quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Arquivos do mês » outubro, 2010

NOEL GUARANI

NOEL GUARANY – NOEL BORGES DO CANTO FABRICIO DA SILVA

Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany, nasceu no dia 26 de dezembro de 1941, em Bossoroca, então distrito de São Luiz Gonzaga, na região das missões no Rio Grande do Sul e viveu até a adolecência, além de sua terra natal, em Garruchos e São Luiz Gonzaga (Bossoroca emancipou-se em 12/10/1965).
      Filho de João Maria Fabrício da Silva e Antoninha Borges do Canto, sua descendência paterna era ligada a José Fabrício da Silva, italiano, que veio de São Paulo e recebeu uma sesmaria de campo na região de Bossoroca, onde se estabeleceu em 1823. Pelo lado materno, descende de Francisco Borges do Canto, irmão de José Borges do Canto, que recebeu várias quadras da sesmaria na região das missões. Francisco nasceu em 1782 e foi estancieiro em São Borja. Os Borges do Canto tiveram grande influência e importância na formação das fronteiras do Rio Grande do Sul, inclusive, José Borges do Canto participou da conquista dos sete povos das missões gaúchas, cuja rendição dos espanhóis ocorreu em 13 de agosto de 1801, capitulação essa endossada por Canto.
      Noel, em 1956, com quinze anos de idade, aprendeu tocar sozinho seu primeiro instrumento, um violão com apenas três cordas, depois acordeon. Somente mais tarde passou a usar o violão que se transformaria em seu companheiro inseparável, instrumento com o qual desenvolveu uma técnica própria de tocar.
      Em 1960 emigrou para a Argentina, onde trabalhou como tarefeiro de erva-mate, lenhador e balseiro. Esteve em Buenos Aires , depois foi para o Uruguai, Paraguai e Bolívia, lugares onde conviveu com muitos músicos, aperfeiçoou sua arte de tocar violão e aprendeu muito sobre a cultura musical desses países.
Entre 1960 e 1968, peregrinou por todos os países do Prata e por estâncias do Rio Grande do Sul tocando, cantando e aprofundando seu conhecimento sobre a cultura regional. Nessa época gravou um compacto simples, com as músicas “Romance do Pala Velho” e “Filosofia de Gaudério”, acompanhado pelo cantor, compositor e músico missioneiro Cenair Maicá, com o qual se apresentava em festivais na Argentina.
Em 1971 Noel gravou seu primeiro LP, “Legendas Missioneiras”, que teve como parceiros os gaúchos Jaime Caetano Braum, Glênio Fagundes e Aureliano de Figueiredo Pinto. Nesse ano e no ano seguinte viajou por vários estados fazendo apresentações e divulgando o disco.
Em 1972 casou com Neidi da Silva Machado, missioneira de São Luiz Gonzaga e passou a residir em Porto Alegre , para ficar mais próximo dos meios de divulgação.
Em 1973 gravou o segundo LP, “Destino Missioneiro”, e continuou viajando, pesquisando e divulgando a música missioneira.
Em 1975 gravou o LP “Sem Fronteira” e participou da gravação dos discos Música Popular do Sul – volumes 2 e 4, produzido por Marcus Pereira Discos, em São Paulo. Nesse ano também criou em Tramandai, na Avenida Beira Mar, a Penha Guarany, um espaço onde se reuniram expressivos nomes do folclore gaúcho.
Em 1976 gravou o LP independente, com Jaime Caetano Braum, “Payador, Pampa e Guitarra”, lançado simultaneamente no Brasil e na Argentina, com participação especial de Raul Barboza e Palermo. Nesse ano iniciou um programa na Rádio Guaíba de Porto Alegre e participou do programa Brasil Grande do Sul, com Jaime Caetano Braum e Flávio Alcaraz Gomes, depois passou para a Rádio Gaúcha, onde produziu e apresentou o programa Tradição e Folclore.
Em 1977 foi relançado o LP “Legendas Missioneiras”, com o título de “Canto da Fronteira”, mais tarde lançado também em CD. Nesse ano Noel realizou um espetáculo na Assembléia Legislativa para divulgar o LP “Payador, Pampa e Guitarra”, com participação de Raulito Barboza, Palermo e Argentino Luna.
Em 1978 lançou o LP “Noel Guarany Canta Aureliano de Figueiredo Pinto”, que marcou época no Rio Grande do Sul, pois resgatou a obra e memória de um dos maiores poetas do regionalismo gaúcho. Esse disco também foi posteriormente lançado em CD.
Em 1979 gravou o LP “De Pulperia”, com músicas de Atahualpa Yupanqui, Anibal Sampayo e Mario Milan Medina, reforçando a intenção de promover a integração com a cultura platina.
Em 1980 gravou o LP “Alma, Garra e Melodia”, iniciando a parceria com João Sampaio da Silva, que geraria importantes obras e uma grande amizade. Nessa época começou a se manifestar a doença que iria progressivamente lhe tirar todos os movimentos e condená-lo a um calvário (ataxia cerebral degenerativa), que se arrastou por muitos anos, fazendo com que esquecesse as letras das músicas, o que o deixava mais inquieto e amargo. Percebendo que algo de anormal estava lhe acontecendo, passou a beber com mais freqüência.
Em 1982 lançou o LP “Para o Que Olha Sem Ver”, título escolhido em homenagem a Atahualpa Yupanqui, autor da música com o mesmo nome, que foi interpretada pelo Noel no disco. De João Sampaio gravou quatro músicas, consolidando a parceria.
      Em 1983 quando morava em Itaqui, escreveu uma carta aberta para a imprensa, expressando o seu descontentamento com o descaso dos órgãos públicos para com a classe dos artistas que gravavam discos. Finalizou a carta dizendo que pararia de cantar até que as autoridades tomassem providências a respeito do assunto.
Em 1984 fixou residência em Santa Maria , local onde morou até o dia de sua morte. Nessa cidade fez contrato com uma produtora para realizar uma série de espetáculos na região centro do Estado. Também foi nesse ano que a gravadora RGE lançou o LP “O Melhor de Noel Guarany” e que foi reeditado o LP “Payador, Pampa e Guitarra”.
Em 1985 se retirou dos palcos, atitude coerente com o que afirmara na carta aberta que divulgou para a imprensa em 1983.
Em 1988 gravou com Jorge Guedes e João Máximo, parceiros de São Luiz Gonzaga, o LP “A Volta do Missioneiro”. Nesse ano também gravou com Jaime Caetano Braum, Pedro Ortaça e Cenair Maicá o LP “Troncos Missioneiros”. Nesse disco já se pode notar que a doença estava afetando o seu registro vocal, pois o vigor e a clareza de outros tempos já não era os mesmos. Nesse ano foi relançado o LP “De Pulperias”.
      Nos anos seguintes Noel permaneceu recolhido em seu auto exílio, em Santa Maria. A imprensa de todo o Estado, os colegas artistas e os amigos questionavam a ausência do ídolo missioneiro. Sua vida seguia uma via-crucis, com a doença que cada vez mais se acentuava e que aos poucos lhe tirava toda a atividade motora.
      No dia 6 de outubro de 1998, com 56 anos de idade, Noel Guarany faleceu na Casa de Saúde de Santa Maria. Seu corpo transladado para o município de Bossoroca, sua terra natal, onde hoje repousa em um mousoléu especialmente construído para abrigar os restos mortais de seu filho mais popular, que morreu autêntico como sempre viveu.

Texto da Professora Guiomar Terra dos Santos

“Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany, inigualável cantor-poeta dos pagos missioneiros, nasceu na Bossoroca, então Município de São Luiz Gonzaga (um dos Sete Povos Missioneiros), em 26 de dezembro de 1941 e morreu em 6 de outubro de 1998. Foi criado em Garruchos e São Luiz Gonzaga. Filho de João Maria Fabrício da Silva e Antônia Borges do Canto.
Toda a sua vida foi dedicada à música Sul-Riograndense, na pesquisa do folclore, do ritmo e do verso genuinamente missioneiro. Segundo ele, seu trabalho tinha como finalidade “divulgar o folclore campesino sul-americano”. Conseguiu fazer de sua música a mais bela expressão cultural.. Foi o maior cantor missioneiro que este Estado já viu.
Em toda sua produção discográfica Noel Guarany prima pela qualidade tanto no ritmo quanto nas mensagens das letras, suas ou de outros compositores.
Como descendente de índios guaranis, recebeu destes, os primeiros conhecimentos da cultura nativa. Autodidata, apaixonado desde piá pelo idioma guarany, o qual aprendeu sozinho (também sozinho aprendeu a tocar, compor e cantar. Aos quinze anos tocava acordeon).
Após os dezesseis anos, adotou como companheiro inseparável o violão. A partir de 1960, passou a percorrer a América Latina, com o esplendor de sua voz e o som límpido e inigualável de seu violão, tornando-se o responsável pelo registro do folclore na região das Missões e Alto Uruguai e pela sua divulgação no Brasil e no exterior.
Seu trabalho não é mera inspiração poética. É resultado de incessante pesquisa obtidas através de entrevistas com índios e velhos violeiros, onde coletou material sonoro para o ritmo inconfundível de suas milongas, chamarritas, canções campeiras e populares.
Iniciou sua carreira tocando em bailes, teatros e rádio São Luiz de São Luiz Gonzaga. Fez uma imensa trajetória pela América do Sul, onde conheceu intelectuais, folcloristas, peões de estância e descendentes guaranis, começando uma busca de integração da cultura dos povos sul-americanos. Em 1962, fazia a divulgação de sambas argentinos e chilenos.
Toda a sua vida foi dedicada à música sul-riograndense, na pesquisa do folclore, do ritmo e do verso genuinamente missioneiro.
Segundo ele, seu trabalho tinha como finalidade “divulgar o folclore campesino sul-americano”, fazendo de sua música uma bela expressão cultural, se transformando no maior cantor missioneiro que o Rio Grande já viu.
Em toda sua produção discográfica, Noel Guarany primava pela qualidade, tanto no ritmo quanto nas mensagens das letras, tanto fazendo se eram suas ou de outros compositores.
Em 1968, era responsável por um programa na Rádio Cerro Azul, de Cerro Largo. Mais tarde criou, na Rádio Guaíba, junto com Flávio Alcaraz Gomes e Jayme Caetano Braum, o programa Brasil Grande do Sul. Também teve programa na Rádio Gaúcha e na Rádio Universidade Federal de Santa Maria.
Noel Guarany arrancou aplausos do público mais simples ao mais exigente, em espetáculos folcloristas. Realizou conferências, apresentou-se para universitários e filosofou para intelectuais. O Palácio Piratini teve, durante mais de ano, a presença de Noel em seus espetáculos artísticos-culturais.
Seu trabalho foi passo-a-passo reconhecido, até despertar a atenção da grande imprensa nacional.
Payador missioneiro, nunca disse meias verdades. Foi do canto lírico ao canto de denúncia social. Desentendeu-se com gravadoras e com a Ordem dos Músicos. Polemizou falsos valores e conceitos, criticou o tradicionalismo praticado. Seu pensamento era de que “Quando voltei ao Brasil, comecei a sentir cheiro de podridão na arte do Rio Grande do Sul, ao ver cantores suburbanos vestindo longas e espalhafatosas indumentárias de souvenirs para iludir turistas trouxas”. Essa postura irreverente e combativa fez com que recebesse o título de “Payador Maldito”.
O registro do nosso folclore impregna toda a sua arte, seu primeiro disco já nos mostra o talento do maior compositor e guitarrista sulino, que reavivou as canções costeiras e cantigas galponeiras, popularizando a região das Missões, fazendo com que as ruínas missioneiras de São Miguel fossem reconhecidas como Patrimônio histórico Cultural da Humanidade em 1983.
Segundo Barbosa Lessa, o estilo de Noel Guarany pode ser definido como “meio caminho entre a narrativa declamada e o canto propriamente dito”. Com sua payada, Noel se fez potro xucro para ganhar o campo aberto e os horizontes largos da América Latina, com seu “Potro sem dono”; se fez popular com o “Romance do pala velho”; seguiu filosofando para os intelectuais com a “Filosofia de gaudério”; mas jamais esqueceu-se de cantar o cotidiano do homem simples como “Destino de peão”. Sempre soube conduzir com sua proposta musical, as bandeiras de seu povo. No fascínio épico de suas canções como “Tobiano Capincho”. Sempre esteve viva a memória guaranítica como no “Lamento missioneiro”; na cantiga de galpão “Romance do Pitiço Mitay”; na rebeldia gaudéria de “Chairando”; no telurismo de “Eu e o rio”; no sentimento nobre de integração da “Milonga de três bandeiras”; no lirismo de “Milonga Missioneira”, na valentia de ” Destino Missioneiro”, no seu canto entonado, com cheiro de terra.
Cantava nossos costumes com entono e afinação qual “Galo Batará”; foi um homem que o destino fez “cantor em muitas payadas.”; quando amanhecia “com os pés apapagaiados,”; arisco como “boi preto”, pegava seu bodoque e ia nadar com “Gení Pakú”, “pelados, lá no Ximbocú”, onde ensaiava suas canções, imitando os pássaros e o murmúrio das águas. Amava o Rio Grande, onde “os gaúchos são valentes e as chinócas são faceiras.” Também gostava de ouvir o “tinido das esporas”, no “compasso da vaneira”.
Ninguém melhor para fazer sua biografia do que ele próprio fez em “filosofia de gaudério”, quando inicia a letra pedindo licença e atenção, pois com seu violão, em seu estilo missioneiro, o gaudério e payador é um ser triste como todo gaúcho cantor. Para seu canto não há limites pois “há de cruzar mil fronteiras”, sempre com sua voz límpida “num desabafo de peão que aprendeu a cantar solito”, segue “com medo da solidão”. Diz trazer em si a linguagem do índio sul americano. É o poeta sem escola, que aprende seu ofício em meio aos costumes do povo simples da campanha, que é simples mas altaneiro e “se acaso levar rodada, dá um gritito e se levanta.” Sua Pátria e seu canto são inseparáveis “repontando seu destino” que é sempre cantar a Pátria. Sua predisposição de gaúcho é bem clara “nunca vou cantar pro mal, meus versos são para o bem” e apesar de cantor pobre, se alegra com seu canto e sonha morrer cantando “se eu nasci pra cantor eu hei de morrer cantando.”
Versos de força poética que se entrelaçaram e se harmonizaram ao som mágico de uma guitarra cuja sonoridade faz rebrotar toda a emoção de um canto lírico, versos que reavivam valores, costumes, determinação e talento de alguém que conseguiu ser único, pois acreditou que “nativismo é recompensa, folclore pra replantar”. Por isso, seu canto não morrerá. E brotará em cada cantor, que como ele, cantar a sua terra. E a obra iluminada deste payador, será pesquisa viva do folclore missioneiro. ”

Fonte : Chasque Pampeano

www.chasquepampeano.com.br


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CRUZ DE LORENA

 

A CRUZ DE LORENA – HISTÓRICO

A CRUZ DE LORENA

A representação da cruz dupla tornou-se, com o decorrer do tempo, um símbolo amplamente utilizado para diversas finalidades. Como identificamos um especial interesse dos nossos leitores sobre a Cruz de Lorena, estamos incluindo um pouco mais de informações e curiosidades relacionadas a este símbolo.Cruz de Lorena no Memorial Charles de Gaulle em Colombey-les-Deux-Églises.Em homenagem ao General de Gaulle, a Cruz de Lorena, com 43,50 metros de altura, construída em granito rosa pelos arquitetos Marc Nebinger e Michel Mosser, evoca a memória de Charles de Gaulle tal como ele queria. O local onde está o monumento, erguido em 1972 sobre o ponto mais alto de Colombey-les-Deux-Églises, oferece um esplêndido panorama paisagístico de Haute-Marne. A cidade ficou famosa após o General de Gaulle ter comprado, em 1934, a fazenda de La Boisserie, onde costumava descansar. Morto em 1970, o general e sua esposa Yvonne e sua filha Anne estão enterrados no cemitério da pequena comunidade.

PRIMEIRAS REPRESENTAÇÕES

Encontram-se representações da cruz dupla em La Ferrasie, na Dordonha e em Las Batuecas, na Espanha, desde a era pré-histórica.
Na interpretação de alguns, o montante vertical é um meridiano e localiza o Norte e o Sul; a barra horizontal mais curta, representa o solstício de inverno, e a mais longa, o de verão; o conjunto simboliza, portanto, o percurso do sol durante um ano.O Espaço representado por uma cruz dupla:
A) O meridiano celeste,
B) A rota do sol no verão,
C) O percurso do sol no inverno.
A CRUZ DUPLA NA HISTÓRIA

É em Jerusalém que se identificam os primeiros vestígios da cruz dupla. Desde o século IV é sob a forma da cruz dupla que são representadas as relíquias da Cruz Verdadeira utilizada na Paixão de Cristo, reencontrada por Santa Helena sobre o Monte das Oliveiras. Esta representação foi adotada porque seria o símbolo do poder dos Patriarcas de Jerusalém, guardiões da Cruz Verdadeira. A mesma figura se encontra sobre todos os túmulos de Patriarcas, de Byzance até o Monte Athos, em Attica e a partir dessa região difundiu-se na Rússia, onde foi chamada “Cruz Russa” e na Hungria, onde se tornou “Cruz de Hungria”, passando a ser um emblema da realeza. A cruz dupla chegou ao Ocidente com o comércio de relíquias, à época dos merovíngios. No século VI, o Imperador de Byzance, Justino II ofereceu uma relíquia a Santa Radegonde. Chegando a Tours dentro de um magnífico relicário esmaltado esta relíquia foi festejada com euforia por uma multidão entusiástica ao som do hino “Vexila Regis prodeunt”, composto especialmente pelo poeta Fortunat e está, atualmente, guardada na Igreja da Santa Cruz de Poitiers. Existem relicários semelhantes, cada qual mais ricamente adornado que os outros, em muitas partes da Europa e, naturalmente, na França, em Eymoutiers na Haute-Vienne. Também conhecida como “Cruz de Santo Eloi” ou de “São Luis da Santa Capela”, este símbolo está relacionado às Cruzadas e, até mesmo, atribuem-lhe poderes mágicos. Sua forma serviu de modelo para a planificação de belas igrejas e catedrais: na Inglaterra, em Lincoln, Rochester ou Worcester e na França, como é o caso das igrejas da Abadia de Cluny, de Saint Benoît no Loire, e Saint Quentin.
A cruz dupla aparece também nas moedas e nas insígnias dos cruzados, iniciando com os Templários, desde que estes foram constituídos como Ordem pelo Patriarca de Jerusalém, Guarimond, em 1119. Deu-se o mesmo com a Ordem dos Hospitaleiros do Espírito Santo ou de Saint Géréon, na Palestina e depois com a Ordem da Cruz de Anjou.

A CRUZ DE ANJOU
Em 1241, o bispo Thomas de Hierapetra, em Creta, doou uma relíquia da Verdadeira Cruz de Cristo, que teria pertencido anteriormente a Gervais de Comène, patriarca de Constantinopla, a Jean de Allaye, cavaleiro angevino que retornava ao seu país, de volta da Terra Santa. Jean de Allaye doou-a, por sua vez, para a Abadia bernardina de La Boissière, em Anjou. Esta relíquia, é feita de uma madeira dura, provavelmente cedro e composta de três ramos: um vertical com 28 cm, e dois atravessados, um com 8 cm e o outro com 11 cm. Em 1357 foi colocada sob a proteção dos Jacobinos de Angers e durante a Guerra dos Cem Anos, em 1379, guardada em segurança no Castelo de Angers por Luis I de Anjou que criou, nesta ocasião, a ordem de cavalaria, “Ordem da Cruz de Anjou”. Ao fim da Guerra dos Cem Anos, em 1456, a relíquia retornou para a Abadia de La Boissière. Em 1790, foi transferida para o Hospício dos Incuráveis, de Baugé e escapou miraculosamente às destruições revolucionárias. Em Heráldica, a Cruz de Anjou é negra e a Cruz de Hungria é branca.

Cruz de Anjou
A Cruz de Anjou foi reconhecida como Cruz de Lorena, apenas no século XV, graças a René I de Anjou, o Bom, Duque de Lorena de 1431 a 1453 que a difundiu pelos seus estados. Seu neto, René II, Duque de Lorena de 1473 a 1508, utilizou-a para atestar ser herdeiro direto de Godofredo de Bulhões e, portanto, do Reino de Jerusalém e para justificar suas pretensões sobre o Reino da Hungria, como herdeiro da Rainha Joana II. René II escolheu como divisa para seu selo real : “Rinatus Dei Gratia Hungria Ierusalem et Siciliae Rex.” “René pela graça de Deus, rei de Hungria, de Jerusalém e da Sicília.”

René II representado em uma gravura de Jean Cayon
para a Chronique de Chrétien de Lud.
SIGNIFICADOS DA CRUZ DE LORENA

A Cruz de Lorena, simbolizava que os Duques de Lorena eram duplamente cristãos: por serem príncipes de um Estado cristão e como os conquistadores de Jerusalém.
• É uma representação cristã de uma cruz comum de suplício com a tabuleta de inscrição, escolhida como símbolo da Paixão de Cristo.
• É uma afirmação do poder dos Patriarcas do Oriente nos tempos de perseguições e da resistência da Fé contra todos os ataques.
• É um símbolo das Cruzadas e da Cavalaria e, portanto, sempre da resistência e da honra da Fé.
• É um símbolo dos direitos dos duques de Lorena sobre seus diversos estados e de suas pretensões sobre os reinados de Jerusalém e da Hungria.
• É um símbolo da resistência da Lorena e do direito de permanência dos seus habitantes em sua terra, contra todos os seus inimigos. René II de Anjou, duque de Lorena e seus soldados a caminho da batalha de Nancy.Na Batalha de Nancy, contra Carlos O Temerário que nela perdeu a vida, René II de Anjou fez suas tropas portarem a cruz dupla para se distinguirem dos borgonhenses, que ostentavam a Cruz de Santo André. “Karolo duce stipato Burgundorum potencia Andrina cruce signato Signi pro differencia
Guerram sine clementia In Lotharingas accepit Unde pro resistencia
Crucem binam quisque cepit. “Carlos O Poderoso Duque de Borgonha,
traz como símbolo a cruz de Santo André, escolhida como o seu distintivo
em uma guerra sem piedade  contra a Lorena onde, como sinal de resistência,  escolheram trazer a cruz dupla.”

O SIMBOLISMO CRISTÃO DA DUPLA TRAVESSA

O símbolo da cruz, uma trave vertical com uma transversal, representa a Paixão de Cristo e o instrumento de tortura sobre o qual Jesus foi crucificado. Então por que se juntou a esta uma transversal menor? Era costume dos romanos escrever em uma prancheta (chamada titulus ou superscriptio) e colocá-la sobre a cabeça do crucificado com o seu nome e o motivo de sua condenação. Assim foi colocada sobre a cabeça de Jesus a prancheta com a inscrição “I.N.R.I”: Iesus Nazarenus, Rex Iudaecorum (Jesus de Nazareth Rei dos Judeus)! Pilatos usou este costume, para humilhar e ridicularizar um pouco mais o povo colocando em subentendido à expressão “rei dos judeus”, ou “aquele que se pretendia…” Nessa ocasião, em resposta aos protestos do povo, depois do “eu lavo as minhas mãos”, ele pronunciou a famosa frase:” o que está escrito está escrito!”
Esta prancheta nominativa teria se desenvolvido, na segunda travessa horizontal da cruz dupla, pois, os romanos costumavam repetir a inscrição em latim, grego e hebraico nos títulos, o que torna o texto, longo o suficiente para justificar a utilização de um pedaço de madeira com um bom tamanho.
Os historiadores se esforçam para comprovar como verdadeira a relíquia de Santa Helena mantida na Basílica Santa Cruz, em Roma. Encontrada por acaso em 01 de Fevereiro de 1492, dentro de uma caixa de chumbo escondida em um nicho da igreja, a relíquia seria um grande pedaço da tabuleta da “Verdadeira Cruz” descoberta por Santa Helena no Calvário em 326 .
Desde essa época, a cruz dupla aparece nas armas das cidades que pretendem demonstrar o seu apoio à Lorena. Ela também servirá como símbolos dos restabelecimentos católicos durante as guerras religiosas.

PÓRTICO DO MOSTEIRO VORONET

O Juízo Final, pintura em afresco com Cruz de Lorena em uma das cenas.

Em Bucovina no nordeste da Romênia, encontra-se a mais famosa e impressionante pintura em afresco dos seus mosteiros. Trata-se de Voronet, conhecido em toda a Europa como a “Capela Sistina do Oriente” devido às suas pinturas interiores e exteriores, este mosteiro oferece uma abundância de afrescos caracterizados por uma intensa tonalidade de azul conhecida como ‘Voronet azul’, cuja composição permanece um mistério há mais de 500 anos. Os afrescos ilustram cenas bíblicas, orações, hinos sagrados, episódios e temas como O Juízo Final e A Escada de São João, com detalhes coloridos e ricos de imagens dos apóstolos, evangelistas, filósofos, mártires, anjos e demônios.
O mosteiro Voronet foi construído por Stephen, o Grande, príncipe da Moldávia, em 1487 para cumprir uma promessa feita ao eremita Daniil, que o havia encorajado a perseguir os turcos de Wallachiia. Após a derrota dos turcos, o mosteiro foi erguido em menos de quatro meses.
Atualmente, Voronet é mantido por uma comunidade de freiras que, combinam a vida religiosa de oração com a limpeza do mosteiro e trabalhos agrícolas, executam uma oficina pintura e proporcionam visitas guiadas no mosteiro
A CRUZ DE LORENA NA FILATELIA MÉDICA

A Cruz de Lorena é o símbolo internacional da “cruzada” contra a tuberculose, instituído em 1902, por sugestão do médico francês Gilbert Sersiron. A escolha dessa insígnia inspirou-se na Cruz de Lorena usada pelo Duque de Lorena Godofredo de Bulhões, em 1087, na Primeira Cruzada para Jerusalém. A Cruz de Lorena, tem sido fonte de inspiração para muitos escritores e poetas. Apresentamos a nossa versão para uma poesia contemporânea e original, principalmente, pela sua forma:  A Cruz de Lorena  poema-caligrama de Yvan GOLL. Composição e texto original
La Croix de Lorraine Poème-calligramme d’Yvan GOLL
A ponteira ou flecha da Torre do Relógio do Palácio Ducal em Nancy, apresenta todos os símbolos do poder real dos duques de Lorena, as alérions, a cruz dupla, a coroa e o cardo.Imagens e Textos: 

INTERNET

Veja também:

A CRUZ DE LORENA E A “VRAI CROIX”

A CRUZ DE LORENA – CRUZ DE ANJOU

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