segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jogo de Osso

                        O jogo do osso ou taba, segundo  nos indica Heirich Bunse é de origem espano – platense como revela a pronúncia “tava”  termo usado  tanto na Argentina quanto no Uruguai. Entende-se por taba o jogo do osso, ou o osso propriamente dito com o qual se exercita o jogo. A  taba é um osso extraído do garrão do boi, quanto maior for o animal, oferecerá um osso de maior porte. Anatômicamente esse osso denomina-se de astrágalo. Nome de origem grega. Sabe-se que na Grécia antiga, astrágalo, além de denominar um tipo de osso  também significava dado diferenciando do cubo por ser marcado apenas em quatro  faces e o plural “estrágaloi”, era o  jogo de dados. O astrágalo é um osso  que mede aproximadamente 4×3x7 centímetros tendo nas suas faces longitudinais uma de forma mais lisa e outra com diversas cavidades e saliências, sendo esta a que  se denomina “sorte”, quando no jogo cai voltada para cima. Ao contrário desse procedimento, isto é, quando a parte mais plana fica voltada para cima é “culo”. Quando a taba fica com uma das partes laterais, quer dizer não foi sorte e nem culo, a jogada vale “nada”. Em certas oportunidades, em algumas regiões os praticantes do jogo do  osso preferem  fixar lâminas metálicas nas extremidades para que haja um equilíbrio maior no arremesso  do osso. O jogo do osso é praticado na “cancha”. As canchas normalmente estão implantadas  em bolichos, bodegas ou pulperias  na maioria das vezes locais não muito recomendáveis a freqüência. Também, aparecem canchas de jogo do  osso em carreiradas de cancha reta, festa de Igreja e outros locais de reunião festiva, inclusive em alguns festivais nativistas, como atividade paralela.  A cancha é uma pequena área de terra, préviamente preparada num solo mais ou menos parelho não muito duro nem muito macio. Deve Ter uma braça de largura e três de comprimento. No meio  crava-se uma estaca de cada lado  onde se amarra uma piola (cordão, barbante ou o que o valha) para demarcar a Raia. Também pode-se demarcar a raia, simplesmente com um risco no chão. Nas  cabeceiras deve existir um local de terra mais macia, tipo um barrinho para que o osso  ao tocar o chão não salte, este local denomina-se de batedor. Os jogadores postam-se na cabeceira da cancha  um joga daqui para lá e o outro de lá para cá. No meio fica o coimeiro, responsável pela parada ou banca. É o guardião dos valores apostados e desempenha a função de juiz. Nos locais do jogo costuma  reunir diversas pessoas, os jogadores, curiosos e os que jogam “por fora”, isto é, aqueles que jogam no braço  de um dos  jogadores que estão realizando o jogo. Os jogadores prontos para iniciar o jogo cada um posta-se numa raia e prepara-se para o primeiro tiro, fazer com que o osso caia no local determinado na raia do adversário, se cair de lado é nada. Nada vale a jogada. Caindo com a parte lisa para cima é culo, caso o seu antagonista   jogue a clave  “suerte” está ganha  a parada e imediatamente o coimeiro paga a banca descontando “o barato ou coima” que pertence ao pulpeiro que quando não é o próprio coimeiro  é o dono da cancha. O barato ou coima é um percentagem, uma parte do  montante do jogo. Este jogo não possui regras definidas, o que faz com que em muitas oportunidades hajam calorosas discussões e a palavra do juiz de pouco ou quase nada vale. Este é o grande motivo de que o jogo do osso, na maioria das vezes é por demais tumultuado e perigoso. Mesmo assim muito apreciado na campanha e nos pontos de reunião dos desocupados, aventureiros e jogadores ou, simplesmente, por aqueles que gostam de manter esta atividade  para transmitir a outras gerações.

 

CRESCENTE DE SETEMBRO DE 2008.

CALTARS – “TO”


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