segunda-feira, 21 de maio de 2012

Arquivos do dia » 06, dezembro 2008

Rodeio

                        O Rio Grande do Sul, não teve a sorte das províncias do Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Minas Gerais e outras. Quando estes já contavam com cidades, o nosso Rio Grande ainda era considerado terra de ninguém, pois em 1534 D. João III resolveu dividir as terras brasileiras em Capitanias. Porém, as  do Sul não fizeram parte dessa divisão. O Sul, iniciou suas atividades povoeiras em março de 1626, com a fundação de São Nicolau pelos  Pe. Roque Gonzales e Miguel Ampuero, foram obrigado abandonar o local com os freqüentes ataques dos bandeirantes. Em 02 de fevereiro de 1687 o próprio Pe Roque retornou ao local.  Daí em diante, sucessivamente, foram aparecendo povoações, estradas, comércio e estabelecimentos educacionais. Observem que nossa proposta é falar sobre rodeio. Nestas alturas vamos nos valer do mestre  Aurélio Buarque de Holanda Ferreira que define o termo “rodeio”, como sendo: “exposição,  oral ou escrita, na qual se ladeia um assunto sem abordá-lo diretamente; perífrase, circunlóquio. 6. Bras.  Ato de ajuntar o gado para marcá-lo ou para curativo. Parar rodeio. Bras. RS Ajuntar o gado em determinado lugar do campo. Assim, podemos entender que “parar  rodeio” é reunir o  gado periodicamente  em determinado local do campo, isto é,  num local geograficamente apropriado para essa atividade. E, essa atividade segundo Luís da Câmara Cascudo,  renomado folclorista brasileiro, é sem dúvida ” Reunião de gado de uma estância no Rio Grande do Sul para contagem, cura de bicheira ou qualquer outro mal, simples vistoria e para o aparte, seja para vender o gado apartado, seja para retirá-lo para outra invernada. Local  em que se reúne o gado, em geral, sempre no mesmo lugar. Numa estância pode haver vários locais de rodeio: rodeio grande, rodeio de mangueira, etc. Parar rodeio. Operação de reunir o gado (repontar) desde os mais remotos rincões, no local do rodeio Pedir Rodeio. Solicitação que se faz a um fazendeiro vizinho, para  procura de gado extraviado. Dar Rodeio.   Reunião do gado a pedido de  um vizinho ou de um tropeiro. (General José Bina Machado). Já em 1817, Aires do Casal descrevia o rodeio: Em cada fazenda há uma colina, ou terreno dos mais elevados, determinado com o nome de rodeio, plano na sumidade, e com capacidade  para receber todo o gado, onde se ajunta, ás vezes que se julga necessário. Para isto, distribuídos os pastores a cavalo em torno do gado começam, a bradar-lhe rodeio, rodeio, a cujas vozes o gado marcha a trote para o rodeio em fileira, e dividido em 50  até 100 cabeças segundo o número em que pastam.  Esta manobra é indispensável, pôr o sinal e marca do dono no animal  que ainda não a tem , para se castrar, operação que se lhes faz em torno de dois anos, e pelo método praticado com os porcos, e para tirar o que passa de quatro anos; tanto  para que o gado não exceda  o número de cabaças que a estância possa sustentar,  faltando-lhe o pasto, porque, passando a viver mais tempo no campo, foge e desordena o restante do gado .” (Corografia Brasílica, 1º, 96, S. Paulo, 1943) De forma semelhante os trabalhos apresentados pelos escritores: Romanguera Corrêa, Antônio Alvares Pereira Coruja, Luiz Carlos de Moraes, Roque Callage, Rui Cardoso Nunes e Zeno Cardoso Nunes  convergem para um mesmo rumo, ou seja: rodeio é a reunião do gado em  local determinado e aberto, próprio para a lida, onde se desenvolvem as atividades de aparte,  para venda ou para troca de  invernada,  cura de bicheiras ou qualquer outro mal, aparte para marcar, para tosar as éguas, apartar os touros, para castrar ou simplesmente para contar o gado.  As grandes estâncias têm tantos rodeios quantas  invernadas fechadas  possuem.  Destarte, por tudo o que se viu, observa-se que “rodeio” é um local predeterminado,  dentro de uma invernada onde o campeiro trabalha o gado, em local aberto e  serve exclusivamente  para o manuseio necessário a boa criação, manutenção e engorda do gado. O rodeio em si, isto é, suas atividades nunca foram de diversão, lúdica  ou lazer.  Inclusive, o Movimento Tradicionalista  Gaúcho do Rio Grande do Sul  elaborou um regulamento para   Festa Campeira, onde  se desenvolvem as atividades: tiro de laço, pealo, prova de rédeas,  prova de chasque, vaca parada, cura terneiro, gineteada, jogo de tava, jogo de truco, jogo de bocha campeira, jogo de solo e finalmente a modalidade Tetarfe que inclui, tava, tejo, argola e ferradura. Estas atividades são desenvolvidas com a intenção de competitividade, com a classificação dos ganhadores, os melhores em cada categoria. Então, sendo competição, não é serviço. É competição, é esporte e lazer. Analisando estes aspectos, concluí-se que, em verdade, o que denominamos  rodeio é, sem sombra de dúvidas, uma festa campeira. Considerando que,  em termos de cultura o Rio Grande é muito novo, talvez uma das hipóteses seja a de  que tenhamos recolhido dos pagos da Esmeralda, lá pelos idos de 1951, quando o Sr.  Alfredo José dos Santos, desafiou seus companheiros para na cancha de propriedade de Ataliba Kuze, através de uma disputa, selecionar quem laçava ou pealava  melhor. Na época, denominaram  esse duelo de cordas de “rodeio”, porém das atividades nele desenvolvidas nenhuma foi laboriosa, todas foram orientadas para classificar os melhores laçadores sem nenhuma finalidade de trabalho, tão-somente competição.  Elegendo está hipótese, até os dias de hoje, nossas Instituições Tradicionalistas, equivocadamente, continuam denominando de Rodeio, as Festas Campeiras classificatórias e regionais, pois somente os classificados nestas  têm direito assegurado para competir na Festa Campeira do Rio Grande do Sul (FECARS),  evento de maior grandeza na categoria em  nosso Estado. Em caso de dúvidas, buscamos esclarecimento no artigo 11 do Regulamento da Festa Campeira do Rio Grande do Sul (FECARS). (Art. 11 – A FECARS se desenvolverá em 2 (duas) etapas a  saber: I – Fase classificatória regional; II Fase final ou de âmbito estadual). Que tal usarmos os termos corretos e valorizarmos mais os nossos hábitos e costumes?

 

CRESCENTE DE DEZEMBRO DE 2008       

CALTA/RS – “TO” 


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Eventos Tradicionalistas

               Os eventos tradicionalistas estão comprometidos com a autenticidade

da nossa Cultura. Barbosa Lessa, em 1954 no primeiro Congresso Tradicionalista realizado no CTG Ponche Verde em Santa Maria, previa a extinção do grupo local  do Rio Grande do Rio Grande do Sul, não soubemos manter a fidelidade dos nossos hábitos e costumes e        investimos no seguimento de menor importância. Preocupamo-nos com “o ser diferente”. Não conseguimos manter o linguajar tradicional, nem a indumentária. Tanto é verdade que até hoje, inclusive no ENART edição 2008, componentes de entidades  filiadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho, classificadas para a final do evento, participaram na categoria dança de salão, trajando “chiripa”. Existem coordenadores que em reuniões de trabalho usam “mala-de-garupa”. Nossos tradicionalistas, ainda usam faca em ambiente social. A rastra ainda não deixou de substituir a nossa tradicional guaiaca. Desta forma senhores tradicionalistas, qualquer grupo, dupla ou, seja lá o que for, faz o que bem entende durante as nossas atividade que deveriam ser tradicionalista. Nós, componentes do  Movimento Tradicionalista Gaúcho, somos os únicos responsáveis por esse desrespeito, por essa inversão de valores, por essa invasão  alienígena que estreita sobremaneira nossos horizontes culturais e, os que intitulam-se guardiões do que é nosso, descumprem  as normas emanadas pelo MTG e, curiosamente, nada lhes acontece. Os CCTTGG foram criados para cultuar nossa Tradição e por muito tempo assim permaneceram. Porém, quando iniciou o interesse pessoal, a desagregação do quadro social,  “o jantar-baile”, etc. foram surgindo, numa velocidade impressionante um elevado número de regulamentos que a grande maioria das entidades não cumprem, também foram surgindo, as distorções urdidas com os diferenciais de cada pseudo tipo. Imaginem, nós ainda não aprendemos a escrever a interjeição que se chama atenção de alguém o (Che), escrevemos a pronúncia “tche”. Desta forma, caro leitor, precisamos com urgência, salvar o que resta da nossa Cultura, deixar de lado a vaidade e o narcisismo, o invencionismo, o modismo e muitos outros “ismos”. Recadastrar os nossos quadros sociais com os verdadeiros tradicionalistas, usar nosso linguajar, trajar nossa indumentária autêntica, cantar, escutar, tocar e dançar nossa música tradicional e freqüentar uma instituição tradicionalista sadia abrilhantada por nossos grupos musicais e os que não desejam assistir nossas manifestações crioulas encontram-se  no lugar errado. Os CCTTGG foram criados, exclusivamente, para realizar atividades tradicionais, por esse motivo, o nome é CTG. Caso existam alguns que não concordam com nossos hábitos e costumes, têm toda liberdade de busca outra instituições, ninguém é obrigado  ser tradicionalista. Ser tradicionalista é uma opção daqueles que amam a terra que nasceram, sabem de onde vieram, onde estão e para onde vão.

CRESCENTE DE DEZEMBRO DE 2008.

CALTARS – “TO”


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Gracias

BELEZA DE CHASQUE  CORTANDO OS ARES,

COM  ASAS VENTANAS DO MUNDO  MODERNO.

CONQUISTA DA MENTE DO HOMEM HODIERNO,

ABRINDO CAMINHOS PARA TODOS LUGARES.

TROPEANDO PALAVRAS, CANÇÕES E CANTARES,

QUE ALEGRAM A JORNADA DO  RUDE DESTINO.

ARRIMAM DISTÂNCIAS NO UNIVERSO SULINO,

 MAGISTRAL PERFEIÇÃO A CONTENTO DO PAGO.

TRAZENDO E LEVANDO COMPREENSÃO E AFAGO,

GASTANDO  DISTÂNCIA EM LABOR PEREGRINO.

 

O ORGULHO DO ONTEM É O HOJE NASCENDO,

COM A FORÇA SADIA DA “RAÇA PAMPEANA”.

O JOVEM MONARCA AUTÊNTICO E BUERANA,

ADINDO AOS VALORES O  QUE VAI APRENDENDO.

PASSADO E  PRESENTE EM HARMONIA VIVENDO,

MOSTRANDO PARA O MUNDO A SUA INTENÇÃO.

A QUERÊNCIA NÃO HOSPEDA QUALQUER OPINIÃO,

POIS NÃO SOMOS IGUAIS MESMO SENDO IRMÃOS.

SEGUIREMOS O  RUMO  ESTENDENDO-LHES AS MÃOS,

IRRADIANDO UM RASTRO DE LUZ DA NOSSA TRADIÇÃO.

 

O COMPETENTE E FIEL “MENSAGEIRO”,

CUMPRIU SUA TAREFA DE  PRONTO.

DAS DISTÂNCIAS NEM QUIS DESCONTO,

POR SER COMPETENTE O CHASQUEIRO.

VIU A PRENDINHA E O BULICHEIRO,

NEGOCIAR UM COLAR DE TURQUEZA.

QUERIA ENTREGAR AQUELA BELEZA,

PARA A SUA IRMÃ, DE ANIVERSÁRIO

SOBRE O BALCÃO PÔS SEU RELICÁRIO

DEMONSTRANDO SUA GRANDE NOBREZA.

 

“ELA DEU TUDO O QUE TINHA”  À IRMÃ,

POR BONDADE COMPREENSÃO E CARINHO.

SUA CONSCIÊNCIA INDICOU O CAMINHO,

A SER SEGUIDO PELOS JOVENS  AMANHÃ.

COM AMOR E  FRATERNIDADE CRISTÃ,

CONSTRUIREMOS UM MUNDO MELHOR.

DEIXA LONGE  O PROCEDIMENTO PIOR,

E CONSERVA NOSSA CULTURA QUE É SÃ.

NADA SE INVESTE  NUMA VIDA PAGÃ,

POR ESTAR AFASTADA DE NOSSO SENHOR.

 

 

MIL GRACIAS PIAZITO ROGÉRIO,

PELA BELA MENSAGEM “GRATIDÃO”.

O MENSAGEIRO CHEGOU NO RINCÃO,

ENSINANDO UM NOVO CRITÉRIO.

A TRADIÇÃO DESVENDA O MISTÉRIO,

POR AFEIÇOAR-SE AS CIÊNCIAS ATUAIS.

CONVERSAMOS POR ÍCONES VIRTUAIS,

ENTRE SOPROS DO VENTO SILENTE.

QUE DEUS TE ABENÇOE VIVENTE,

E AOS  QUE TU  CONSIDERES IGUAIS.

 

CHEIA DE OUTUBRO DE 2008

CALTARS – “TO”


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