segunda-feira, 21 de maio de 2012

Farrapo

Foram chamados Farrapos,

Os Farroupilhas – Republicanos.

Defenderam por quase dez anos,

A Pátria, a nação, a liberdade.

Lutaram para diminuir a vaidade,

E a gana voraz do império,

que não administrava sério,

A  Província Rio-Grandense,

Muito embora alguns pensem;

Que usavam o mesmo critério.

 

Brasileiros de respeito,

Honestos, bons e leais.

Extensão dos ancestrais,

Pacíficos como criaturas,

Guerreiros pela bravura,

Vaqueanos por conhecimento.

Rio-Grandenses de nascimento

E quem não era nato ficava,

Pela proposta que ecoava,

Um total descontentamento.

 

O movimento se instala,

No sangue nativo e Pampeano.

Temperado pelo Minuano

Com cheiro de liberdade.

Varrendo campo e cidade,

Em busca de um direito,

E pelo que não foi feito,

Nesta província sem dono.

Pois era total o abandono,

E os presidentes sem pleito.

 

 De partido a movimento, e deste à revolução,

Bravos farrapos iniciaram a busca ideal.

Contra o poder e o desmando imperial,

Bento Gonçalves e Canabarro arquitetam,

Souza Neto e Teixeira Nunes, completam,

Com as tropas nativas e batalhas sem fim,

Garibaldi, Onofre  Pires, com Gomes Jardim,

Acompanham Almeida e Mariano de Matos,

Bernardo e Marciano se inteiram dos fatos

Sob o som e  ordem de um mesmo clarim.

 

O encontro da Azenha, foi o marco inicial

Entrada em Piratini e tomada de Rio Pardo.

A derrota em Rio Grande foi um fardo,

Para a brava e insipiente tropa caudilha.

Restaurando Porto Alegre, Seival foi a trilha,

Da república almejada na província pampeana,

Alegria Farrapa, com  imperiais na campana.

Na batalha do Fanfa, prendem, Tito e  Bento,

Ficaram os farrapos num desolado lamento,

Até a fuga do Forte feito  a nado e chalana.

 

   A tomada de Lages; capital em Caçapava.

  Garibaldi transporta o Rio Pardo e  Seival.

  Em campos Rio-Grandenses a Armada Naval.

 De Patos ao Tramandaí vão os barcos em coluna

 República Juliana e tomada de Laguna.

 Combate do Taquari, indeciso sem sorte,

 Muito frio, pouca pilcha e difícil transporte

 Porto Alegre é titulada “mui leal e valorosa”,

 O assassinato do vice desmoraliza a gloriosa,

  E o duelo dos tauras culmina  com morte.

 

Caxias assume o comando das tropas.

Com poder, recurso, mais um bom arsenal.

Alegrete aparece para sediar  a  capital.

Ponche Verde é combate,  resultado indeciso

A revolta enfraquece pelo grande prejuízo.

Legalistas dominam a Província em chama.

O massacre em Porongos mais sangue derrama.

Quaró é o combate que  dá fim ao almejado;

Sem arma, sem poncho, as vezes mal montado.

A paz em Ponche Verde, é Caxias quem  proclama.

 

 O ideal dos farrapos custou vidas preciosas.

Nuca foi atingido por motivos pessoais,

A miséria e o cansaço, antagoniza os rivais.

Assinatura da Paz, Ponche Verde é marcante.

Aos coronéis e guerreiros o Império garante

Os  seus postos e alforria aos escravos libertos.

Liberdade aos prisioneiros em destinos incertos.

A república, e os anseios:  não puderam alcançar.

Resistiram o que deu. Não conseguiram agüentar.

Sonhos desfeitos, miséria presente interesses encobertos

 

                                      CHEIA DE AGOSTO DE 1999.

                                      CALTARS – “TO”.

 

 

 

 


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