚCH”, de “CHAUOÚCH”,  que significa tropeiro, a par de  “GAUCHE”, este que se documentou primeiro ( Sec. XVIII). Foi também, ao que nos parece, a primeira transcrição árabe na forma genitiva, seguindo-se-lhe a nominativa, que prevaleceu “GAÜCHO”. ( D. Daniel Granada, Vocabulário Rioplatense Razonado – de d; Emílio Daireaux – Vocabulário Sul-Rio-Grandense de Rui e Zeno Cardoso Nunes). O que realmente podemos afirmar é que  “GAÜCHO”,  definiu-se nas Vacarias do Mar, em território que hoje está dividido entre o Rio Grande do Sul (Brasil) e a República Oriental do Uruguai, nas primeiras décadas do  século  XVIII,  entre 1730 a 1750. A primeira vez que essa palavra aparece escrita é em castelhano, em carta de D. Pablo Carbonel a um comandante de fronteira. No Uruguai, escreveu de Maldonado para D. Vertiz Y Salsedo, em 1771, grafado “GAHUCHOS”. A segunda vez esse termo aparece escrito em documentos uruguaios, no século XVIII. Manoel Cipriâno de Melo, segundo comandante da aduana de Montevidéu, após expedição às fronteiras do Uruguai, descreveu um breve informe: “Os dezoito presos que compreendem esta relação são GAÚCHOS vagos que foram presos por vadiagem”. Parada de San  Nicolás de Cerro Largo, 24 de março de 1791. A primeira crônica  sobre o gaúcho, sobre o gaudério foi escrita em 1773 por Concolocorvo. Porem, em português quem primeiro gravou a palavra “GAÚCHO” foi D. José Saldanha, em 1787, e escreveu ‘GAUCHES”, o  “E”,   segundo ele foi erro de tipografia pois na verdade, ele escreveu “GAÜCHOS”. Estes que chegaram na querência com procedência de alem mar, miscigenaram as raças para construir um tipo apegado a terra, ao trabalho e ao progresso que, mesmo sem conhecerem certo sua origem , sabiam o que queriam e, o tempo fez com que o termo, antes pejorativo  fosse com orgulho ocupar o lugar do gentílico.

 

CHEIA DE NOVEMBRO DE 2004.

CALTARS – “TO”


Faça seu comentário

Faca

                        Informa-nos a Academia Brasileira de Letras que, faca é um instrumento cortante formado de uma lâmina, relativamente curta e um cabo de madeira, chifre, metal ou qualquer outro material que desempenhe a função. Os dicionaristas descrevem este objeto como sendo “instrumento cortante constituído de lâmina e cabo”.  A faca, como tantos outros objetos, também  foi contemplada com inúmeros epitetos, tais como: chavasca, biguana, carneadeira, língua de vaca, língua de chimango, prateada, aparelhada, xerenga, ferro branco, arma branca, faca de rasto, etc. Este instrumento apresenta-se  de várias  formas, cada uma afeiçoada a  proposta e as particularidades funcionais  para seu uso e desempenho. A faca apresenta-se na cozinha como utensílio, no preparo e aperfeiçoamento dos ingredientes  necessários à arte culinária. É ferramenta primordial do guasqueiro,  que corta e desquina o tento para trançar apeiros de montaria, cordas, laços; confeccionar maneadores, ou qualquer outro artigo que tenha  como matéria prima na sua constituição, o couro. Companheira fiel do campônio  nas carneações, nas castrações, nas lidas de campo. Quando no desempenho dessa atividade, por vezes, se faz necessário cortar uma corda, para evitar  um acidente ou salvar um animal; para consertar  um apeiro ou sangrar uma rês que se quebrou. Nas regiões coloniais, a faca participa  das atividades agrícolas, para  falquejar  um canzil, para auxiliar em pequenos consertos, para sovar a palha e picar o fumo na feitura do palheiro; é ainda ferramenta primordial na colheita e no preparo de rações para  os animais piqueteiros ou de estrebaria. Na lúdica, marcou presença confeccionando bodoques, arcos, flechas, cavalos de pau e outros brinquedos de madeira. É protagonista  no jogo de tejo,  na dança  dos facões e  da faca  maruja. Esta faca utensílio, ferramenta, este objeto que  colabora  em diversas atividades, prestando incomensuráveis serviços, quando usada no trabalho, é considerada ferramenta. Por outro lado, pode se transformar numa terrível arma, quando implantada na ponta de uma vara ou taquara servindo como lança para defender os interesses deste chão. Muitas vezes foi usada desta forma. A faca, ferramenta de trabalho, também desempenhou tarefas malignas e destruidoras, nas mãos dos incautos,  covardes e assassinos degoladores  que sacrificaram vidas,  sob a égide de uma facção política predominante na época, que defendia uma filosofia tétrica, enigmática e  tendenciosa.  Observa-se que a faca é usada como ferramenta e, a mesma faca ferramenta, também pode ser  usada como arma. A exemplo disso             lembramos com pesar, os inúmeros delitos praticados através desse instrumento. O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, para melhor orientar seus filiados,  normatizou no seu Regulamento Geral, ( Art. 272 – Em bailes, fandangos e outras atividades sociais, especialmente em recintos fechados, é vedado o uso de armas, chapéu, esporas, boleadeiras, tirador e outros utensílios campeiros. Parágrafo Único – Aplica-se o disposto neste artigo também para os conjuntos musicais.) Imaginem os senhores, a dificuldade que os dirigentes do M TG/RS  enfrentam para disciplinar o procedimento social dos filiados, normatizaram a norma, isto é, trouxeram para o bojo do seu Regulamento Geral, o que preceitua a Lei Penal Brasileira Dlei nº3.688 de 03 de outubro de 1941, publicada no DOU de 13 de outubro de 1941. ( Art. 19 -  Trazer consigo arma fora de casa ou dependência desta, sem  licença da autoridade.) Pasmem os senhores, com tudo isso, com todas essas informações, é comum em qualquer querência deste Rio Grande abençoado, contemplarmos patrões, peões farroupilha, associados, etc., portando faca dentro dos CTGs. Pessoas estas, de projeção administrativa e cultural  das entidades tradicionalistas, exatamente as que têm obrigação de dar exemplo aos demais. Será que precisamos dizer que o galpão “símbolo”, sofreu um processo de socialização  e hoje, o C T G  é tão-somente um local, onde  se desenvolvem atividades sociais e culturais, portanto ,alheias as atividades com uso de faca. Ah. . . sim! O flébil pretexto:  para cortar o churrasco. . . Esqueceram-se, os gaúchos de ensaio, que o churrasco servido à mesa deve ser cortado com  o talher que lhe disponibilizaram. Quando o churrasco  for a campo, espeto cravado no chão, aí sim, podemos normalmente, segurar com os dedos polegar e indicador, um pedaço de carne e “passar a faca”.  Ainda poderão os oniscientes argüirem em defesa da imagem do centauro dos pampas, o qual sempre foi visto portando faca. É verdade, porém, sempre no desempenho de atividades campeiras ou dentro das suas propriedades.  Será que ainda há necessidade de informar que a faca não faz parte da pilcha social? Que só é permitido o uso da faca em atividades campeiras e, dentro dos CTGs,  estas atividades não se realizam. Ilustres senhores, responsáveis pelo zelo da cultura Rio-Grandense, nós não somos obrigados a normatizar procedimentos, mas se o fizermos, devemos cumpri-los, sob pena de sermos taxados de, na melhor das hipóteses, sibilinos e, isto não deve acontecer com um  Movimento  altiloqüente igual o nosso.  ou deve?

 

MINGUANTE DE NOVEMBRO DE 2004

CALTARS – “TO”.

 


Mala-de-Garupa

                                                   A modernidade, sobremaneira, coloca algumas pessoas em situações desagradáveis, com todo respeito, quero acreditar que seja por desinformação. Vamos analisar um procedimento que alguns “gaúchos”, normalmente, quando participam de reuniões ou festas promovidas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, digo pelo MTG, porque sendo promovida por qualquer Instituição Tradicionalista filiada ao Movimento, a ele está representando. O nosso dicionarista  Caldas Aulete informa: “mala, saco de couro, lona, madeira, oleado ou pano, fechado ou não com cadeado ou chave, em que se leva roupa em viagem,  papeis ou outros quaisquer objetos”. Refere-se ainda ao Rio Grande do Sul quando cita: “mala-de-garupa,  espécie de alforje que  se põe na parte superior do lombilho ou do serigote”.  A mala-de-garupa, no Rio Grande do Sul segundo descrição de Rui e Zeno Cardoso Nunes não difere do  Vocabulário Sul-Rio-Grandense de Romangera Corrêa e  outros informa que é um “pequeno saco com uma abertura longitudinal no centro, que se carrega na parte posterior do lombilho ou serigote, à guisa de alforjes, por baixo dos pelegos”.  Agora sabemos, o que é uma mala-de-garupa.  Serve para transportar gêneros de um lugar para outro. Era usada quando o camponês comprava determinados produtos na “venda”, hoje supermercado e transportava para a sua residência na parte posterior interna do lombilho, sob a badana e os pelegos. Esse é o local destinado ao uso da mala-de-garupa. Com o passar do tempo, as vilas e cidades foram abrigando a maior parte dos camponeses. As carruagens foram tomado o lugar das montarias e o veículo automotor substituindo aquele meio de transporte e a maneira de transportar  as mercadorias também foi se afeiçoando a nova realidade e este objeto, mala-de-garupa, passou a fazer parte do Folclore Histórico. Portanto,  mala-de-garupa é para quem se desloca a cavalo e, não no ombro dos que andam a pé e em  determinados locais que não recomendam o uso desse objeto. A mala-de-garupa é para transportar mercadorias da origem destas, para a garupa do cavalo e daí para o local que se destinam. Não conhecemos nenhum registro de alguém portando mala-de-garupa no ombro em um culto religioso. O local não é adequado ao uso desse objeto. Vamos fazer uma comparação elementar, tosca e até, sobremaneira agressiva, pode ser que assim os usuários desse desatualizado objeto consigam ter noção do onde e como devem usá-lo. Que tal comparecermos a um espetáculo no teatro São Pedro, usando um guarda-chuva aberto e assim assistirmos a sessão? A mesma inconveniência cultural causam os que usam peças ou objetos fora da proposta de sua finalidade. Existem poucas coisas mais ridículas do que uma pessoa usar indumentária, peça de  indumentária, objetos, adereços ou seja lá o que for, fora da proposta e da finalidade que se propõem. Quem usa um  “traste” em local  inadequado e alheio à sua finalidade, não fica mais nem menos gaúcho, tão-somente demonstra  o índice do seu conhecimento.

 

                        CRESCENTE DE JULHO DE 2007

                        CALTARS –  “TO”


2 comentários

Guaiaca

                              Guaiaca, termo que  aculturou ao linguajar regional.           Tem origem etimológica no quíchua “huayaca”, que significa saco. Pelo espanhol platense “guayaca”. Esse termo, juntamente  com o objeto, conviveu nestes pagos, tendo sido aceito pelos camponeses, por atender as necessidades do homem rural. Aqui permaneceu ate os dias atuais, com o nome de guaiaca. Peça adotada pelos gaúchos por sua praticidade no transporte de moedas, relógio, cédulas “as pelegas”, e armas. Nosso dicionarista Aurélio Buarque  de Holanda Ferreira, define o termo como: ” cinto largo de couro ou de camurça, provido de bolsinhos, usado para se guardar dinheiro e objetos miúdos, e também para  o porte de armas”. Observa-se, que os comerciantes desse tipo de mercadoria, colocam a disposição dos usuários objetos que nada têm a ver com o nome. São outros artigos, outras mercadorias que, na maioria das vezes, nem o usuário, nem o comerciante sabem  do que se trata. Qualquer coisa que seja de couro que se enrole na cintura é guaiaca. Então, saímos por ai  ridiculamente, querendo ser o que não somos  e  acabamos sendo o que não queremos. Portanto, o que não faz parte da nossa indumentária tradicional autêntica, não deve ser usado e, se usarmos pode passar a servir de   graça para os que realmente conhecem e identificam nossa autenticidade tradicional. Mesmo para os que não a usam  mas reúnem conhecimento suficiente  e observam o desalinho que a pessoa se apresenta.  A nossa guaiaca, é constituída de uma tira de couro larga, forrada ou não, iniciando da presilha da fivela para a esquerda de quem a usa um bolsinho com uma abertura na   parte superior para cruzar o corrente do relógio, logo após  outro  bolsinho semelhante, porém este  sem abertura na aba que fecha com botão de pressão. Continuando, agora atingindo a parte posterior da cintura do usuário uma bolsa maior com, aproximadamente o tamanho das duas anteriores, com três botões de pressão na   aba que a fecha. Esta balsa, normalmente, é para o uso “das pelegas”, (cédulas – dinheiro de papel).  Do  lado direito o coldre, ou simplesmente uma correia com uma fivela para prende-la. Quando o usuário desejar,  portar o coldre, o faz através dessa fivela, termina em lingüeta da largura da fivela, geralmente com duas carreiras de ilhós. È usada em atividades sociais ou  serviço, com ou sem faixa. È óbvio que, as peças de serviço são mais rústicas e as  usadas em atividades sociais, com maiores refinos em seu acabamento e é aconselhável usa-la sem o coldre.

 

MINGUANTE DE MARÇO DE 2004.

CALTARS – “TO”

 

 


Andar Teatino

 

SEMPRE ANDEI PELOS COSTADOS,

COMO UM  PEÃO ANDARILHO.

MEU TRONO FOI O LOMBILHO,

EM TROPILHAS DE APORREADOS.

DEPOIS DE ESTAR ENFORQUILHADO,

E TRANÇAS OS DEDOS NAS CRINA.

MINHA  REZA E O FEITIÇO D CHINA,

NUMA IMPONÊNCIA DE MACHO

NEM QUE VIRE LOMBO A BAIXO,

NÃO ME TIRA MAIS DE CIMA.

 

TEATINO MAS “GÜENTO” A PUA,

MEIO BRABO E BEM TEIMOSO.

CAVALO QUE NÃO DÁ TOSO,

IGUAL MEU SANGUE CHARRUA.

SALTANDO NAS  ANCAS NUAS,

DUM POTRO SEM DESCONFIANÇA.

NESTA MINHA VIDA DE ANDANÇAS,

COM  OFÍCIO ABRI  MEU CAMINHO.

POIS EU  SEMPRE ANDO SOZINHO,

ENQUANTO  O TEMPO NÃO ME PARA.

 

ME LEMBRO QUANDO EU ENSILHO,

QUANTAS RODADAS E PATAÇOS.

A FORÇA QUE FIZ COM  OS BRAÇOS ,

E  DO ENTONO DE SER CAUDILHO.            

TRANQUEANDO SOBRE O LOMBILHO,

OLHANDO PARA  O TEMPO QUE PASSA.

CADA VEZ VEJO COM  MAIS   GRAÇA,

O TEMPO SE ESVAINDO EM PASSADO .

E O FUTURO CHEGANDO ATRASADO,

PARA APRIMORAR NOSSA RAÇA

 

     COM OLHOS DE VER O COMPAÇO,

     DOS CAMINHOS QUE JÁ CRUZEI.

     SÓ UMA BATALHA NÃO TRAVEI,

     TROPEANDO MAIS QUE CANSAÇO.

     E NO  GUARDAR O MEU LAÇO,

     SOBRAM DOCES LEMBRANÇAS.

     SEMPRE COM MAIS ESPERANÇAS,

     NO VELHO TEMPO PARCEIRO.

     NÃO ME GANHARÁ POR PRIMEIRO,

     DARÁ UM ALCE  NA CONFIANÇA.

 

                            NOVA DE SETEMBRO DE 1997

CALTARS – “TO”.


Faça seu comentário

Maneador

RUDE TRASTE CAMPESINO,

                           COM FUNÇÃO DETERMINADA.

                          TIRA DE COURO  PREPARADA,

PARA CUMPRIR SEU DESTINO.

CORDA CHATA QUE O  SULINO,

CARREGA SOBRE O LOMBILHO.

É UM RECURSO QUE O CAUDILHO,

USA PARA SOGUEAR OS ANIMAIS.

MUITO USADO PELOS ANCESTRAIS,

QUE ME LEMBRO QUANDO ENSILHO.

 

O BOM MANEADOR É TIRADO,

ANTES DA RÊS SER COREADA.

NO PESCOÇO INICIA A JORNADA,

VIRANDO PARA O OUTRO LADO.

COMO SE ESTIVESSE ENROLADO,

SEGUE EM DIREÇÃO A RABADA.

TRABALHE COM FACA AFIADA,

PARA FACILITAR  O SERVIÇO.

É  COMO ANDAR DE  PETIÇO,

A LENTIDÃO DA EMPREITADA.

 

 

CINCO BRAÇAS DE COMPRIMENTO,

POR DOIS DEDOS DE LARGURA.

O COURO COM BOA ESPESSURA,

SOVADO E POSTO AO RELENTO.

COMO QUE UM ENORME TENTO,

SERVE ATÉ PARA “PE-DE-AMIGO”.

COM ORGULHO OS MAIS ANTIGOS,

MANUSIAVAM COM  DESTREZA.

PODE-SE OBSERVAR A PUREZA,

DO TRASTE QUE LEVO COMIGO.

 

                     SÃO INÚMERAS AS SERVINTIAS,

QUE O MANEADOR DESEMPENHA.

PORTANTO SEMPRE MANTENHA,

UM POR PERTO NOITE E DIAS.

SEM ELE ANDAR NÃO PODIAS,

POIS COMPLEMENTA O APERO.

NÃO PAGO VALE A  POSTEIRO,

POR MAIS TORENA OU LADINO.

SAIO TROPEANDO O DESTINO,

PARA CHEGAR POR PRIMEIRO.

      

 

CHEIA DE JANEIRO DE 2003

CALTARS – “TO”.


Faça seu comentário

Medida

O PONCHO NEGRO DA NOITE,

EMPENUMBRA A LUZ DO DIA.

ARRASTA A SEMANA QUE  IA,

SE ENAMORANDO COM O MÊS.

E ESTE  POR MAIS DE UMA VEZ,

TENTOU COM O ANO CONVÊNIO.

UM SÉCULO SÃO DEZ DECÊNIOS,

NO CALENDÁRIO  GREGORIANO.

SEMANA,SÉCULO,  MÊS E ANO,

INICIAM E TERMINAM MILÊNIOS.

 

       CONVENCIONARAM MEDIDAS,

PARA POSICIONAR A HISTORIA.

PARA REGISTRARA  A MEMORIA,

DOS FATOS DURATE AS VIDAS.

 VARIANTES DESCOMPROMETIDAS,

 APÕEM DÚVIDAS  NO  INFINITO.

FAZ O ACONTECIMENTO  BONITO,

SER MAL-CANTADO OU DESFEITO.

NEM TODO CONTO É PERFEITO,

E MUITOS NÃO SÃO ESCRITOS.

 

CADA FATO TEM DUAS PARTES,

E NO MÍNIMO TRÊS VERSÕES.

A PRIMEIRA, SÃO AS VISÕES,

DO AUTOR  E  SEUS ENCARTES.

SEM NEGAR NEM FAZER ARTES,

REGISTRA O QUE FEZ E O QUE VIU.

O SEGUNDO TAMBÉM NÃO MENTIU,

MAS REGISTRA COM DIFERENÇA.

CADA QUAL DIZ O QUE PENSA,

E A VERDADE AINDA NÃO SURGIU.

 

                        OUVINDO O ABOIO DOS ANOS,

PARANDO RODEIO  PRA O TEMPO.

EU PARO RODEIO E CONTEMPLO,

O NOSSO TROPEIRO ARAGANO.

GIGANTE CENTAURO PAMPEANO,

REPONTA MUNAIA DE TROPA.

AO MESMO TEMPO GALOPA,

TENTANDO GANHAR O PERDIDO.

ESTE CAMINHO É MAIS COMPRIDO,

SÓ RESTA SABER QUEM TOPA.

 

 

CHEIA DE FEVEREIRA DE 2006.

CALTARS – “TO”.

 

 


Faça seu comentário

Tche Music – Tempestade em Copo d’água

                        Muitas instituições anteriores ao “35” Centro de Tradições Gaúchas, preocuparam-se com o registro dos hábitos e costumes do Rio grande do Sul. As que mais se salientaram foram a Sociedade Partenon Literário, fundada por Apolinário Porto Alegre, em  18 de janeiro de 1868, que publicou o romance “O Vaqueano e Divina Pastora de Caldre e Fião; e o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, fundado em 22 de maio de 1898, por João Cezimbra Jaques. Este, o primeiro movimento organizado  voltado à defesa da Tradição  Gaúcha. O Regionalismo surgiu com José de Alencar dimensionando o tipo com suas obras “O Gaúcho e O Sertanejo”.  Em 24 de abril de 1948 surge o “35” CTG, com a finalidade exclusiva de promover atividades sociais, voltadas à comunidade tradicionalista.  No fim da década de cinqüenta, houve a necessidade de criar o Conselho Coordenador do Tradicionalismo Gaúcho pelo 6º. Congresso Tradicionalista, realizado em Cachoeira do Sul. Para  dinamizar a organização, o 12º. Congresso Tradicionalista, realizado em  Tramandaí , no CTG Potreiro Grande cria o MTG/RS com o objetivo de congregar as entidades tradicionalistas, preservar o núcleo  da formação gaúcha e a filosofia do Movimento Tradicionalista, decorrente da sua Carta de Princípios. Isso tudo não aconteceu por acaso e nem foi  elaborado por algumas pessoas. É um movimento com aceitação popular, com proposta definida, onde se defende a igualdade de raça, cor e credo. O CTG foi criado para hospedar a música nativa autêntica, a nossa música pura, sem  nenhum adereço, sem mistura de ritmos, sem bateção de pedal e tambor para encobrir a desarmonia dos outros instrumentos. Em CTG não se ouve rocknroll, twist, forró, tchê music,  ou qualquer outro gênero musical que não seja pelo menos aculturado no Rio Grande do Sul. Nós, os tradicionalistas preservamos pela nossa cultura, pela nossa língua, pela nossa indumentária, pela nossa música e principalmente pela nossa Pátria, com muito amor e civismo e estamos satisfeitos com o que é nosso, sem precisarmos adicionar nenhum ingrediente apócrifo.

                        CHEIA DE AGOSTO DE 2006.

                        CALTARS – ‘TO’


Faça seu comentário