segunda-feira, 21 de maio de 2012

Gado

GADO

 

            Uma das riquezas brasileiras,  em especial do Rio Grande do Sul, é o gado. Fonte de alimento para suprir necessidades proteicas da população, que foi envolvida pela cultura  sulina de ter como prato principal, o churrasco. Muito embora o churrasco não seja privilégio nativo do  Rio Grande do Sul.  A História nos informa que 900 anos a. C., Homero descreve uma festa que Aquilles oferecera a Ájax e, nesta  descrição consta o churrasco assado em espeto ao calor do fogo, fato, segundo a citação, assistido por Pátroco. Quando a senhora Ana Pimentel, esposa de Martim Afonso de Souza, donatário da Capitania de São Vicente, importou de Portugal em 1534, algumas cabeças de gado, talvez não imaginasse que se propagaria ate Piratininga, para dessa localidade, algumas serem transportadas para Assunção, no Paraguai, pelos irmãos Cipião e Vicente Gois por determinação do Capitão espanhol Juan de Salazar de Espinñosa, que em 1555 regressara para aquela localidade de onde viera. Os irmãos Gois conduziram até a Capital do Paraguai sete vacas e um touro, as tradicionalmente chamadas  “vacas de Gaete”.  O Paraguai aumentou cosideravelmente seu rebanho com gado procedente do Peru. No ano de 1634 o Pe. Cristóvão de Mendoza Y Orellana acompanhado de índios Guaranis, chefiados pelo  morubixava Guaiamica tropearam do Sul do Paraguai para o Noroeste do Rio Grande do Sul, mil e quinhentas cabeças de gado, com a finalidade de  abastecer as primeiras Reduções do  período inicial 1626.  Esta tropa foi distribuída por quinze povos, cada um recebeu noventa e nove vacas e um touro. Desta forma  realizou-se a primeira tropeada na nossa Querência, dando início ao tropeirismo e, imediatamente o tradicionalismo, as lides, o manuseio do gado nos criatórios fez com que aumentasse, consideravelmente o número de rezes até surgirem grandes rebanhos, a maioria chimarrão, os quais formavam as Vacarias dos Pinhais, quando em pleno desenvolvimento foi assaltada por bandeirantes paulistas levando grande parte do gado. Os jesuítas  arrebanharam o que sobrou e rumaram para o Sul,  lá constituindo as Vacarias do Mar. Novamente foram devassados por preadores.  .Sem desistir do empreendimento, constituíram a Estância do Yapeyu (japeju), o que alguns autores consideram  Vacarias do Uruguai. As vacarias eram consideradas bem comum “avambaé”, funcionavam como  cooperativa, procedimento que os jesuítas aculturaram  e aperfeiçoaram dos Guaranis onde todos trabalhavam  em prol da comunidade. As vacarias tiveram grande expansão até o Tratado de Madrid, em 1750. Portugal entrega a Colônia do Sacramento para a Espanha e esta entrega a Portugal os Sete Povos, tendo este procedimento desmobilizado o trabalho comum dos tuxauas guaranis ficando o gado  ao bel-prazer dos faeneros, dos preadores, e mais tarde dos  changadores constituídos por  gaudérios], desertores, índios, charruas e outros. Mesmo assim muitos hábitos continuaram  ativos, tais como o emprego das boleadeiras, do laço, do xiripá e tantos outros. Destes, os mesmos hábitos passaram para os portugueses que entregaram aos imigrantes, que os adequaram as necessidades hodiernas para uma produção mais apurada, com menor esforço e maior produtividade. Esta minúscula informação, sobre a origem do gado no Rio Grande do Sul que exigiu a presença do ofício de tropeiro, não pode desconhecer a participação  de Francisco de Souza Faria que em 1727  começou abrir um caminho  denominado estrada dos conventos que diminuiria consideravelmente a distância entre a Colônia do Sacramento e o povoado de Laguna que consumia  setenta adias.  A estrada dos Conventos iniciava na foz do Ararangua e subia até onde o atual município de Lajes. Este empreendimento não chegou a ser concluído.  Mais tarde, o  jovem lusitano Cristóvão Pereira de Abreu  em 1730 -32  com o auxilio do Padre-Mestre Diogo Soares, cartógrafo mandado pelo  Rei para mapear  a região, conseguiu concluir a Estrada dos Conventos que ligava os Campos de Viamão a Lajes e  por ela  começaram tropear castelhanos, preadores e tropeiros. Inclusive o próprio Cristóvão Pereira em 1732  conduziu uma tropa  composta de aproximadamente, de três mil animais, até  a feira de Sorocaba em São Paulo. Por ordem de Gomes Freire de Andrade, o tropeiro Cristóvão Pereira  de Abreu abriu o caminho das tropas para as Missões ligando Laguna a região missioneira pelas localidades de  Bom Jesus, Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo,  Carazinho, Cruz Alta e Palmeira das Missões. Estes  pioneiros da lida com o gado deixaram para nossos estancieiros a marca da persistência e bravura. Hoje com a evolução tecnológica, o manuseio de animais é  completamente diferente do daqueles tempos, mas se não fosse todos estes acontecimentos não estaríamos realizando projeções folclóricas e tradicionais nas nossas Festas Campeiras, promovidas e preservadas pelo Movimento Tradicionalista do rio Grande do Sul.

 

NOVA DE ABRIL DE 2008.

CALTARS – “TO”.


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