quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

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Vinte de Setembro

VINTE DE SETEMBRO

 

                                   Semana Farroupilha, edição 2007, oportunidade que se realizaram desfiles, palestras, reuniões, comemorações, representações, homenagens, fandangos, almoços, jantas e mais uma infinidade de manifestações. Tudo em nome do Decênio Farroupilha, da Epopéia Farroupilha e dos Farrapos. Este ano visitei diversas Instituições Tradicionalistas da nossa Região e fora dela. Em nenhuma saí aplaudindo ou satisfeito com as manifestações que assisti. Presenciei várias delas focadas para o palco da festa, da gastronomia, do invencionismo e demonstrações que nada tem a ver com os Farroupilhas, com o decênio ou com os Farrapos. Observem comigo este panorama. Em 07 de abril de 1832, Luiz dos Reis Apolin, funda o Partido Farroupilha em Porto Alegre. Em 14 de outubro de 1834 o Jornal “A Sentinela da Liberdade”, em sua edição número 449 critica  a existência de Farroupilhas em Porto Alegre. Conhecendo estas informações, fui obrigado a ouvir uma fala em praça pública de que os Farrapos eram assim chamados por que seus trajes após dez anos de luta estavam em frangalhos. Manifestações dessas nada somam, tão-somente registram inverdades e confundem os ouvintes. Vi em Centros de Tradições Gaúchas filiados ao Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, freqüentadores, usando em ambiente social e fechado, faca, tirador, chapéu, boina, camisas estampadas, prendas usando vestidos de mangas curtas com três ou quatro babados, esporas, barbicachos de metal, etc, etc. Vi em  estabelecimentos bancários e firmas funcionárias trajando chiripá farroupilha, traje masculino (usado  nos anos 1834/65) e calçando sapatos salto 15. Isto é perfeitamente incompreensível.  Será que ainda não chegou a hora de entendermos que em 18 de janeiro de 1868, Apolinário José Gomes Porto Alegre, fundou o Partenon Literário com a finalidade de registrar a Cultura Regional e trinta anos após o Major do Exército João Cezimbra Jacques, em 22 de maio de 1898 fundou  o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre  e quando se realizou o 12º. Congresso Tradicionalista Gaúcho, no Centro de Tradições Gaúchas Potreiro Grande em Tramandaí, foi criado o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Além disso existe farta literatura sobre como o tradicionalista deve vestir, proceder e portar-se nas atividades campeiras, artísticas, culturais e sociais. Mesmo  assim ainda existem dúvidas de que em cada uma destas atividades retromencionadas, nós devemos sustentar uma postura adequada para bem representar nossa Instituição. Porque precisamos misturar campo  com mangueira e esta, com o social? Todas as demais instituições culturais, sociais, esportivas e religiosas possuem normas e as cumprem. Porque  não cumprimos as nossas? Com todas as informações que temos a disposição, será por teimosia, por total desconhecimento ou por inatividade dos Departamentos Culturais de cada Instituição Tradicionalista? que não as observamos?. A vida nos ensina que quando alguma coisa merece ser feita, deve ser bem feita e para bem realizá-la, sem dúvidas, deve ser executada por quem conhece e domina o assunto, os que não reúnem o conhecimento necessário para realizar a atividade proposta, devem buscá-lo através de estudos, pesquisas e informações, ou deixar para que tarefas dessa natureza sejam realizadas  por quem   entende do assunto.

                        CHEIA DE SETEMBRO DE 2008.

CALTARS – “TO”


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Folclore

                                            Encontro Regional é uma atividade que se realiza, no âmbito da área geográfica da Região Tradicionalista,  que acontece  bimestral ou trimestralmente,(Art. 229 do Regulamento Geral do MTG/RS). Depende  das atividades desenvolvidas pelas instituições. Normalmente, realiza-se  em locais predeterminados. Nessas reuniões encontram-se patrões,  patroas,  capatazes, peões  prendas, tradicionalistas, autoridades executivas, legislativas, educacionais,  militares,  eclesiásticas, judiciárias,  familiares dos tradicionalistas, simpatizantes da cultura  gaúcha, enfim, representantes de todas as forças vivam de uma comunidade e, como não poderia ser diferente, os representantes dos órgão de comunicação em busca de informações sobre a nossa cultura. Pois foi exatamente numa dessas  reuniões que conversando com o João Batista, na época um dos diretores do Jornal ” O  Chasque” , que surgiu a idéia de informarmos sobre: tradição, tradicionalismo, tradicionalista, nativismo, nativista, folclore e folclorista. São atividades semelhantes? São iguais?  Ou  apresentam alguma diferença? Claro que não podemos tratar de toda   matéria num  único artigo. Desta forma, vamos  conhecer primeiro a ciência, o Folclore, depois o tradicional, e numa  seqüência lógica, atingiremos, o regional e o nativo . Quanto ao termo Folclore temos a informação de que tudo começou quando,  no dia 22 de agosto de 1846, ” The Atheneum”, um dos jornais de Londres, publicava a carta de William John Thoms, propondo que tudo quanto na Inglaterra, chamavam-se de antigüidades populares, literatura popular, ” embora seja mais precisamente um saber popular do que uma literatura, e pudesse ser, com mais profundidade,  designado como uma boa palavra anglo-saxônica, FOLK-LORE saber tradicional do povo”.  Definia  nominalmente estudos  que vinham sendo realizados desde tempos imortais, porém só no final do século XVIII é que concretizaram-se numa posição definida e aceita pela comunidade internacional. Referia-se Thoms aos estudos dos “usos, costumes, cerimônias, crenças, romances, refrãos, superstições, lendas, modos de sentir e de agir de um povo”.  Não só filósofos como: Vico, Voltaire e Rousseau, tinham chamado a atenção para o sentido fundamental da criação popular, como ainda a coletânea dos escritores alemães, Wilhelm e Jacob Grimm, de contos e estórias para rastrear sua origem. Tudo isso fez com que o termo  FOLK-LORE contribuísse com a definição sistematizada dos estudos de sabedoria popular.  O termo FOLK-LORE, não teve, imediatamente  uma aceitação expontânea de todos os países. Gradativamente, foi ocorrendo uma assimilação até solidificar sua plena aceitabilidade, pois a França falava em  OUI-DIRE, outros em DOMOLOGIA; os alemães   manifestavam-se com WOLKKUNDE e outras semelhantes, inclusive o FOLCKLORE. Mas afinal o termo foi aceito universalmente  com as devidas adaptações de cada língua. A palavra  folk com sentido de povo, utilizado em expressões quais – cultura folk, folkwais, folcmúsica, homem folk etc. e lore com o sentido de sabedoria, dizendo-se o lore dos caçadores, o lore dos guaranis. Em inglês  hoje a palavra é escrita sem o hífen FOLKLORE e, em português  FOLCLORE por ter desaparecido do alfabeto brasileiro a letra “k”. Conceitua-se  o Folclore como sendo ” A ciência que estuda todas as manifestações espontâneas do povo gráfico (aqueles que já possuem escrita), tanto do ponto de vista material quanto espiritual. Como o próprio nome sintetiza, é a ciência do povo, são as tradições,  os costumes, as crenças, enfim, tudo o que nasce do povo e foi transmitido através das gerações, sem um ensinamento regular. É exatamente aquilo que foi transmitido de geração para geração e teve aceitabilidade. Hans Naumann, diz: “que o folclore é de origem erudita, vindo circular entre o povo que aceita, adapta e faz coisa sua”.   O professor Luiz da Câmara Cascudo  conceitua folclore  dizendo que ” é a cultura popular, tornada normativa pela tradição”, compreende técnicas e processos utilitários que se valorizam numa aplicação emocional, alem do ângulo de funcionamento  racional. A mentalidade, móbil e plástica torna tradicional os dados recentes, integrando-os na mecânica assimiladora do fato coletivo, como a imóvel enseada dá  a ilusão de permanência estática, embora renovada na dinâmica das  águas vivas. Consequentemente,  o folclore é o que foi, o que é e, o que será ou que virá a ser, sem perder as características de: aceitação coletiva, funcionalidade, espontaneidade, intemporalidade, tradicionalidade e anonimato, sendo as duas últimas descaracterizadas quando o povo toma a autoria para sí como é o caso da composição “Negrinho do Pastoreio”. O senhor H. Castelo Branco, Presidente do República, em data de 17 de Agosto do ano de 1965, assina o Decreto nº56.747, instituindo no Brasil o dia 22 de agosto o dia do Folclore. DECRETO Nº. 56.747 DE 17 DE AGOSTO DE 1965 que Institui o DIA DO FOLCLORE. O Presidente da República, usando  da atribuição que lhe confere o artigo 87 – inciso I, da Constituição e: Considerando  importância crescente dos estudos e das pesquisas do Folclore, em seus aspectos antropológicos, social e artístico, inclusive como fator legítimo para o maior conhecimento e mais ampla divulgação da cultura popular brasileira; Considerando que a data de 22 de agosto, recordando o lançamento pela primeira vez, em 1846, da palavra Folk-Lore, é consagrada a celebrar este evento; Considerando que o Governo deseja assegurar a mais ampla proteção às manifestações da criação popular não só estimulando sua investigação e estudo, como ainda defendendo a sobrevivência dos seus folguedos e artes, como elo valioso da continuidade tradicional brasileiro, decreta: Art. 1º.  -  Será celebrado, anualmente, a 22 de agosto, em todo território nacional, o Dia do Folclore. Art.    - A Campanha da Defesa do Folclore Brasileiro do Ministério de Educação e Cultura e a Comissão Nacional de Folclore do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura e respectivamente entidades estaduais deverão comemorar o Dia do Folclore e associarem-se  a promoções de iniciativa oficial ou privada, estimulando ainda, nos estabelecimentos de curso primário, médio e superior, as celebrações que realcem a importância do folclore na formação cultural do país. Art. 3º -  Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 17 de agosto de 1965; 144º da Independência e 77º da República. H. CASTELO BRANCO  Flávio Suplecy de Lacerda. Folclorista  é a pessoa que estudas as  diversos aspectos do folclore, contextuando o conjunto das tradições, lendas, canções, crendices, superstições, música popular, lúdica adulta e infantil, usos e costumes na agricultura, pecuária, astronomia, metereologia, alimentação, caça, pesca, habitação medicina caseira,  benzeduras, cerimônias e rituais.

MINGUANTE DE JANEIRO DE 2002.

CALTARS “TO”

 


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Tradição

                                      Ensinam as enciclopédias e os dicionaristas que “tradição”,  é o ato de transmitir ou entregar; transmissão oral de lendas, fatos, acontecimentos e coisas boas, de idade em idade; transmissão de valores espirituais, conhecimento ou prática de hábitos inveterados; recordações, memórias, etc. “para o gaúcho a tradição é um culto quase como uma religião. Para nós gaúchos, tradição é tudo de bom que venha do passado e que não conflite com o progresso, deve ser preservado, vivido e cultuado. O grande sociólogo e folclorista Câmara Cascudo, escreve: “A memória é a imaginação do povo, mantida e comunicável pela Tradição, movimentando as culturas convergidas para uso, através do tempo. Essas culturas constituem quase a civilização nos grupos humanos. Mas existe um parâmetro de observações que se tornam normas. Normas fixadas no costume, interpretando a vontade popular. ”São estas normas fixadas no costume, como muito bem definiu o professor Cascudo, que o gaúcho tradicionalista, consciente, preserva, não só para sua satisfação pessoal, mas que seja sentida e vivida por seus semelhantes. O tradicionalismo é aquele estado de espírito que cada cultor sente ao projetar feitos e hábitos de antanho para as fainas atuais sem ferir princípios básicos de ordem procedimental. Outro sociólogo, aqui dos nosso pagos; Armando Câmara, afirma:  “Tradição não é, pois, um simples tema sentimental, arcaísmo estranho, saudade apostas as exigências da perfeição social. Tradição não é fidelidade aos desvalores e as taras de um passado que, dadas as contingências humanas, possuiu, como possui o presente e possuirá o futuro, males, erros, imperfeições e injustiças sociais. O que se deve amar e servir na tradição é o seu conteúdo de valores positivos, comprovado por experiências seculares. É a esses valores que devemos dar fidelidade não por serem passados, mas por serem eternos. O presente e o futuro valerão na medida em que os encarnarmos no interior de novas  circunstâncias históricas, traduzindo-os em ordenamentos sociais mais justos”. A compreensão coletiva de toda esta gama de considerações cristalizou-se na alma gaúcha, sublimando a tradição em tradicionalismo, que para o gaúcho é uma filosofia de vida, um modo de ser, de sentir, de pensar e de agir. Filosofia que se transformou num manancial de solidariedade humana. “um nacionalismo pronto a despertar e agir no momento em que os interesses nacionais venham a exigir o seu pronunciamento”; no  abalizado dizer de Olinto Sanmartin e já  tantas vezes posto em prova e comprovado. Podemos considerar como marco inicial do tradicionalismo organizado no Rio Grande do Sul, o dia 24 de abril de 1948 com a fundação do “35” Centro de Tradições  Gaúchas. O “35”foi a sementeira desta seara de agremiações congêneres que hoje atinge o Sul e Centro-Oeste e com ramificações no Norte do País, que se faz representar praticamente em todo o Brasil. Tomando a feição  de uma estância simbólica onde o presidente é o patrão, os departamentos, são as invernadas , os integrantes femininos são as prendas e os masculinos  denominam-se peões. Organizaram-se como Centros de Tradições Gaúchas, verdadeiros  centros culturais, associando, principalmente a poesia, a música, as danças em suas expressões locais e, atualmente, com a grande atualização das ” Festas Campeiras, através das Leis nº.11.719 e 11.720 de 07 de Janeiro de 2002), entrou nesse rol de atividades as lides campeiras, artísticas ou desportivas, entre elas as habilidades com o cavalo. Na verdade esses Centros vêm escrevendo um capítulo especial  do nosso urbanismo que precisa ser melhor  estudado. Estão numa fase de diálogo entre a vivência urbana e o campo, sendo que os primeiros passaram a adotar ou, a seu modo entendem terem adotado os hábitos rurígenas. Este estágio já envolve grande parte da sociedade convencional. O Galpão, não só conquistou o seu espaço social junto ao povoeiro como carismaticamente, por filosofia ou por princípio envolve seus novéis participantes. Com muita razão Vianna Moog, dizia em conferência na Academia Rio-Grandense de Letras: – Enquanto o Kerb morre na colônia, sem ter atingido o campo, o fandango  de lá vem e invade vitoriosamente a colônia e a cidade”. É claro que a simplicidade, o respeito e a espontaneidade imperam na representatividade da cultura popular. Nem tudo tem sentido autêntico ou verossímel. Mas é inegável que seus praticantes tenham procurado evitar que se propague um procedimento errôneo de imobilismo ou de regressão e cultivando a mensagem de que não se trata de mero fato repetitivo do passado, que não é um modelo, mas cultuá-lo porque é exemplo. Não um lago parado, como dizia Glaucus Saraiva da Fonseca, mas um rio que anda. Dentro dos Centros de Tradições Gaúchas, nasceram os festivais, a exemplo da Califórnia da Canção que num ritmo extraordinário pulverizou o Rio Grande do Sul de califórnias, penhas, tertúlias   e tudo mais que possa reunir composições musicais ou temas da querência. Este fenômeno também pode e deve ser observado com mais critério, pois a ânsia, a vontade, o desejo ou o bairrismo de divulgar sua querência em claves, no menor tempo possível, adotou o infiel procedimento da imperfeição. Arremessou para longe de realidade, determinando ritmos  que nem se quer aculturaram-se e tantos outros que nem revelam os anseios da nossa gente. Estes festivais contribuíram, contribuem e certamente contribuirão  com o tradicionalismo, resguardando é claro as propostas aceitáveis do invencionismo e do modismo, ingredientes malignos aos cultores da tradição. No rol dos tradicionalistas, a grande maioria recebe informações através de fontes dignas e credenciadas que oferecem com perfeição todas as normas do culto as tradições. Em contra partida, uma insignificante minoria procede de maneira errônea, desaconselhavel e irreal; por incrível que pareça, esta minoria errada, desconcertante é a que mais marca e reúne mais adeptos para a prática de tais impropérios. Assim como o fandango invadiu a colônia e a cidade os disparates, as tontas pleiteiam promiscuidade na cultura tradicional. Enquanto o tradicionalista firma seu procedimento nas bases culturais do Rio Grande do Sul, construídas por mãos de vaqueanos detentores das boas informações da querência, esculpidas na rocha do tempo, os aventureiros e desenformados cancheiam as mágoas de irrealidade com incomensuráveis possibilidades de chagar a lugar nenhum.

 

CRESCENTE DE JANEIRO DE 2002

CALTARS – “TO”


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Regionalismo

 

                        Os nossos leitores conhecem o motivo que sugeriu este dialogo sobre folclore, tradição e regionalismo. Pretendemos atingir na próxima  edição, o nativismo. Entendemos ser de suma importância este conhecimento, tanto para os folcloristas que, normalmente o possuem, quanto para os tradicionalistas e nativistas que, pelo que se vê, na grande maioria não dominam esse conhecimento. Assim, entendemos que jamais alguém poderá ser  um bom  tradicionalista, sem dominar,  completamente,  o conhecimento do Folclore, do nativismo e do tradicionalismo. Os ” tradicionalistas” em sua grande maioria, não têm o preparo suficiente para desenvolver, administrar e exercitar com fidelidade os hábitos e costumes da cultura Rio-Grandense. Como exemplo dessa referência citamos:  A maioria dos Centros de Tradições Gaúchas, não possuem um departamento cultural organizado;  os patrões nem sempre reúnem o conhecimento necessário para  dirigir uma Instituição Tradicionalista; os peões, na maioria das vezes,  desvirtuam  a finalidade de certas peças da indumentária gaúcha, como o uso do tirador (peça  que tem a finalidade de proteger a roupa e a coxa de quem peala a pé), usado em cavalgadas, passeios e outras atividades sociais ou de lazer, por pessoas que não sabem e, algumas nunca viram pealar a pé. Diante desse panorama  é  muito difícil alguém cultuar  o tradicionalismo ou regionalismo,   doutrinas  incrementadoras  dos grupos que defendem  e exercitam  a  literatura que norteia os costumes  e tradições regionais.  O regionalismo  nada mais é do que a maneira de pensar e agir dentro de uma área geográfica, denominada região, como se esta fosse um todo cultural, dimensionando seus valores como maiores do que os similares das outras regiões. Tomando como exemplo a realidade da nossa Pátria, o Regionalismo, enquanto movimento cultural, posiciona-se contrário a globalização das comunidades que constituem  uma região e, com base nesse procedimento, não admite enfraquecer o grupo local, pois os valores daqui sempre serão, para o Regionalismo,  os que embasam  o procedimento dos habitantes dessa área. O Regionalismo é a doutrina que acolhe os grupamentos  adeptos da cultura de  sentimentos, expressão própria de uma região.  Esta região deve dimensionar o limite geográfico ao alcance dos procedimentos  semelhantes, determinados pela originalidade de suas raízes culturais. O termo Regionalismo, tem sua origem etimológica assentada no latim “regio”, “regionis”  ( região, plaga, território). É o vocábulo empregado para designar o apego, com exclusiva preferência pelos fatos e coisas de uma região, em detrimento aos de uma outra, muito embora ambas estejam situadas no mesmo país. Regionalista é aquele que exercita, que desenvolve com fidelidade as posturas e os valores  éticos e morais de uma região, priorizando-os  sobre os demais de sua própria Pátria sem jamais  deixar de ser patriota.

 

MINGUANTE DE FEVEREIRO DE 2002

CALTARS – “TO”


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Brinco-de-Princesa

                        Exatamente quando  nosso século prepara-se para encerrar sua atividade na estância grande do tempo, surge mais um elemento no complexo jurídico estadual. Este, embora emergente, já ocupando espaço junto aos  demais símbolos da querência, por força do Decreto nº38.400 de 16 de abril de 1998, os gaúchos podem somar à erva-mate  e ao quero-quero, árvore e pássaros símbolos do Rio Grande do Sul, a flor  símbolo, o brinco-de-princesa.Instituída por  decreto do Governador  Antônio Brito, como flor símbolo do Estado, a Fuchsia Regia, é a representante máxima das flores do Rio Grande do Sul. O documento assinado pelo Governador             que oficializa a opção será apresentado na Fundação  Zoobotânica pelo Secretário da Agricultura, Caio Tibério da Rocha. O brinco-de-princesa venceu a seleção depois de um estudo minucioso  desenvolvido em aproximadamente seis meses, feito por uma equipe de técnicos da Fundação Zoobotânica. A comissão  estabeleceu que a flor símbolo deveria  cumprir alguns requisitos, sem os quais estaria, automaticamente, eliminada da seleção. Buscavam uma flor nativa do Estado, que não fosse composta  e que não causasse confusão na identificação. Somados os pontos, a vencedora foi a brinco-de-princesa, encontrada na Mata Atlântica do Estado, na região Nordeste penetrando no Planalto Central. Esta flor oferece potencialidade econômica, pois tem uso paisagístico e também atrai os beija-flores  que buscam o néctar. A Fuchsia Regia elenca  as características que seguem: – É um arbusto com altura  aproximada de um metro, quando isolada, e até quatro metros quando apoiada; – suas flores atingem  a quatro centímetros têm quatro sépalas cor-de-rosa, quatro pétalas roxas e longos estiletes vermelhos;  - o arbusto floresce de outubro a maio; – prefere ambiente  úmido  e de meia sombra; – não tem  perfume; – ocorre na região da Mata Atlântica, abrangendo o Nordeste do Estado e parte do Planalto Central. No meio tradicionalista, a novidade ainda não tem uma  opinião formada. Uns prometem estudar essa  raridade eleita símbolo para depois se manifestar. Outros dizem que  tanto faz, nos já possuímos diversos símbolos e eles de pouco a quase nada têm ajudado a resolver os problemas do Rio Grande. Ainda restam os pavenas  e os caudilhos  detentores  dos conhecimentos guasca da querência que de relancina “vão mandando bala”: – Olha chê!  Com tanta coisa para fazer, o governo foi escolher logo uma flor para ser símbolo. É dose. Mas, lei é lei, deixamos as tantas coisas esperar o seu tempo e vamos a lei de Flor símbolo.

CHEIA DE MAIO DE 1990

CALTARS – “TO

 

DECRETO Nº.38.400 DE 16 DE BRIL DE 1998.

 

Institui a Flor Símbolo do Estado do RIo Grande do Sul.

 

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RI GRANDE DO SUL, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 82, Inciso V, da Constituição do Estado,DECRETA:

 

         Art. 1º. – É instituida com Flor Símbolo do Estado do Rio Grande do Sul a espécie Brinco-de-Princesa, “Fuchsia Regia (vell.) Munz”, da Família ONAGRACEAE.

 

          Art. 2º. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

 

          Art. 3º – Revogam-se as disposições em contrário.

 

          PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 16 de abril de 1998.

 

                                    ANTONIO BRITTO

                                  Governador do Estado

 

 


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Jogo de Osso

                        O jogo do osso ou taba, segundo  nos indica Heirich Bunse é de origem espano – platense como revela a pronúncia “tava”  termo usado  tanto na Argentina quanto no Uruguai. Entende-se por taba o jogo do osso, ou o osso propriamente dito com o qual se exercita o jogo. A  taba é um osso extraído do garrão do boi, quanto maior for o animal, oferecerá um osso de maior porte. Anatômicamente esse osso denomina-se de astrágalo. Nome de origem grega. Sabe-se que na Grécia antiga, astrágalo, além de denominar um tipo de osso  também significava dado diferenciando do cubo por ser marcado apenas em quatro  faces e o plural “estrágaloi”, era o  jogo de dados. O astrágalo é um osso  que mede aproximadamente 4×3x7 centímetros tendo nas suas faces longitudinais uma de forma mais lisa e outra com diversas cavidades e saliências, sendo esta a que  se denomina “sorte”, quando no jogo cai voltada para cima. Ao contrário desse procedimento, isto é, quando a parte mais plana fica voltada para cima é “culo”. Quando a taba fica com uma das partes laterais, quer dizer não foi sorte e nem culo, a jogada vale “nada”. Em certas oportunidades, em algumas regiões os praticantes do jogo do  osso preferem  fixar lâminas metálicas nas extremidades para que haja um equilíbrio maior no arremesso  do osso. O jogo do osso é praticado na “cancha”. As canchas normalmente estão implantadas  em bolichos, bodegas ou pulperias  na maioria das vezes locais não muito recomendáveis a freqüência. Também, aparecem canchas de jogo do  osso em carreiradas de cancha reta, festa de Igreja e outros locais de reunião festiva, inclusive em alguns festivais nativistas, como atividade paralela.  A cancha é uma pequena área de terra, préviamente preparada num solo mais ou menos parelho não muito duro nem muito macio. Deve Ter uma braça de largura e três de comprimento. No meio  crava-se uma estaca de cada lado  onde se amarra uma piola (cordão, barbante ou o que o valha) para demarcar a Raia. Também pode-se demarcar a raia, simplesmente com um risco no chão. Nas  cabeceiras deve existir um local de terra mais macia, tipo um barrinho para que o osso  ao tocar o chão não salte, este local denomina-se de batedor. Os jogadores postam-se na cabeceira da cancha  um joga daqui para lá e o outro de lá para cá. No meio fica o coimeiro, responsável pela parada ou banca. É o guardião dos valores apostados e desempenha a função de juiz. Nos locais do jogo costuma  reunir diversas pessoas, os jogadores, curiosos e os que jogam “por fora”, isto é, aqueles que jogam no braço  de um dos  jogadores que estão realizando o jogo. Os jogadores prontos para iniciar o jogo cada um posta-se numa raia e prepara-se para o primeiro tiro, fazer com que o osso caia no local determinado na raia do adversário, se cair de lado é nada. Nada vale a jogada. Caindo com a parte lisa para cima é culo, caso o seu antagonista   jogue a clave  “suerte” está ganha  a parada e imediatamente o coimeiro paga a banca descontando “o barato ou coima” que pertence ao pulpeiro que quando não é o próprio coimeiro  é o dono da cancha. O barato ou coima é um percentagem, uma parte do  montante do jogo. Este jogo não possui regras definidas, o que faz com que em muitas oportunidades hajam calorosas discussões e a palavra do juiz de pouco ou quase nada vale. Este é o grande motivo de que o jogo do osso, na maioria das vezes é por demais tumultuado e perigoso. Mesmo assim muito apreciado na campanha e nos pontos de reunião dos desocupados, aventureiros e jogadores ou, simplesmente, por aqueles que gostam de manter esta atividade  para transmitir a outras gerações.

 

CRESCENTE DE SETEMBRO DE 2008.

CALTARS – “TO”


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